Sisbov: entenda as dificuldades na transição para a IN 17

Com a transição do sistema antigo para o “novo Sisbov”, regulamentado pela Instrução Normativa (IN) nº 17 do Mapa, os problemas decorrentes da implementação no banco de dados deixaram o setor sem poder fazer inclusões de animais na BND por 60 dias. Este período se inicia em 02/12/06, quando, de acordo com a IN 17 do Sisbov, novas inclusões somente poderiam ser realizadas pelo sistema novo, até 31/01/07, quando efetivamente o sistema ficou liberado para cadastramento de novas ERA.

De acordo com o Secretário de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo do Mapa, Márcio Antonio Portocarrero, o novo sistema foi ao ar somente em 29/01 e, segundo o presidente da Associação das Empresas de Certificação e Rastreabilidade da Agropecuária (ACERTA), Vantuil Carneiro Sobrinho, no dia em 31 de janeiro já era possível realizar novos cadastros. Em 1º de fevereiro, de acordo com Vantuil, já havia 190 Estabelecimentos Rurais Aprovados no Sisbov (ERA) cadastradas e uma propriedade com visita efetivada pela certificadora e autorizada para novas inclusões de animais.

O Mapa enfrentou, de fato, algumas dificuldades na transição entre o sistema antigo e o sistema novo. Vantuil explica que, diante da complexidade e das irregularidades com o antigo banco de dados, optou-se por começar um novo sistema do “zero”. De acordo com o Secretário de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo do Mapa, Márcio Antonio Portocarrero, as dificuldades inerentes ao período de transição ao novo sistema, foram agravadas por um período de mudanças de toda a estrutura de informática do Mapa. Segundo Portocarrero, a equipe de TI que era terceirizada e responsável pelo sistema operacional do Sisbov, passou a ser interna, com a alocação de recursos humanos dessa área provenientes da Embrapa.

As primeiras dificuldades, entretanto, decorriam do fato de que, apesar dos conhecimentos em TI pela equipe responsável pela implementação, a inexperiência com documentos e manejo envolvidos no trânsito animal prejudicava o processo. “Técnicos de alto gabarito, mas que não conheciam os requisitos do Sisbov, para que servia um DIA, a GTA, o número do NIRF”, conforme Vantuil. Segundo Portocarrero, a equipe antiga já tinha o aprendizado dos anos anteriores, desafio que teria que ser enfrentado pela nova equipe. Além disso, o secretário explicou que a transição coincidiu com o surgimento de problemas físicos na estrutura de informática do Mapa, o que agravou o problema e que teria incorrido em dificuldades em sua operacionalização.

O presidente da Acerta explica que a entidade identificou as dificuldades enfrentadas pelo Mapa e já entre outubro e novembro do ano passado, ressaltava diante do Ministério a necessidade de intervenção no desenvolvimento do sistema. “O Mapa não considerou necessário, até que em dezembro, vendo a situação caótica, a Acerta apelou para que interviéssemos com urgência no sistema”, afirma Vantuil. De 3 a 15 de janeiro, por solicitação do Mapa, a equipe de TI da Acerta trabalhou conjuntamente com o governo no sentido de apressar a liberação do sistema para a operacionalização do Sisbov. “As certificadoras ajudaram muito, porque vieram com os problemas, os gargalos, os entraves e tudo o que acontecia lá na ponta para corrigir aqui na origem”, afirmou Portocarrero.

O secretário explicou que o Mapa, buscando evitar novos problemas decorrentes de imprevistos, tem feito verificações no sistemas com maior freqüência. Segundo explicou, acontecerá uma reunião no Mapa para se discutir estratégias para, ao menos, minimizar os problemas decorrentes de uma eventual falha no sistema. “A questão de máquinas está superada, agora é gente que esteja presente caso ocorrer algum problema”, afirma.

Foi necessário que as certificadoras adaptassem seu sistema interno de tecnologia de dados para realizar a interface com a BND. “Ficamos 10 dias testado e arrumando. No dia 31 finalmente funcionou. Agora retiramos a Acerta e está na mão deles”, afirma. Vantuil apontou para a importância de as certificadoras manterem um bom sistema de programação e tecnologia para não enfrentarem problemas futuramente. “O que temos avaliado junto ao setor produtivo, salvo tais dificuldades que são decorrentes da mudança, é que ninguém pode dizer que teve algum prejuízo real em função disso”, afirmou Portocarrero.

Além disso, ressaltou Vantuil, o Mapa deve assegurar que as certificadoras tenham estrutura física, financeira e de gestão para que possam certificar o processo com confiabilidade, dentro dos padrões internacionais de acreditação. Segundo ele, em gestões anteriores o Ministério fez um grande esforço para que, buscando fomentar a concorrência entre as empresas, o maior número de certificadoras fosse inserido no sistema, “e acabaram descuidando deste problema de importância enorme”.

Portocarreiro argumenta que as novas regras devem garantir que tais preocupações seja abarcadas, como a única certificadora por propriedade, a obrigatoriedade de vistorias a cada 180 dias e os escritórios regionais para atuação nos estados. Além disso, houve preocupação do Mapa em atualizar os técnicos das certificadoras. Portocarrero explicou que as superintendências do Mapa nos estados devem auditar, por amostragem, as certificadoras, checando o processo de certificação nos dois sentidos: do frigorífico à fazenda, que deverá ter cumprido os requisitos, que incluem os procedimentos de registro de manejo e vistoria das certificadoras; e da fazenda ao frigorífico.

Nesse sentido, Vantuil alerta que o Mapa será extremamente rigoroso com o cumprimento dos procedimentos. “Agora não vai ter perdão, nem para certificadora, para o produtor e, principalmente, para o técnico que fez a supervisão da propriedade e disse que ela poderia entrar em ERAS” concluiu.

Fonte: Equipe BeefPoint


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