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Ressonância magnética já tem usos agrícola

Como seria poder medir o teor de gordura da carne antes de levá-la para casa? A doçura da laranja sem fatiar a fruta? A pureza do azeite dentro do vidro? E o teor de molho de tomate no ketchup? Com aplicações desenvolvidas a partir de pesquisas da Embrapa Instrumentação, de São Carlos (SP), um equipamento portátil, que usa tecnologia de ressonância magnética, deve permitir que tenhamos essas e outras experiências nos supermercados no futuro.

A startup FIT (Fine Instrument Technology), de equipamentos analíticos, já adota a tecnologia para monitorar o processo produtivo do azeite de dendê no Brasil e no mundo – o uso comercial foi possível a partir de licenciamento feito pela Embrapa. Desde sua fundação, em 2005, a FIT captou R$ 10 milhões com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e a gestora NT@agro, que tem 20% do negócio.

E os planos da startup vão ainda mais longe. “Somos uma empresa de tecnologia com potencial para ter ações em bolsa”, diz a farmacêutica Silvia Azevedo, presidente e sócia majoritária da FIT. Ela cita como referência o exemplo de gigantes estrangeiras do setor de análises como a Bruker, fundada na Alemanha e listada na Nasdaq.

Hoje, a FIT atua com a venda de equipamentos de bancada (a R$ 225 mil) e de maior porte (R$ 350 mil) para a indústria de óleo de palma, além de prestar serviço de análises sobretudo para os setores de ração e carnes. “O mercado de óleo de palma foi o principal a se abrir para nós, mas os equipamentos de ressonância têm várias aplicações possíveis”, conta.

Na soja, eles podem medir o teor de umidade e proteína e ajudar a remunerar os produtores pela qualidade do grão no futuro. Na área de pesquisa, ajudar a selecionar amendoins com alto teor de óleo. E, na área de industrializados, medir a gordura sólida de margarinas, maionese, chocolate e biscoitos. A medida de teor de óleo e umidade em grãos aferida pelo aparelho também pode ser usada para punir empresas por irregularidades.

Para analisar alimentos, basta colocar a amostra sobre um ímã e dar um estímulo para que ela polarize. Sílvia explica que isso excita os hidrogênios presentes seja no grão de soja, no azeite de oliva ou na carne, fazendo com que algo na molécula desse elemento saia do lugar. No retorno à posição original, a amostra transmite energia para o meio. Esse sinal, que é lido pelo equipamento, varia caso a caso. “Imagine que o hidrogênio da amostra é um joão-bobo, dependendo do jeito que ele volta para o lugar, descobrimos do que se trata”, diz.

Uma das vantagens da ressonância em relação, por exemplo, à tecnologia de infravermelho, usada em análises similares, é a facilidade de calibragem do aparelho. Segundo o pesquisador Luiz Alberto Colnago, da Embrapa, pode-se parametrizar a doçura da laranja a partir de cinco frutos, contra centenas no outro método. E a ressonância não altera as amostras. Assim, o mesmo amendoim usado na máquina para mensuração do teor de óleo pode ser aproveitado como semente. A análise, rápida, leva cerca de 30 segundos.

No mundo, a FIT tem não mais de cinco concorrentes atuando com ressonância magnética para análise de alimentos. No mercado de óleo de palma, é a única a oferecer a análise nesses moldes.

Fonte: Valor Econômico.

This post was published on 24 de fevereiro de 2021

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Equipe BeefPoint

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