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Vai um bife por US$ 1mil? É de laboratório

“Garçom, um filab mal passado, por favor”. Um bife de laboratório, cultivado a partir de célula animal, ainda não sai por menos de US$ 1 mil, mas nenhuma empresa quer perder a primazia de assar o primeiro fake – e, quem sabe, saboroso – ribeye na grelha do consumidor.

No país das titãs da carne JBS, BRF e Marfrig, que dominam o comércio global de proteínas, a dona da Sadia saiu na frente no Brasil ao anunciar uma parceria com a israelense Aleph, mas a disputa tecnológica já corre longe dos trópicos e ainda sem vencedor.

Desde 2015, foodtechs gringas trabalham no desenvolvimento de uma carne de laboratório que seja ao mesmo tempo viável e acessível. Afinal, por US$ 1 mil o quilo nem o mais suculento kobe beef convence.

“Vamos ter um bife desses a US$ 5”, acredita o consultor Alberto Gonçalves Neto, um dos maiores especialistas em ‘meatless’ do país. Num estudo feito há dois anos, a consultoria A.T. Kearney projetou que a carne de laboratório representará 35% do mercado global de carnes em 2040, um negócio de US$ 1,8 trilhão. Para os mais céticos, ainda é puro wishful thinking.

Mas a tacada da BRF vai nesse sentido. A expectativa é que, em poucos anos, a produção será comercialmente viável. A companhia chefiada por Lorival Luz planeja uma fábrica de carne de laboratório para 2024, uma aposta ousada. “É loucura dizer que vão lançar em 2024. Nem em pequena escala conseguem produzir”, diz um respeitado empreendedor da área.

A israelense Aleph é motivo de orgulho nacional no país importador de carne. Até o premiê Benjamin Netanyahu já provou a carne cultivada. Na corrida tecnológica, divide a liderança com as americanas Memphis Meats, uma foodtech que já atraiu investimentos de Bill Gates, e Eat Just.

A Memphis Meats é uma das mais endinheiradas. Além do fundador da Microsoft, trouxe para o cap table Softbank, Cargill – outra gigante da indústria da carne -, o magnata Richard Branson e a Tyson Foods, maior companhia de carnes dos Estados Unidos. Após duas rodadas, a última realizada no ano passado, levantou US$ 161 milhões.

A Cargill, que de boba não tem nada, também investiu na Aleph – a multinacional participou do aporte de US$ 12 milhões feito em 2019. Com uma tecnologia que pode fabricar a carne em impressoras 3D, a israelense que se tornou parceira da BRF apresentou em fevereiro o primeiro ribeye de laboratório.

“A primeira reação é de espanto”, reconhece o diretor de inovação da BRF. Mas o produto não é transgênico, o que pode ajudar no convencimento.

Na regulação, ninguém avançou mais que a Eat Just, a foodtech americana que fez fama com o ovo vegano feito a partir de feijão mungo e busca um valuation de quase US$ 2 bilhões, segundo a CNBC.

O sucesso do fake scrambled eggs, aliás, é o que ajudou a startup a levantar mais de US$ 400 milhões de investidores como Bill Gates e Temasek, o fundo soberano de Cingapura. Em dezembro, Cingapura aprovou os nuggets cultivados pela Eat Just, na primeira autorização de um regulador nacional.

No Brasil, as discussões com os reguladores estão apenas no começo, mas o movimento da BRF tem tudo para esquentar as conversas. “É um anúncio que revoluciona a visão dentro do Brasil”, diz Gonçalves Neto.

Ao apostar em uma tecnologia produzida por terceiros e não em um desenvolvimento próprio – o que tomaria muito tempo -, a dona da Sadia avança algumas casas na fazenda de laboratório.

Se ganhar escala comercial, será pioneira no país, algo que não conseguiu no mundo da plant based – Fazenda Futuro e Seara estão bem na frente, enquanto a BRF chegou atrasada e lançou uma linha de produtos importados da Holanda. Se der certo, a BRF ainda pode se tornar uma grande fornecedora de carne bovina, proteína que ironicamente não tem no portfólio por não saber operar o intrincado negócio de abate de gado – a companhia lidera a exportação de frango.

É o momento que a BRF tanto aguarda para desafiar a Friboi: carne de laboratório tem nome

Fonte: Valor Econômico.

This post was published on 8 de março de 2021

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Equipe BeefPoint

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