Veganismo flexível aumenta em 24% venda de produtos de origem vegetal na França

As vendas de produtos vegetarianos e veganos tiveram um aumento de 24%, gerando € 380 milhões (US$ 435 milhões) em 2018, segundo dados publicados nesta terça-feira (8) pelo instituto de estudos Xerfi.

Diversas causas estão por trás desse crescimento: os numerosos escândalos da indústria alimentícia, os questionamentos sobre os benefícios do leite e da carne e, sobretudo, a banalização do ideal do “flexitarianismo”, que propõe uma abordagem menos radical no consumo de produtos de origem animal.

O relatório do instituto Xerfi aponta que os valores se comparam ao de mercadorias sem glúten, mas ainda é dez vezes inferior ao de produtos orgânicos. O documento também antecipa uma progressão anual média de 17% no mercado da alimentação vegetariana e vegana para o período de 2019 a 2021. Em três anos, de acordo com o centro de estudos, esse mercado vai ultrapassar os € 600 milhões.

Existe atualmente uma má imagem ligada ao consumo de carne na França, onde, em 2018, diversos vídeos de animais sendo maltratados foram postados nas redes sociais e açougues foram atacados por ativistas radicais. Além disso, uma possibilidade de aderir ao movimento de maneira mais acessível conquistou novos consumidores: o chamado “flexitarianismo”, ou seja, a possibilidade de reduzir consideravelmente produtos de origem animal no prato, sem cortá-los completamente da dieta.

Flexitarianismo: moda ou quebra de paradigma?

Segundo o Xerfi, os vegetarianos e os veganos representam apenas 2% da população francesa (cerca de 1,3 milhão de pessoas) e 0,5% (por volta de 340.000), respectivamente. Os “flexitarianos”, por outro lado, chegam a 1/3 dos franceses, quase 23 milhões de indivíduos.

“O flexitarianismo é um movimento que chegou dos Estados Unidos e que foi logo apropriado em certos bairros parisienses. Pessoalmente, quando digo que sou ‘flexitariano’, significa que coloco o planeta Terra em primeiro lugar e que conheço o impacto daquilo que consumo”, disse o chef francês Bertrand Simon à rádio France Inter. “Um vegetariano que come uma salsicha escondido não é mais um vegetariano. O ‘flexitariano’ pode, de vez em quando, cair em tentação, comer um pedaço de carne, sem se sentir culpado.”

“De acordo com a OMS, o consumo de mais de 500 gramas de carne por semana pode causar problemas, como o aparecimento de câncer. Então, não podemos mais refletir em termos de consumo mínimo de carne, mas de consumo máximo”, afirmou à France Inter a chefe de avaliação de riscos ligados à nutrição da Agência Nacional de Segurança Sanitária da Alimentação, Irène Margaritis.

“Nossa recomendação em relação à carne é: não consumir mais do que tal quantidade. Já quando se trata de vegetais, é o contrário. Na verdade, não existe alimento bom ou ruim. A carne é problemática porque nossas referências são hábitos alimentares de grande consumo”, explica.

Isso também fez com que o mercado vegetariano e vegano tivesse uma maior visibilidade, com mais ofertas de produtos. “Nesse contexto, certas marcas, como Naturalia, do grupo francês Casino, optaram pela criação de conceitos 100% veganos (Naturalia Végan)”, diz o instituto. A rede Carrefour seguiu a mesma linha e lançou o “Carrefour Veggie”.

O instituto Xerfi reitera que o aumento do consumo de produtos de origem vegetal representam uma tendência importante, mas estima que também existe um “efeito de moda”, que pode diminuir após 2021.

Fonte: RFI.


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