Você está sendo “obrigado” a utilizar cana-de-açúcar na alimentação dos seus animais?

Durante os dois últimos meses, eu e alguns colegas da área zootécnica, tivemos a oportunidade de interagir com dezenas de técnicos e produtores, com o objetivo de discutir a utilização da cana-de-açúcar na alimentação de ruminantes, durante o curso promovido pela Agripoint. Também, num artigo escrito por mim nesta seção “A sua propriedade utiliza cana-de-açúcar in natura ou ensilada na ração dos animais?”, recebi diversas cartas comentando sobre este recurso forrageiro.

Fazendo um “raio x” desse período, pude perceber alguns pontos que me deixaram satisfeito, pois algumas propriedades estão tendo sucesso no manejo alimentar quando a cana-de-açúcar é utilizada, seja ela in natura ou ensilada. Nessas fazendas a cana chegou para sustentar ou aumentar a produção de leite e/ou carne, trazendo novo ânimo a atividade.

Embora, tenha me empolgado por estes aspectos, fiquei um pouco preocupado e intrigado com outros, pois alguns produtores estão se sentindo frustrados com o uso da cana.

Não posso aqui apontar os motivos dessa frustração (que está se tornando um antagonismo); talvez seja pela falta de aptidão da propriedade a espécie vegetal (topografia, fertilidade do solo, clima e logística de produção), ou pela forte pressão que a expansão desta cultura tem provocado nos sistemas agrícolas.

Por exemplo: Os confinamentos localizados na região centro-oeste têm utilizado rações de alto grão (alto concentrado), pois a soja, o algodão e o milho são cultivados próximos aos locais de pecuária, o que reduz o custo da dieta. Com a introdução da agricultura canavieira nos estados de Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, este cenário deverá ser modificado, pois as rações passarão a ter mais volumoso (cana in natura ou ensilada) e menor proporção de ingredientes concentrados (milho, principalmente).

Recebi relatos de produtores que estão querendo substituir forrageiras nativas, adaptadas há diversos anos nos referentes climas, como a palma forrageira, para se aventurar a plantar cana-de-açúcar numa região que tem sérios problemas de precipitação.

A cana também tem tomado o sul de Minas Gerais, e, nessa região (e também em outras), ocorrem problemas pela falta de mão-de-obra, pois durante a colheita do café (que coincide com a colheita da cana) faltam recursos humanos no manejo de alimentação dos animais. A saída para esse entrave tem sido a ensilagem da cultura, pois as instituições de ensino e pesquisa conseguiram avanços significativos ao longo dos últimos cinco anos. Porém, a propriedade deve estar preparada para este tipo de tecnologia.

Portanto, vão aqui algumas dicas:
1) A cana-de-açúcar é mais uma alternativa de volumoso que temos a disposição. O plano nutricional da propriedade pode ser realizado com sucesso fazendo-se uso com outras fontes, como: pasto, silagem de milho, de sorgo, de capim, feno.

2) As tentativas frustradas de implantação de determinadas técnicas, como o uso de aditivos, têm criado insatisfações, talvez pelo desconhecimento que está distante do produtor, ou realmente haver impossibilidade da sua consolidação, o que podemos chamar de “queimar uma tecnologia”. Desse modo, cuidado com matérias jornalísticas sensacionalistas. Não existem produtos que fazem milagres. São apenas ferramentas de manejo que devem ser utilizadas com critérios técnicos e científicos.

3) Quem está utilizando a cana e tem conseguido sucesso, que continue assim.


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