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Sindicato Rural ataca estudo sobre queimadas e vê campanha contra pecuaristas

“Total desconhecimento da região ou má-fé do corpo técnico que o elaborou”. Essa foi uma das frases usadas pelo Sindicato Rural de Corumbá, cidade encravada no Pantanal de Mato Grosso do Sul, para reagir, uma semana depois, à divulgação de relatório do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) sobre a tragédia das queimadas no ano passado na região. O documento aponta que a maioria dos incêndios surgiu em fazendas, e foi obra da “mão humana”.

“São conclusões desconexas com a realidade e o complexo ambiente do bioma, com objetivo claro de condenar previamente o homem pantaneiro e o setor produtivo”, informa a entidade ruralista em nota divulgada nesta segunda-feira.

Ao citar que Corumbá é o maior município pantaneiro – com 44,73% da área de planície, onde se encontram mais de 1.800 propriedades e um rebanho bovino de 1,9 milhão de animais – o Sindicato Rural diz repudiar a informação divulgada, segundo a qual “quase 60% dos focos de incêndios no Pantanal têm probabilidade de ligação com atividades agropastoris”.

O texto continua, classificado a conclusão como algo “sem embasamento criterioso e cheia de meias verdades”.

“Insinuações perigosas e desprovidas de elementos técnicos capazes de sustentar uma querela sem fundamentos, cujas impropriedades, absurdas, são motivadas pela ideologia que está liderando a campanha injuriosa contra os produtores rurais do Pantanal”, aponta o sindicato.

 A visão apresentada é de que as conclusões do estudo fazem parte de campanha para desvalorizar atividade econômica do Pantanal “totalmente sustentável”.

Para o presidente da entidade, Luciano Aguilar Leite, esse movimento difamatório contrapõe a imagem que se tem mundialmente do Pantanal de ecossistema único e preservado, para ele lugar de natureza intocada e incomparável.

“Se o Pantanal é uma maravilha, ocorreu por acaso? Se está conservado, foi conservado por nós, pantaneiros. Por uma comunidade que está ali há mais de 200 anos e provou ser conservacionista”, declarou o presidente da entidade, Luciano Aguilar Leite.

“Crime contra o pantaneiro” –  Na nota, é observado que o relatório produzido pela equipe de geoprocessamento do MPMS e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro omite que “grandes incêndios florestais que se originaram nas unidades de conservação existentes no bioma, como o Parque Nacional e o Sesc Pantanal, ambos em Poconé (MT), e nas reservas, as RPPNs, ao longo da Serra do Amolar.

Apenas o Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro, em Aquidauana, é citado, conforme o posicionamento da entidade. O documento acusa que a maioria dos focos de calor, “286 pontos de ignição”, foram identificados em fazendas.

“Descoberta que nada acrescenta, investigação banal”, define o material, para depois alegar que mais de 90% do Pantanal são ocupado há séculos por pequenas, médias e grandes propriedades rurais.

Conforme escrito, a conclusão do “estudo” (grifo do texto original), aponta o fogo atingindo áreas de pastagem, conclusão considerada óbvia, por ser esta uma das características naturais do Pantanal!

“O propósito dessas inverdades, nós sabemos qual é; convivemos há anos com uma bem aplicada lavagem cerebral arquitetada por esse ambientalismo colonialista, que nos levará ao abismo econômico e social”, afirma na nota Manoel Martins de Almeida, definido como tradicional pantaneiro do Paiaguás.

 “Querem fazer a sociedade acreditar que somos bandidos. Estão cometendo um crime contra o pantaneiro”, sustenta.

Para esses pantaneiros, o programa lançado pelo Ministério Público, “Pantanal em Alerta”, terá como resultado criar clima de terror, de intimidação ao produtores; transferir obrigações e promover a criação de  um cenário para outros grandes incêndios.

 “É inviável responsabilizar o produtor, não temos estrutura, nem recursos”, rebate Luciano Leite.

Na semana passada, posicionamento parecido já havia sido manifestado pelo presidente do IHP (Instituto Homem Pantaneiro), o coronel da reserva da Polícia Militar Angelo Rabelo.

Procurado, o MPMS enviou posicionamento defendendo o material atacado e colocando-se a disposição para debater os resultados.  “O Ministério Público de Mato Grosso do Sul informa que o estudo foi elaborado tendo como base critérios técnicos e científicos e está à disposição para debater os resultados, utilizando-se destes mesmos critérios, bem como para orientar e prestar apoio no que diz respeito às medidas necessárias para a prevenção desses incêndios”, traz a resposta.

Fonte: Campo Grande News.

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