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Quem exporta a carne bovina do Brasil?

Por Simone Bauch e Ben Ayre*

A indústria da carne é um setor de grande importância no Brasil e a produção está crescendo. O último relatório anual da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC) revela o PIB da pecuária aumentou em 12% em comparação com o ano anterior (R$ 458,2 bilhões em 2016):

Em 2016 o Brasil produziu 9,14 milhões de toneladas de carne, dos quais exportou 1,4 milhões de toneladas, gerando uma receita de mais de US$ 5 bilhões.

Most Brazilian beef is raised on pasture, covering 164.70 million hectares of land, compared to 58.4 million hectares planted with crops in the country. Beef is the dominant land use in agricultural frontiers, and cattle can be an important asset for smallholders, who often sell calves to bigger, commercial farms. This makes it one of the few commodities through which family farmers engage with global markets.

A maior parte do gado brasileiro é criado de forma extensiva, com pastagens cobrindo uma área de 164,70 milhões de hectares, comparado a 58,4 milhões de hectares de plantios agrícolas. A pecuária é o uso da terra dominante nas regiões de fronteira agropecuária e o gado pode representar um ativo importante para pequenos proprietários, que fazem parte da cadeia de cria, depois vendendo para recria e engorda. Isto faz da carne bovina uma das poucas commodities que conecta agricultores familiares com o mercado global.

Quem exporta a carne bovina brasileira?

Usando Trase, uma plataforma online de acesso aberto, é possível visualizar quem exporta a carne braileira.

Dados da Trase revelam que o mercado de exportação de carne bovina no Brasil é bastante concentrado. As três maiores empresas de exportação de carne (JBS, Minerva e Marfrig) foram responsáveis por 60% da exportação em 2016. A JBS é a maior dentre as demais, responsável pela exportação de mais de 500 mil toneladas de carne bovina (mais de 30% do que as outras duas juntas).

Embora a fatia de mercado dessas empresas pareça estar diminuindo ao longo do tempo (era de 68% em 2012), o número de empresas exportadoras permaneceu bastante constante (aproximadamente 110 empresas exportadoras de carne por ano). Isso signfica que as maiores exportadoras de carne bovina estão perdendo uma parte do mercado de exportação para outras empresas. O gráfico abaixo mostra como o market share dos três principais exportadores flutuous ao longo dos últimos cinco anos.

Principais exportadores de carne bovina no Brasil, 2012–2016

Com os dados da Trase torna-se possível avaliar o papel e o desempenho de cada uma das empresas em termos de volumes exportados e receita. Também permite que se siga a cadeia de comercialização para ver quem está importando destas empresas e para qual país.

Com isso podemos ver onde empresas estão abrindo novos mercados e entender como o comportamento dos exportadores está mudando ao longo do tempo. Também é possível acompanhar a demanda de carne bovina brasileira de cada país importador.

Novos dados fornecem ainda mais detalhes

A Trase em breve disponibilizará informações ainda mais detalhadas sobre a cadeia de suprimento da carne bovina brasileira, conectando municípios de produção do boi, passando pelas empresas exportadoras e importadoras, até os países importadores. Essa nova versão, que deverá ser lançada ainda em 2018, permitirá que qualquer pessoa rastreie a carne brasileira importada em cada país até o município brasileiro de produção da carne.

Como a Trase também inclui indicadores ambientais e socias de cada município, empresas compradoras poderão avaliar potenciais riscos sociais e ambientais ligados à produção, bem como oportunidades para melhorar as práticas de produção sustentável, ajudando a informar as vitais tomadas de decisão em aquisições e investimentos.

A visão da Trase é que a transparência irá gerar um ciclo virtuoso, em que os melhores e mais sustentáveis produtores de boi se beneficiarão de acordos de compra preferencial. Informações semelhantes já encontram-se disponíveis na plataforma Trase para a soja do Brasil e do Paraguai e em breve estará disponível para outras commodities, incluindo milho, algodão e açúcar no Brasil, carne bovina no Paraguai, soja e carne bovina na Argentina, café na Colombia e óleo de palma na Indonésia

* Por Simone Bauch, Diretora da América Latina e Ben Ayre,  Pesquisador Assistente do Global Canopy, publicado no Medium.

This post was published on 23 de fevereiro de 2018

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Equipe BeefPoint

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