A região periférica dos silos, representada pelo topo e pelas laterais superiores, de modo geral, apresenta algumas características, as quais são diferentes da região central do silo, tais como: I) A densidade (kg forragem/m3) é inferior e II) A quantidade de oxigênio proveniente do ambiente que penetra na massa é maior. Essas particularidades fazem com que a região periférica apresente perfil de fermentação diferente, pois muitos microrganismos necessitam dessas condições para sobreviver e também é a região que mais sofre perdas, principalmente aquelas relacionadas à deterioração aeróbia, a qual é caracterizada pelo intenso desenvolvimento de fungos.

Isso nos faz pensar que, em um silo nós podemos ter duas silagens. Ou seja, aquela localizada no centro, onde a fermentação ocorreu de forma satisfatória e o oxigênio não traz grandes efeitos negativos e a outra localizada na periferia, onde a composição química será inferior devido ao consumo dos nutrientes por parte dos microrganismos oportunistas e onde também poderá ter presença de moléculas consideradas inibidoras de consumo ou que podem afetar a saúde animal e humana, como é o caso das micotoxinas.

Portanto, um importante objetivo ao produzir uma silagem é fazer com que a região periférica seja igual ou similar à região central, de modo que poucas alterações nutritivas ocorram. Trocando em miúdos, necessitamos produzir uma única silagem, independente do local onde ela esteja no silo. Esta estratégia evitará que parte do alimento seja descartado durante o desabastecimento e que os animais tenham queda de desempenho por conta das condições encontradas na silagem periférica.

Para que isso ocorra, abaixo estão assinaladas algumas ferramentas de manejo que podem ser instaladas ao produzir a silagem e ao desabastecer o silo:

1. Potencialize a compactação da massa: Isso pode ser realizado por meio de máquinas/tratores pesados, além de permanecer compactando por um longo período de tempo após o silo ser abastecido. Em silos do tipo superfície, compacte-os no sentido longitudinal e transversal.

2. Em silos trincheira, evite ultrapassar a altura das paredes: Ao ultrapassa-las, toda a massa de silagem que está acima da parede terá menor densidade e maior contato com o oxigênio, o que ocasionará a situação relatada acima;

3. Potencialize a vedação: Procure utilizar filmes plásticos (lonas) que possuam barreira ao oxigênio. Somado a isso vede bem as laterais revestindo as paredes de silos trincheira com lona, associado a materiais pesados, tais como sacos de areia/brita;

4. Utilize adequada taxa de retirada: Quando o silo estiver aberto procure retirar fatias homogêneas ao longo da face de, pelo menos, 30 cm e 50 cm no inverno e no verão, respectivamente, de modo que o avanço da massa seja o mais rápido possível.

5. Sempre descarte silagem deteriorada: Ao perceber que a silagem está com odor e coloração alterados, descarte-a imediatamente. Silagem deteriorada deprime consumo e, em algumas condições mais severas pode levar o animal a óbito.

This post was published on 24 de junho de 2014

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  • Prezado Thiago , gostaria de saber se posso retirar o material de um silo pronto e remodelo a outro silo em lugar remoto, se possível no lugar onde vamos receber a silabem usaremos as maquinas de ensinar tipo tubulares e voltaremos a rezar 3 a 4 meses depois em definitivo
    Silvio C Cunha Jr

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