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Sociedades Empresariais Familiares: “O começo do fim dos problemas”

Por Bernardo de Lima Kiefer, Carlus Fonseca Boemeke e Manuela Sallis Nunes

“Pai rico, filho nobre, neto pobre”. Alguns fatores fazem com que essa seja uma realidade em parte significativa das sociedades familiares brasileiras. E não é por acaso que isso ocorre. Neste breve artigo, abordamos os principais motivos que definem esse problema e algumas ferramentas para proteção e continuidade destas sociedades.

Um estudo realizado pelo Williams Group revelou que 60% dos fracassos das empresas familiares se dão pelo rompimento da comunicação e pela perda da confiança entre os sócios, o que agrava situações problemáticas e gera inúmeros outros conflitos. Então, como evitar esse destino?

Inevitavelmente, a vontade dos membros da família de perpetuar o negócio é o ponto de partida para o sucesso. O alicerce é o estabelecimento de um conjunto de regras para prevenção e solução de conflitos, conduzindo para uma nova perspectiva de êxito, estabilidade e longevidade da sua empresa.

Postura paternalista e autoritária, laços afetivos muito fortes, interferência nos comportamentos, posicionamentos e decisões, exigência de dedicação, grande expectativa de fidelidade, dificuldades em fazer com que a razão supere a emoção. Essas são características típicas das empresas familiares e podem tornar-se problemas insanáveis e nocivos ao futuro do negócio, sobretudo quando aliadas à ausência de um padrão de comunicação entre os sócios. Esse contexto põe à prova a capacidade dos empresários de gerenciar as relações família-negócio-patrimônio.

A percepção e a gestão dos conflitos, que colocam em risco a sociedade, também são importantes para a adaptação e a continuidade da empresa familiar, pois possibilitam o incentivo à criatividade, à reflexão, ao trabalho em equipe, à vontade de mudança e ao estabelecimento de metas ambiciosas e alcançáveis, permitindo o amadurecimento e crescimento do negócio em si, dando êxito às suas atividades. No entanto, como gerenciar esses conflitos?

A resposta para esse questionamento é a comunicação, que deve ser feita de forma efetiva, com clareza e eficiência. Cabe frisar que a responsabilidade de uma comunicação eficiente é sempre do emissor, uma vez que é seu dever fazer com que a mensagem seja entendida. Isso está diretamente relacionado à postura dos sócios gestores e se aplica à execução de atos como prestação de contas, em que a transparência e a clareza na comunicação são extremamente importantes à compreensão de todos os sócios.

Para que isso gere efeitos positivos, os familiares devem realizar reuniões formais e periódicas para tratar dos assuntos de interesse da empresa, evitando abordar esses temas nos momentos de lazer da família. Sendo assim, é primordial que os sócios se apoiem em fatos e não em opiniões, devendo, inclusive, tratar dos temas tabus, compreender e ter empatia com o que o outro está pensando e sentindo. É fundamental estar sempre questionando, criando, assim, uma linguagem em comum.

Nesse sentido, as empresas devem ter a sua estrutura de reuniões voltada para a discussão de temas relacionados ao seu funcionamento, com pauta, horário e local predefinidos. Também, têm de contar com uma previsão consolidada para a resolução de conflitos e demais situações advindas de posições divergentes entre os sócios (por exemplo, sobre a determinação de um quórum para votação e definição). Ainda, reuniões anuais de fechamento devem ser realizadas, para que haja transferência das informações a todos os interessados, sempre com precisão e transparência.

Além disso, a comunicação é essencial quando envolve terceiros, como noras e genros, uma vez que, ao entrar para a família, estes trazem consigo uma série de novos costumes e valores, sendo necessária uma preparação para que sejam compreendidos o funcionamento e as escolhas da família, sempre com o foco na comunicação entre as partes. Esse tema, quando tratado de forma adequada, leva ao aperfeiçoamento do ambiente familiar e traz novas ideias e atitudes.

Dessa maneira, é necessário existir uma comunicação clara e em todos os níveis, que alcance também os agregados. Assim, é possível apresentar todo o projeto que diz respeito aos direitos destes, o que pode ser feito através de uma reunião geral para apresentar a cultura da família. No entanto, isso não quer dizer que haverá, necessariamente, a sua participação no negócio da família.

Por se tratar de um processo de amadurecimento da empresa, é imprescindível essa preparação, não apenas dos sócios, mas também de todos os que compõem a estrutura familiar. Tanto o administrador quanto os demais membros que não participam do negócio devem estar preparados para as reuniões. O gestor deve apresentar os números do negócio de forma clara, transparente e explicativa, sendo que os demais devem estar aptos a, no mínimo, entender e discutir o exposto.

Para que isso ocorra de uma forma segura e eficaz, é necessária a busca de profissionais de confiança, especializados e consolidados no mercado, para que um trabalho em conjunto renda bons frutos. Assim, aquilo que parecia ser o fim da sociedade familiar pode ganhar novas perspectivas, com o início do fim dos problemas. Nesse sentido, a Safras & Cifras caminha ao lado dos seus clientes, unindo esforços em um trabalho que busca atingir resultados relevantes na organização, no aprimoramento e na solidificação das empresas familiares que compõem, hoje, o braço forte que move e sustenta o país: o agronegócio.

O artigo é de Bernardo de Lima Kiefer, graduado em Administração, Carlus Fonseca Boemeke e Manuela Sallis Nunes, ambos graduados em Direito, para o Safras & Cifras.

This post was last modified on 2 de junho de 2015 9:45

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  • Excelente explanação, parabéns pela capacidade de tratar com tanta simplicidade um tema tão complexo. O interessante é que, se a empresa familiar atentar para todos esses detalhes, deixa de ser familiar e passa a ser da sociedade pela importância de seus resultados, parabéns!!!

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