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Sob influência do clima, grãos fecham em alta em Chicago

O clima em algumas das principais regiões produtores de grãos do mundo ditou os rumos das cotações de soja, milho e trigo bolsa de Chicago nesta terça-feira. De acordo com a Dow Jones Newswires, a previsão do tempo para a América do Sul piorou, o que deu suporte aos preços, e as condições de lavouras americanas também preocupam. 

Os contratos da soja para maio subiram 1,53% (21,25 centavos de dólar) e, com isso, fecharam a US$ 14,125 o bushel. 

No Brasil, a perspectiva é de chuva, o que prejudica o avanço da colheita de soja e, consequentemente, atrasa o plantio do milho de segunda safra, enquanto, na Argentina, a previsão é de clima seco. Nos dois casos, a projeção é adversa para as safras locais. 

Em Mato Grosso e Goiás, a previsão é de chuva, e, no Sul do país, a expectativa é de algumas pancadas. “O que se vê é uma condição para que a colheita do Mato Grosso ocorra de forma mais lenta. Ainda que a chuva passe a se apresentar em forma de pancadas, elas ainda serão bastante generosas em volume”, destacou o agrometeorologista da Rural Clima, em relatório diário. 

Ontem, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) informou que, até o momento, 23,4% da área dos 12 maiores Estados produtores da oleaginosa do país já havia sido colhida. Em igual período do ano passado, a fatia era de 44,4%. 

Já o clima na Argentina continua seco “neste momento crítico”, disse Jim Roemer, da Best Weather Inc. à Dow Jones. 

O relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que será divulgado na próxima segunda-feira, já está no radar do mercado. Conforme Arlan Suderman, da StoneX, o relatório de março do USDA raramente é visto como um grande impulsionador dos futuros de grãos em Chicago, mas espera-se que o deste mês contrarie essa escrita. 

“O Wasde de março normalmente não empolga muito o mercado, mas é muito mais importante quando os estoques estão apertados, quando ajustes relativamente pequenos no balanço podem causar uma resposta de preço mais significativa”, disse. “Os comerciantes buscarão mudanças nas estimativas de produção de milho e soja da Argentina e do Brasil e também nas metas de exportação dos EUA para as duas commodities”. 

Os contratos do milho para maio (atualmente os mais negociados) fecharam o dia em alta de 1,25% (6,75 centavos de dólar) na bolsa de Chicago, a US$ 5,45 o bushel. Além do atraso no plantio da segunda safra no Brasil, o suporte veio de diferentes fatores, como a venda de 175 mil toneladas do cereal americano para o Japão, informada hoje pelo USDA. 

A consultoria Brugler Marketing destacou que o relatório da safra do estado americano do Texas indicou que 3% da safra de milho já foi plantada, abaixo do ritmo médio de 7%, devido às decisões dos produtores de adiar o início até depois da onda de frio recorde em fevereiro. 

Já a consultoria DTN afirmou que a produção de etanol deve continuar a se recuperar, na esteira da busca por melhores margens no segundo trimestre. Esse cenário é positivo para o cereal, uma vez que o biocombustível tem o milho como principal matéria-prima nos EUA. 

Ainda na bolsa de Chicago, os lotes futuros de trigo com entrega para maio (atualmente os mais negociados) subiram 2,46% (16 centavos de dólar) e fecharam o pregão cotados a US$ 6,6625 o bushel na bolsa de Chicago. 

De acordo com a consultoria DTN, as preocupações com o clima ainda estão em alta no hemisfério norte. “As planícies devem ter um clima mais quente, trazendo a safra mais perto de sair da dormência em breve, com alguns bolsões secos persistindo, mas chuvas leves e pontuais são possíveis nas planícies”, afirmou a consultoria, em relatório diário. 

Relatórios estaduais de condição de safra mostraram trigo de Oklahoma caindo ligeiramente após a tempestade de inverno, para 46% das lavouras em bom estado, pouco abaixo dos 48% da semana anterior. O trigo do Texas foi classificado como 28% bom; na semana anterior, a fatia foi de 30%. 

A agência Reuters informou mais cedo que a produção de trigo da Austrália deve cair 25% na próxima temporada, à medida que agricultores reduzem a área de plantio e os rendimentos diminuem após o enfraquecimento de chuvas causadas pelo fenômeno La Niña. A atual safra de trigo australiana deverá atingir um recorde de 33,34 milhões de toneladas depois de o La Niña levar fortes volumes de chuvas à costa leste do país. 

Fonte: Valor Econômico.

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