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Utilização do eCG e do GnRH em protocolos de IATF em gado de corte

O eCG é um hormônio glicoprotéico secretado pelos cálices endometriais de eqüinos gestantes. Este hormônio tem ação FSH e LH, e seu uso é indicado em rebanhos com baixa taxa de ciclicidade, em animais recém paridos (período pós parto inferior a 2 meses), em animais com condição corporal comprometida e em primíparas (vacas de primeira cria). O GnRH (hormônio liberador de gonadotrofina) é um hormônio protéico responsável pela liberação de FSH e LH e, seu uso é indicado como indutor de ovulação. Neste artigo serão apresentados alguns resultados interessantes de experimentos recentes (Rodrigues et al., 2004; Sá Filho et al., 2004) que avaliaram o uso do eCG e do GnRH associado a protocolos que utilizam progestágenos e estrógenos em vacas Nelore lactantes.

No primeiro experimento (Sá Filho et al.,2004) utilizaram 50 vacas Nelore (Bos indicus) com bezerro ao pé, em anestro (ausência de CL por ultrassonografia) mantidas a pasto em Pirassununga-SP. No D0, todas as fêmeas receberam um implante auricular de Norgestomet (Crestar®, Intervet), juntamente com a aplicação de 3 mg de Norgestomet e 5 mg Valerato de Estradiol IM. No D9, o implante foi removido e os animais foram divididos em 4 grupos (Figura 1).

Figura 1. Diagrama Esquemático dos protocolos de IATF


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Os exames ultrassonográficos foram realizados a cada 24horas do D0 ao D9 e a cada 12 horas do D9 à ovulação. Foram avaliados o diâmetro máximo do folículo ovulatório (DFO), taxa (TOV) e momento de ovulação (MOV). Os resultado estão nos Gráficos 1 e 2.

Gráfico 1. Perfil do diâmetro médio do folículo dominante em vacas Nelores lactantes que receberam Crestar® e 5 mg valerato de estradiol e 3 mg Norgestomet, i.m. no Dia 0 e que foram ou não tratadas com 400 IU de eCG na remoção do implante (Dia 9; * P


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Gráfico 2. Efeito do tratamento com GnRH no momento da IARF (54 h após a remoção do Crestar) no momento da ovulação de vacas Nelores lactantes (P=0.06; teste de Bartlet`s)


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No experimento 2 (Silva et al., 2004), o objetivo foi analisar o mesmo protocolo em teste de campo (fertilidade). Os resultados estão na tabela 1.

Tabela 1. Efeito do tratamento com eCG (400 IU i.m.) no momento da retirada do Crestar e a administração do GnRH (100 g Gonadorelina) no momento da IATF (54 após a retirada do Crestar) na taxa de concepção de vacas Nelore lactantes.


O resultados dos dois estudos sugerem que o tratamento com eCG no momento da retirada do Crestar aumenta o diâmetro do folículo dominante, a taxa de ovulação e a taxa de prenhez em vacas Nelores lactantes no pós-parto. Em adição, o GnRH reduziu a dispersão da ovulação e aumentou a taxa de prenhez à IATF.

Podemos notar que a utilização de ambos os fármacos se apresentou viável e uma boa alternativa em programas de IATF em vaca Nelore lactantes. Não podemos esquecer, que para se obter resultados satisfatórios à IATF, mesmo com a utilização do eCG e GnRH, as condições mínimas de manejo devem ser espeitadas

Referências bibliográficas:

SÁ FILHO, M.F.; REIS, E.L; VIEL JR, J.O.; NICHI, M.; MADUREIRA, E.H.; BARUSELLI, P.S. dinâmica folicular de vacas Nelore lactantes em anestro tratadas com progestágeno, eCG e GnRH. Acta Scientiae Veterinariae 32(Suplemento), p.235. 2004.

SILVA, R.C.P.; RODRIGUES, C.A.; MARQUES, M.O.; AYRES, H.; REIS, E.L.; NICHI, M.; MADUREIRA, E.H.; BARUSELLI, P.S. Efeito do eCG E do GnRH na taxa de prenhez de vacas nelore lactantes inseminadas em tempo fixo. Acta Scientiae Veterinariae 32(Suplemento), p.221. 2004.

This post was published on 12 de março de 2008

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  • Esse trabalho mostra com bastante clareza, as vantagens do uso do eCG em fêmeas submetidas a IATF e que não apresentam boa condição corporal no pós-parto. No entanto quando as matrizes apresentam boas condições corporais e estão ciclando, isto é, entrando em cio, torna-se desnecessário e anti-econômico a aplicação de tal medicamento.

  • Prezado Irezê Moraes Ferreira

    Sua observação é muito pertinente e boa. Há diversos trabalhos na literatura cientifica mostrando exatamente o ponto de vista levantado pelo senhor.

    Apenas devemos ter em mente que muitas vezes a condição corporal isoladamente (sem outros parâmetros, como por exemplo: dias pós-parto) não seria um bom preditor de ciclicidade e, portanto, seria necessária a realização de exame(s) para a verificação do "status ovariano" (verificação de cio, palpação ou ultrassonografia), para somente então se tomar a decisão do uso ou não do eCG.

    Tendo em vista este ponto, devemos verificar se os custos necessários para a realização destes exames, manejo com os animais, mão-de-obra e outros, não superam o custo do fármaco utilizado nos animais que se apresentam em boa condição e podem estar ciclando.

    Muito o brigado pela sua observação.

  • Prezado Irezê Moraes Ferreira

    Sua observação é muito boa e pertinente.
    Quando optamos pela utilização "seletiva" do eCG devemos nos certificar que o animal esteja realmente ciclando e em boa condição corporal (>3.o, na escala de 1 a 5). Para isso, o mais correto seria a realização de dois exames (ultrassonográfico, palpação retal ou dosagem sanguínea de progesterona) com intervalo de 7 dias. Ou então observar o cio dos animais, porém com este último você poderia realizar direto a IA com observação de cio.
    Portanto devemos realiza um levantamento de custo dos exames, mão de obra, perda de rendimento do gado devido ao manejo, entre muitos outros e, analisarmos se estes custo são inferiores ao custo do eCG utilizado apenas nos animais que estão ciclando e em boas condições corporal.
    Muito obrigado pela sua ponderação.

  • Prezado colega Henderson Ayres gostaria de ressaltar a importância e a clareza do seu artigo sobre o uso do eCG e do GnRH.
    Por ocasião do nosso trabalho com IATF a nível de campo, não dispomos de alguns recursos como dosagem de Progesterona e até as vezes de exame untrassonográfico. Restando a classificação do ECC e a palpação retal para verificação do "status ovariano".
    Tenho feito uso do eCG em femeas pós-parto ( acima de 45 dias ) e com ECC acima de 2,5, e o resultado é bastante positivo em relação a taxa de concepção.
    No entanto em fêmeas que pariram em bom ECC e que permaneceram com boa condição corporal não foi usado o eCG e a taxa de concepção permaneceu em torno de 52% a 55%, o que comprova que nessa categoria de animais a não inclusão do eCG no protocolo não foi necessária, em virtude do rápido restabelecimento do "status ovariano" desses animais.

  • Prezado Irezê Moraes Ferreira

    mais uma vez concordo com a sua ponderação, a qual esta totalmente correta. Apenas salientei nas minhas respostas anteriores, que ao trabalharmos com animais no pós-parto precoce (inicio do protocolo de IATF aos 30 dias pós-parto e a IATF aos 40 dias) e tendo em vista que grande porcentagem dos animais do território nacional apresentam grande percentual de anestro pós-parto e, o uso da eCG pode se apresentar um recurso muito válido.

    Concordo que no caso de animais que tenham parido em boa condição corporal (>3.25) e que apresentaram baixa perda de condição corporal, possa haver grande grau de ciclicidade aos 45 dias pós-parto, porém esta não é a realidade brasileira.

    Creio que não ficou muito claro na minha resposta anterior, mas o que preconizo é a realização de um levantamento de custo/beneficio do uso seletivo da eCG. Na minha opinião, quando o capital economizado pelo uso seletivo da eCG ultrapassa os custos do uso em animais que realmente não necessitam, esta se torna uma prática totalmente descartável e economicamente inviável.

    Novamente, muito obrigado pelas suas ponderações.

  • Ótimo trabalho Sr. Henderson e boas observações Sr. Irezé M. Ferreira!

    Venho trabalhado há alguns anos com IATF, usando o eCG principalmente, e em alguns casos o GnRH. Porém, tenho observado que em rebanhos com baixo escore corporal e 60 dias após o parto, faz a diferença o uso do eCG, com ganhos de até 25% a mais em prenhês. E quando analisamos via toque retal as condições dos ovários, separando os animais que apresentam melhores condições, deixando para 30 dias após o lote classificado em 2º plano, teremos melhores resultados ainda, acrescentando em média até 10% os índices de prenhês.

  • Prezado colega,tenho conseguido bons resultados com ou sem ECG e GNRH em vacas, pergunto posso usa-los em novilhas a pasto e animais de baias, já que estes são mais complicados por causa do escore?

  • Prezado Jales Ferreira Rodrigues,

    Seria necessário saber com que raça de animais você esta trabalhando, pois novilhas de raças européias respondem diferente de novilhas de raças indianas, as quais podem ter baixíssimas taxa de concepção dependendo do protocolo utilizado.

    Porém o uso do eCG e do GnRH é bem aconselhável em ambas "raças".

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