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Rabobank: Como o campo brasileiro está enfrentando o coronavírus

Como o resto do mundo, o Brasil enfrenta o desafio de lidar com a ameaça que a pandemia de coronavírus representa para a saúde de seus cidadãos e para a economia do país. Como principal exportador mundial de várias commodities agrícolas, a capacidade do Brasil de manter a produção e as exportações é uma influência fundamental nos mercados globais para essas commodities e uma preocupação importante em toda a cadeia de suprimentos.

Este breve relatório concentra-se nos desafios operacionais que surgem especificamente como resultado da crise do coronavírus, destacando as medidas que estão sendo tomadas pelos agentes comerciais do agronegócio para enfrentar esses desafios. Para uma atualização mais ampla dos mercados brasileiros de commodities, consulte o Brasil Agribusiness Quarterly Q1 2020.

Questões intersetoriais

Transporte Interno

Até o momento, houve exemplos isolados em que as autoridades municipais restringiram a circulação de veículos, afetando o movimento de grãos e o transporte coletivo de trabalhadores para duas usinas de cana. No entanto, foi feito um decreto federal de que a produção, processamento, transporte e entrega de alimentos são atividades essenciais e devem ser mantidas durante a pandemia, sendo respeitado e reforçado nos níveis estadual e municipal.

Portos

A movimentação de carga para dentro e fora do país também foi decretada como uma atividade essencial, e os portos estão funcionando normalmente. Foi ameaçada uma greve no Porto de Santos (o maior porto do país) no início de março. Por enquanto, o problema parece ter sido resolvido e foi tomada uma série de medidas para aumentar a proteção do pessoal do porto contra a possível disseminação de coronavírus.

Finanças e Crédito

A turbulência nos mercados globais desencadeada pela crise do coronavírus varreu os mercados locais do Brasil. Temendo que o choque nos mercados possa resultar em um aperto temporário no crédito, muitos tomadores de empréstimos tentaram aumentar a liquidez. Enquanto isso, os credores tiveram que reavaliar riscos e avaliar as perspectivas de seus próprios custos de financiamento.

Grãos e oleaginosas

O impacto na agricultura de grãos e oleaginosas é visto como limitado. A colheita da soja está quase no fim e o plantio de algodão e milho da segunda safra (para os quais os agricultores costumam contratar alguns funcionários temporários em janeiro e fevereiro) foi concluído antes das medidas de quarentena serem adotadas em todo o país.

As operações de campo estão agora focadas na pulverização de proteção de culturas, e essas operações estão sendo realizadas por funcionários que vivem na fazenda. Visitantes (exceto caminhões que transportam soja para elevadores de grãos) não são permitidos em fazendas. Portanto, por enquanto, os problemas climáticos são vistos como o principal risco para a produção.

Enquanto isso, os valores nominais recordes da soja (em termos de Reais brasileiros) e alguma preocupação com possíveis problemas nos portos aceleraram as vendas dos agricultores em comparação com os anos anteriores, aumentando as necessidades de liquidez dos originadores de grãos.

Para os autores (cooperativas, trituradores, comerciantes), a equipe administrativa e gerencial trabalha em casa sempre que possível, e as operações continuam normalmente, mas com um alto grau de precauções de segurança, incluindo, em alguns casos, monitoramento regular da temperatura dos trabalhadores.

Proteína Animal

As propriedades do gado de corte são naturalmente bastante isoladas e tendem a ter relativamente poucos funcionários, a maioria dos quais vive na propriedade. Aumentar a conscientização sobre o coronavírus e minimizar os riscos têm sido as principais estratégias. Para empresas agrícolas que operam escritórios em cidades próximas, a equipe administrativa e gerencial trabalha em casa sempre que possível.

Até o momento, o processamento foi suspenso em nove instalações de carne bovina (cerca de 6% da capacidade total de processamento) por 20 dias, com a possibilidade de extensão adicional, mas isso ocorre porque os produtores nessas regiões não estão vendendo gado. Os preços caíram e as pastagens ainda são abundantes. Enquanto isso, todas as instalações de aves e suínos permanecem em funcionamento.

Em relação à logística, não houve interrupções até o momento, mas os participantes de suínos e aves no sul do Brasil estão preocupados com possíveis problemas com o suprimento de ração de regiões mais distantes de grãos (por exemplo, Mato Grosso) se as empresas de transporte sofrerem escassez de funcionários no futuro.

Fonte: Rabobank, traduzida, resumida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

This post was published on 31 de março de 2020

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Equipe BeefPoint

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