Uso de diferentes fontes e marcas de estradiol para indução da ovulação em protocolos de inseminação artificial em tempo fixo

Diversos trabalhos científicos e técnicos têm demonstrado que o uso do cipionato de estradiol como indutor de ovulação é uma alternativa que possibilita a realização de protocolos de IATF e TETF com apenas três dias de manejo, sem prejudicar as taxas de concepção e prenhez.

Com base neste aspecto, o objetivo deste artigo será discutir um trabalho no qual foi avaliado o efeito do uso de diferentes fontes de cipionato de estadiol (CE; ECP®, Pfizer ou SincroCP®, OuroFino) ou benzoato de estradiol (BE; Estrogin®, Farmavet ou Sincrodiol®, OuroFino) como indutores da ovulação em protocolos de IATF em vacas Nelore (Sales et al., SBTE 2008).

Nesse estudo, dois experimentos foram realizados visando avaliar a dinâmica folicular (Experimento 1) e a taxa de prenhez (Experimentos 2) dos animais submetidos aos protocolos com diferentes indutores da ovulação. O intuito do artigo é de apresentar para o leitor a eficácia dos dois BE e dos dois CE existentes no mercado e não de realizar a promoção de qualquer um dos mesmos.

No experimento 1 foram utilizadas 59 vacas Nelore com escore de condição corporal (ECC) médio de 2,79 ± 0,32 (escala de 1 a 5), divididas em quatro grupos experimentais: Grupo Estrogin (n = 13; benzoato de estradiol no dia 9), Grupo Sincrocio (n = 14; benzoato de estradiol no dia 9), Grupo ECP (n = 16; cipionato de estradiol no dia 8) e Grupo SincroCP (n = 16; cipionato de estradiol no dia 8). O tratamento hormonal consistiu na utilização de um dispositivo intravaginal de progesterona associado ao benzoato de estradiol no início do tratamento (D0).

No dia 8, as vacas foram alocadas em um dos quatros grupos experimentais, considerando o ECC e o status ovariano. Nesse mesmo dia, o dispositivo intravaginal foi removido e uma dose de PGF e de eCG foram administradas em todos os animais. As vacas dos grupos ECP e SincroCP receberam cipionato de estradiol neste mesmo momento e as vacas dos grupos Estrogin e Sincrocio receberam benzoato de estradiol 24 horas após a retirada do dispositivo. Exames ultrassonográficos foram realizados a cada 12 horas a partir da retirada do dispositivo até a ovulação. Os resultados da dinâmica folicular estão apresentados na tabela 1.

Tabela 1 Dinâmica folicular (Média ± EP) de vacas Nelore lactantes tratadas com diferentes indutores de ovulação em protocolos para IATF

Ao comparar os animais dos quatro grupos experimentais, observou-se que não houve efeito do tipo de estradiol e nem do produto comercial em nenhuma das variáveis estudas (Tabela 1).

No Experimento 2 foram utilizadas 563 vacas Nelore em teste de prenhez. Os animais foram alocados nos diferentes tratamentos do Experimento 1, considerando o ECC e o período pós-parto: Grupo Estrogin (n=144), Grupo Sincrodiol (n=141), Grupo ECP (n=143) e Grupo SincroCP (n=135). Todas as vacas foram inseminadas em tempo fixo 48 horas após a retirada do dispositivo de progesterona. Os resultados dos Experimentos 2 estão apresentados na tabela 2.

Tabela 2. Efeito do tipo e momento da administração de estradiol na taxa de concepção de vacas Nelore sincronizadas com dispositivo intravaginal de progesterona

Pode-se concluir que as fontes de benzoato de estradiol (Estrogin e Sincrodiol) e de cipionato de estradiol (ECP e SincroCP) estudadas no presente experimento comportam-se de forma semelhante como indutores de ovulação em vacas Nelore lactantes submetidas ao protocolo de sincronização para IATF. Assim, seguindo o momento adequado de administração, pode-se utilizar quaisquer desses estradiois indutores de ovulação, com semelhante eficiência. Entretanto, a vantagem do cipionato de estradiol seria a redução do número de manejos (de 4 para 3 manejos) para a realização da IATF.

Portanto, pode-se verificar que diferentes fontes de estradiol (BE ou CE) de diferentes empresas podem ser utilizadas para indução da ovulação em protocolos de IATF com a mesma eficiência. Logo a tomada de decisão sobre qual produto utilizar fica a critério do médico veterinário junto ao produtor, possibilitando a eles a negociação de valores e condições com um número maior de empresas, o que gera, dessa maneira, maior competição no mercado que pode levar a queda dos preços.


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