Silagem de milho: lições da estiagem

A região do Brasil Central vivenciou recentemente um severo período de estiagem, o qual está impactando negativamente em diversos setores, principalmente aqueles voltados à produção de alimentos e energia (sem citar uma possível falta de água potável para a população). Quando nos referimos diretamente à alimentação dos animais herbívoros (bovinos, ovinos, caprinos e equídeos), especificadamente sobre a produção de silagem de milho, pois este volumoso é o mais utilizado nas fazendas zootécnicas brasileiras, vários cenários preocupantes puderam ser observados durante os últimos meses, tais como:

  • Lavouras que produziram grãos, mas com 70% da sua produtividade,
  • Lavouras que não produziram grãos e com 50% da sua produtividade,
  • Lavouras que não produziram grãos com 30% da sua produtividade.

Bem, se muitos pensam que a situação da produção de volumosos está ruim, o pior ainda está por vir. Isso ocorrerá nas próximas estações (outono e inverno) porque os produtores não estavam preparados para receber esta mudança tão significativa da natureza. Ninguém imaginava que viveríamos períodos críticos de precipitação e que as lavouras teriam esta queda de produtividade e de valor nutricional. De acordo com as estações metereológicas, em média, choveu no verão apenas 30% do que estava previsto. Contudo, o cenário está montado e temos que nos preparar para os próximos anos, aprendendo com as lições desta estiagem, as quais são:

  1. Híbridos tolerantes à seca: As empresas produtoras de sementes precisam disponibilizar híbridos mais tolerantes aos estresses. Daqui pra frente nós necessitaremos de plantas que sejam mais adaptadas a falta de chuva (veranicos) e as temperaturas mais elevadas,
  2. Planeje o plantio: o produtores precisam planejar o plantio e realiza-lo o mais cedo possível. Exemplo: No ano passado quem plantou em outubro/novembro obteve lavouras mais produtivas e com maior participação de grãos na massa. Plantios tardios sempre exigem condições climáticas mais adequadas à cultura do milho,
  3. Reduza perdas: os produtores precisam planejar e aplicar a máxima eficiência durante a ensilagem (da colheita a vedação) e desabastecimento do silo, de modo que o mínimo de perdas possam ocorrer. Muitas propriedades ainda negligenciam etapas importantes do processo e convivem com até 30-40% de perdas em silagem de milho. Pergunta: Você conhece algum produtor de soja/algodão/milho que trabalha com 30% de perdas? Eu não conheço nenhum que trabalhe com mais de 5%, salvo as exceções, como ataque severo de pragas e doenças desconhecidas.
  4. Tenha outras opções de volumosos: a silagem de milho, conforme foi comentado anteriormente, é o volumoso mais utilizado nas dietas devido as várias vantagens produtivas e nutricionais que a cultura apresenta; contudo, tenham em mente que produzir milho para silagem é uma estratégia de alto custo e risco porque a espécie é agronomicamente complexa, ou seja, exige tratos culturais frequentes e intensos (uso de fertilizantes, herbicidas, inseticidas e fungicidas), o seu custo de produção fica vinculado ao mercado internacional (milho é uma commodity) e ainda é muito dependente do clima. Portanto, tenha outras opções de volumosos, seja na forma conservada ou in natura (fresca). A decisão por determinado volumoso vai depender das características da propriedade e do rebanho (exigência nutricional). Somos um país de clima tropical e este fato nos favorece no sentido de conseguir produzir forragem quase o ano inteiro.

Em resumo, e como última lição a ser aprendida, somente os produtores eficientes e que trabalham de forma profissional poderão suportar as futuras mudanças, inclusive aquelas ligadas aos fatores climáticos. Aqueles que não se planejam e não procuram analisar um cenário futuro terão muitas dificuldades em permanecer na atividade agropecuária. A falta de chuva está nos mostrando, inclusive isso.


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