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Uso de aditivos em bovinos em confinamento

Os aditivos são coadjuvantes da estratégia de alimentação. Dessa forma, eles não substituem a dieta e o manejo correto, que depende da qualidade e quantidade de alimentos fornecidos, das características dos animais e das pessoas que trabalham no confinamento. Assim,o aditivo não deve ser visto como decisivo, mas sim, como um adjuvante do processo.

Como mostra a pirâmide abaixo, a base da alimentação de bovinos são as forragens. Isso porque o grande motor do rúmen é a fibra efetiva que, por sua vez, estimulará a produção de saliva que contém bicarbonato e vai tamponar o sistema ruminal, altamente sensível à variação do pH.

Em seguida, estão os carboidratos, sendo o principal o amido, e a proteína degradável no rúmen. Depois estão os minerais e vitaminas, então a gordura e a proteína não degradável no rúmen e, finalmente, estão os aditivos.

Vale destacar que essa pirâmide não mostra a importância de cada um dos itens, mas sim, a quantidade que deve ser utilizada, mostrando a dimensão que cada ingrediente representa na dieta. 

O confinamento é uma peça estratégica da produção de carne. Com o crescimento da população e as mudanças nas demandas, torna-se cada vez mais necessária a adoção de tecnologias e a identificação da produção. Uma das formas de acelerar o ganho de peso e a terminação do animal é aumentar o uso de grãos e alimentos concentrados, pois eles possuem mais energia.

Porém, ao usar esse tipo de dieta é necessário ter em mente que estamos indo na contramão da fisiologia do animal.  Isso porque, como dito anteriormente, o rúmen é muito sensível ao pH, com as bactérias em seu interior trabalhando em uma faixa muito estreita. As dietas ricas em amido levam à queda o pH ruminal, o que reduz a eficiência do sistema ruminal.

As papilas ruminais são responsáveis pela digestão do rúmen. Os ruminantes produzem ácidos graxos voláteis no rúmen que são absorvidos por essas papilas. Se essas papilas não estão íntegras, não há absorção adequada de energia e, com isso, o animal não produz energia suficiente e não tem bom desempenho.

Observe na foto abaixo o rúmen após a acidose ruminal:

A presença de muito amido reduz o pH do rúmen, destruindo parte das papilas, de forma que o animal não consegue absorver todos os ácidos graxos voláteis. Além disso, pode ocorrer o desenvolvimento de uma úlcera, levando as bactérias ruminais a migrar para o meio interno do animal, podendo até causar uma septicemia.

A acidose também pode levar a afecções de casco, já que as proteínas dos grãos têm muitos aminoácidos precursores do processo inflamatório, podendo provocar laminite.

Os aditivos surgem exatamente por isso, ou seja, para equilibrar o sistema ruminal com o uso de maior quantidade de grãos na dieta dos animais. Anteriormente, usava-se basicamente os tamponantes, como o bicarbonato de sódio, óxido de magnésio, calcário, que ainda são utilizados nos dias de hoje, mas seu uso é muito rápido e passageiro.

A partir de 1976, foi aprovado pelo Food and Drug Administration (FDA) o uso da monensina, que trabalha selecionando bactérias boas através da morte de bactérias ruins. Esses aditivos melhoram a produção do ácido mais importante, que é o ácido propiônico, que leva à produção de glicose que, por sua vez, vai se transformar em ganho de peso e deposição de gordura. Com a diminuição do ácido acético e aumento da produção de ácido propiônico, o animal tem um ganho de peso melhor. Os aditivos também reduzem a produção da grande moeda de perda de energia do ruminante que é o metano e o gás carbônico, reduzindo, de quebra, as pegadas de carbono do animal.

Os aditivos também promovem uma ingestão mais controlada de alimentos, pois há um aumento na eficiência ruminal. 

Assim, resumindo, os efeitos benéficos dos aditivos são:

– Estabilidade ruminal;

– Produção de ácido graxos voláteis -> maior produção de ácido propiônico;

– Menor produção de ácido lático;

– Maior rapidez no trato gastrointestinal;

– Redução da perda de energia por metano (pode chegar a 12% da dieta)

* Baseado na aula Uso de aditivos em confinamentos, de Fernanda Altieri Ferreira, para a Universidade BeefPoint.

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