Produção Industrial de Bezerros

Introdução

Novas biotecnologias vêm mudando a face da pecuária de cria no Brasil. Com investimento relativamente pequeno, criadores podem aumentar sua lucratividade já na primeira safra. Podem ainda adotar estratégias para incrementar, ao longo dos anos, cumulativamente, o resultado financeiro da atividade.

Este artigo ambiciona expor uma visão unificada dos assuntos inseminação artificial em tempo fixo (IATF), melhoramento genético do Nelore, cruzamentos, tipo corporal de matrizes/reprodutores e seleção/descarte de fêmeas de reposição, bem como discutir possibilidades de combinação destas biotecnias e estratégias para ampliar benefícios econômicos.

A revolução da IATF e suas conseqüências

A IATF é um grande divisor de águas na pecuária de corte, que veio viabilizar o emprego da inseminação artificial em larga escala nos rebanhos comerciais brasileiros.

A crescente massificação da IATF tem sido possibilitada pelo barateamento dos fármacos utilizados, seja pelo aumento da concorrência entre empresas (que levou à ampliação da produção destes medicamentos em nosso país), seja pela taxa de câmbio favorável a importações. Este sucesso também é resultado dos trabalhos de especialistas brasileiros na área de reprodução animal. Nossos pesquisadores, ao avançar na compreensão das particularidades reprodutivas da vaca e da novilha Nelore, aperfeiçoaram estratégias, protocolos, dosagens e combinações de hormônios para sincronização de ovulações.

Num passado recente, a inseminação artificial pura e simples – que tantos benefícios trazia, e traz, a rebanhos de leite e de produção de reprodutores -, pouco se justificava em rebanhos de cria comerciais. Ganhava-se na qualidade genética dos produtos, mas a inevitável queda na fertilidade caminhava na contramão dos anseios por aumento no lucro.

Hoje, ao contrário, sabe-se que os custos de medicamentos, mão-de-obra e sêmen são amplamente recuperados, já que a IATF proporciona um aumento da fertilidade aparente dos rebanhos. Isto se deve à quebra do anestro, que o tratamento hormonal proporciona a um número significativo de vacas e novilhas. Quem fez a experiência sabe que, num rebanho submetido a IATF (depois repassado por touros em monta natural, como veremos), a taxa de desmama é significativamente superior à obtida no mesmo rebanho quando sob monta natural exclusiva. As crias nascidas a mais custeiam folgadamente as despesas, e o número de touros pode ser reduzido pela metade. O balanço financeiro é francamente positivo, e o melhoramento genético sai a custo zero.

Com os modernos protocolos de IATF, hoje se lida sem grandes atropelos com até quatrocentas vacas por semana, iniciando com duzentas numa segunda-feira e duzentas na terça-feira, que serão inseminadas na quinta e na sexta-feira da semana seguinte.

A iniciantes, recomenda-se cortar este número de vacas pela metade. Agindo de acordo com este calendário, não haverá necessidade de trabalho no sábado nem no domingo, a menos que se queira impor um ritmo mais intenso. Ver esquema na Tabela 1. Uma palavra de cautela: para inseminar duzentas vacas num dia, é preciso dispor de pelo menos dois bons inseminadores atuando em revezamento, pois o braço esquerdo sofre bastante.

Tabela 1. Esquema de Atividades em IATF de diversos lotes consecutivos

Em grandes rebanhos, entende-se que a IATF deve ser aplicada apenas uma vez em cada vaca. O ganho marginal proporcionado por uma IATF adicional não compensa o aumento da complicação logística. Encerradas as inseminações, o lote é encaminhado a touros de repasse. Como a taxa de sucesso da IATF em vacas é cerca de 50%, quase metade das crias vai ser filha de touro. Portanto, um projeto bem estruturado precisa obrigatoriamente contar com touros melhoradores e bem adaptados ao ambiente, de boa libido e com o exame andrológico renovado anualmente.

Uma característica da IATF, da qual se pode tirar proveito prático, é que quase todas as vacas que não emprenharem artificialmente vão manifestar o próximo cio 18 a 24 dias depois. Assim, pode-se contar com um pico de demanda nestes dias, e obviamente a presença dos touros de repasse antes disso é desnecessária. Trazidos então os reprodutores no dia 17 e passada a “ferveção” da semana seguinte, 80% deles podem ser removidos do lote, sendo postos a servir outras vacas. Consegue-se assim racionalizar bastante o emprego e o descanso dos touros.

Vantagens da inseminação artificial e da sexagem do sêmen

Com a inseminação artificial se obtém acesso a touros de genética superior, mas isso não é nenhuma novidade. Dependendo do mercado comprador de seus bezerros, alguns criadores podem utilizar cruzamentos, com raças britânicas ou continentais. Outros irão preferir o Nelore, e neste caso os benefícios serão maiores se for utilizado sêmen de touros provados, escolhidos criteriosamente com base no ambiente de criação e no mercado que se deseje atingir.

A sexagem do sêmen permite lançar mão de algumas estratégias bastante interessantes, como veremos nos itens seguintes. Neste artigo utilizamos a nomenclatura SSF para o sêmen sexado cujo emprego vai produzir 90% ou mais de fêmeas entre as crias nascidas.

Importância do tamanho da vaca

A energia requerida por um rebanho típico de vacas é aproximadamente 6,8 vezes a demandada pelas suas crias até a desmama (simulação de Long & Fitzhugh, 1969). Mas só os bezerros geram faturamento. Portanto, para aumentar o rendimento do sistema produtivo, é preciso aumentar a relação entre dinheiro produzido e capim consumido. Como a quantidade de recursos forrageiros é suposta fixa, a prioridade de atuação deve ser focada no aumento do número de produtos e, se possível, de seu valor unitário.

No lugar de 1000 vacas de 500 kg cabem 1140 vacas de 420 kg. Como não se mantém vaca solteira num sistema produtivo bem azeitado, o controle do tamanho da vaca propicia aumento significativo na produção de bezerros. No caso deste exemplo fictício, são 14% a mais de bezerros desmamados a cada ano.

Mas esta solução não é tão simples como parece. Fêmea pequena gera filhos menores, de desenvolvimento mais lento que o de filhos das vacas maiores. Mesmo produzindo mais bezerros, a vantagem pode se esvair se eles forem de qualidade inferior.

Para quem usa IATF, felizmente existe uma solução para este dilema, que é o emprego de cruzamentos e repasse por touros Nelore de características terminais. Com isso se obtém a dupla vantagem de vacas pequenas (que darão mais bezerros por unidade de área) desmamando filhos de valor unitário igual ou superior ao das crias das vacas de 500 kg.

Para produzir as fêmeas precoces de reposição do rebanho, deve-se usar na IATF das novilhas sêmen de touros Nelore com características maternais, com o repasse sendo feito também por touros com características maternais.

Que são touros com características maternais?

São touros do tipo “caixote”, com membros mais curtos e grande profundidade torácica. Aparentam ser mais curtos e apresentam alto perímetro escrotal ao sobreano, com sinais evidentes de acabamento precoce.

Para dar um exemplo, fez-se um processamento dos resultados do Sumário 2009 da Aliança Nelore, publicado pela Gensys Consultores Associados. Um índice construído dando peso dois à DEP de ganho de peso do nascimento à desmama, peso 4 à DEP de precocidade à desmama e peso 4 à DEP de perímetro escrotal ao sobreano, ajustado para peso e idade, permitiu filtrar os seguintes animais com boa estrutura e grande número de filhos avaliados: Solimões AJ, Onassis COL, PAINT Impacto, Macuni do Salto, Quark COL.

Foto 1. Touro com características maternais – Macuni do Salto

Foto2. Touro com características maternais – Solimões AJ

Que são touros com características terminais?

São touros que tiveram alto ganho de peso quando comparados com seus contemporâneos, apresentando ainda membros mais longos e carcaça comprida. Recomenda-se que touros com estas características só sejam adquiridos se possuírem boa cobertura de carne.

O processamento dos resultados do Sumário 2009 da Aliança Nelore com um índice construído dando peso 5 à DEP de número de dias para atingir o peso de 400 kg, peso 3 à DEP de conformação de carcaça ao sobreano e peso 2 à DEP de musculatura ao sobreano, permitiu filtrar os seguintes animais com boa estrutura e grande número de filhos avaliados: Provador IZ, CFM Hebraico, CFM Backup, PAINT Esteio, Marisco IZ, Sandim 0605, Nitendo CV, Gabinete IZ, Marel IZ.

Foto3. Touro com características terminais – Provador IZ

Foto 4. Touro com características terminais – CFM Backup

Como controlar o tamanho da vaca em rebanhos comerciais?

Recomenda-se manter na fazenda todas as fêmeas nascidas, até a idade de cerca de 24 meses. No mês de setembro anterior à sua primeira monta, elas são cuidadosamente inspecionadas, devendo-se direcionar para o lote-refugo as que apresentem

a) Mau desenvolvimento e suas variações: caquexia, guaxa, intoxicação no presente ou no passado.
b) Inadaptação: magreza, ataque de ectoparasitas, pelagem grosseira.
c) Indícios de subfertilidade: vulva infantil, conformação leonina, musculatura de culote muito desenvolvida, excessiva longilineidade, machorra.
d) Inadequação funcional/defeitos: Aprumos, cascos, ligamentos de quartela fracos, andamento, dorso-lombo, temperamento bravio, temperamento nervoso, prognatismo, agnatismo, bico-de-pato, desvio de chanfro significativo, despigmentação exagerada.

Feito isso, agora é o momento de eliminar deste lote selecionado o florão, descartando as 10 a 15% mais bonitas e de melhor desenvolvimento. Elas serão excelentes animais de engorda, e não faltarão compradores interessados. Contrariando o que manda o coração, deve-se descartá-las sem piedade.

O lote remanescente constituirá a reposição anual do rebanho. Estas novilhas deverão ser direcionadas aos melhores pastos da fazenda, em companhia de rufiões – machos íntegros que não conseguem emprenhá-las, e que vão contribuir para o amadurecimento sexual delas. Já é tecnologia de uso corrente, cerca de 40 dias antes da IATF das novilhas, a implantação de dispositivo intravaginal de progesterona previamente utilizado em outras vacas. Este dispositivo terá sido usado anteriormente três vezes, num total de 24 dias, e normalmente seria descartado. Conforme Ayres et alii (BeefPoint, Jun 2009), a pouca quantidade de hormônio remanescente, ao ser deixada agindo durante cerca de 10 dias, colabora para a indução de ciclicidade em parte significativa das novilhas Nelore não cíclicas, ou seja, com útero atônico (sem contração) e ausência de corpo lúteo (CL).

Para melhores resultados, uma revisão das novilhas por veterinário especializado em ultrassom deve posteriormente ser feita para dividir o lote em duas partes, a serem trabalhadas com um intervalo de um a dois meses. Com isso, parte das novilhas que ainda estejam acíclicas ganha um tempo adicional para amadurecer sexualmente.

Vale a pena usar sêmen sexado (SSF) sobre as novilhas, porque:

a) O SSF proveniente de touros Nelore com características maternais gera as fêmeas de reposição ideais, ao mesmo tempo em que restringe a produção de seu indesejável irmão, o boi-bolinha, boi de corte que dá acabamento de abate com carcaça muito leve.
b) São evitados problemas de parto, que poderiam ocorrer se fosse usado sêmen de taurinos ou de Nelore com características terminais.
c) Novilhas são as fêmeas em que se consegue o máximo aproveitamento do sêmen sexado. Uma expectativa razoável, usando IATF com SSF, é de cerca de 40% de “pegamento”.

Resumo da Estratégia da Produção Industrial de Bezerros de Corte

a) Seleção de novilhas com tipo maternal. Indução de ciclicidade com implantes hormonais e rufiões.
b) IATF das novilhas com touro Nelore de tipo maternal, de alta pontuação no índice maternal. Idealmente, usar SSF na IATF. Repasse das novilhas por touros Nelore de tipo maternal.
c) IATF das vacas com touro de tipo terminal. Em vacas grandes, usar sêmen de Angus ou Hereford. Em vacas pequenas, usar sêmen de raças européias continentais, por exemplo Pardo-Suíço de corte, Charolês, Simental de corte ou Marchigiana. Quem vende bezerros à desmama pode optar por usar sêmen de Nelore terminal, para produzir crias de maior liquidez em certas regiões tradicionalistas de Minas Gerais, Goiás e Bahia. Repasse das vacas por touros Nelore de tipo terminal.
d) Estação de monta. Retirada dos touros ao fim da Estação de monta.
e) Diagnóstico de prenhez das vacas e novilhas 60 dias após a remoção dos touros, com descarte sumário das vazias.
f) Marcação das crias a fogo, com mês e ano de nascimento. Isso facilita no futuro a inspeção visual das fêmeas de 24 meses, quando todas nascidas em um mesmo mês serão examinadas juntas, objetivando determinar se são refugo, florão (a descartar também) ou novilhas de reposição.

Resultados Esperados

A Figura 1 esquematiza os resultados esperados numa fazenda da região de Jussara (GO). As hipóteses adotadas em sua construção foram:

a) Não há mortalidade ou perdas.
b) Nas vacas, a IATF é feita com sêmen de touros de raças européias.
c) A IATF tem sucesso em 50% das vacas, nascendo 425 crias de inseminação artificial.
d) A taxa de prenhez global das vacas é de 84,1%, portanto 290 crias serão filhas de touros de repasse Nelore de tipo terminal.
e) A IATF usando SSF tem sucesso em 40% das novilhas, nascendo 6 machos e 54 fêmeas.
f) A taxa de prenhez global das novilhas é de 90%, portanto 75 crias serão filhas de touros de repasse Nelore de tipo maternal.

Figura 1. Resultados esperados com a aplicação da Estratégia

A tabela 2 sumariza os nascimentos por sexo e composição racial. Nota-se que:

a) Dos machos, apenas 11% não são indivíduos de desempenho excepcional.
b) Todas as fêmeas de descarte são excelentes indivíduos para abate.
c) Das fêmeas de reposição, 61% possuem genes que vão garantir aumento da fertilidade, adaptabilidade e tamanho adulto adequado. As 39% restantes também carregam tais genes, mas só em sua herança materna. Não obstante, dentre todas as filhas de vacas não-primíparas, estas são as melhores candidatas a futuras matrizes.

Resumindo as Expectativas da Produção Industrial de Bezerros de Corte

a) Maior fertilidade, graças à IATF (que quebra a “dormência” dos cios) seguida de monta natural por touros férteis e adaptados ao ambiente.
b) Aumento da taxa de lotação – vacas e novilhas em média mais precoces e de maior eficiência no aproveitamento dos recursos forrageiros disponíveis.
c) Novilhos e fêmeas de descarte que valem mais, porque em média vão mais cedo para o abate.

Tabela 2. Estratificação dos nascimentos previstos, por sexo e composição racial

Assistindo os vídeos abaixo é possível entender um pouco melhor como funciona a seleção de novilhas e a escolha dos touros para o acasalamento proposto:

Vídeo 1. Novilhas apartadas, lote florão

Vídeo 2. Novilhas apartadas, lote meio

Vídeo 3. Novilhas apartadas, lote refugo

Vídeo 4. Touro Pardo-Suiço terminal utilizado no acasalamento das vacas pequenas

Vídeo 5. Touros maternais (precoces) utilizados no repasse das novilhas

Vídeo 6. Touros terminais (tardios) utilizados no repasse das vacas

33 thoughts on “Produção Industrial de Bezerros”

  • Humberto de Freitas Tavares - 15/03/2010

    Filmes ilustrando os diversos tipos de novilhas e de touros de repasse podem ser vistos no meu blog

    https://www.beefpoint.com.br/mypoint/sucuri/p_producao_industrial_de_bezerros_201.aspx

  • Joaquim Milano - 15/03/2010

    Caro Humberto
    O seu artigo e simplesmente perfeito, sou usuário do IATF e sincronização e nunca tinha encontrado na literatura um forma tão clara e lúcida de explanar os benefícios desta ferramenta que veio para ficar. Parabéns

  • José Carlos Pinto - 16/03/2010

    Prezados,

    Como sempre, vocês nos surpreendem com artigos desta qualidade.
    Parabéns!!
    José Carlos Pinto, Repr. Alamo S/C Ltda.

  • Rafael Moura Campos - 16/03/2010

    Gostaria de parabenizar o Sr.Tavares, pelo artigo publicado, e dizer que este assunto esta sendo um dos mais abordados hoje na questão de reprodução e viabilidade em custos, e será apresentado em Uberaba – MG dados importanticimos de grandes empresas de melhoramento genetico que estão no mercado e se destacando, nos dias 18 e 19 deste mês.

  • Humberto de Freitas Tavares - 16/03/2010

    Ao Joaquim Milano, José Carlos Pinto e Rafael Moura Campos, agradeço pelos comentários gentis.

    Rafael, dê mais detalhes sobre o evento que você citou, dos dias 18 e 19 deste mês.

    Ao Roberto Trigo Pires de Mesquita, também agradeço e respondo: Não podemos transpor para a pecuária bovina nenhuma conclusão fundamentada em sistemas de produção de carne suína ou de aves. A razão é a baixa fecundidade da vaca. Uma galinha produz 250 ou mais crias por ano, uma porca, sei lá, 30 ou mais. Uma vaca produz 0,8 crias por ano.

    Assim, as conseqüências de altos custos de manutenção e de infertilidade dos rebanhos de matrizes bovinas são muito mais sérias, resultando em diferentes estratégias para otimização de rentabilidade.

    A vaca ótima é pequena e de pouca produção leiteira quando o ambiente é muito estressante, como o é em geral o Cerrado de MG, GO, MT, MS, TO, BA. Mas ela é irmã do boi-bolinha, altamente indesejável. Daí as estratégias para evitar produzir este boi e para descartar a vaca grande Nelore ou também a F1, que é um excelente animal de corte. Em parelha com seu irmão, o melhor que existe.

    Tricross talvez só em algumas áreas do PR, SP, MS, MA, PA e bico do papagaio (TO). Mas a tal da dissociação gênica é cruel. Alguns produtos serão quase iguais ao F1, e outros serão verdadeiros cabritinhos. Muito disso pode ficar mascarado pela (cara) cria com o leite excessivo produzido pela F1 (com alto consumo de pasto, não sai de graça não).

  • Humberto de Freitas Tavares - 17/03/2010

    Claro que esqueci de mencionar o norte do MT, RO e AC como áreas de pastagens luxuriantes.

  • Humberto de Freitas Tavares - 17/03/2010

    Ao Roberto Trigo Pires de Mesquita,

    Sempre gostei muito de números, mas os meus serão válidos somente na minha propriedade e naquele ano especifico em que foram coletados. Grosso modo, vacada que produz machos nelore com P205 de 155 kg produz por exemplo F1 com P205 de 160 a 180 kg. Vai depender do touro, da raça etc.

    Paradoxalmente, pode ser que os primeiros sejam vendidos mais caro na desmama. Pelo menos no Centro-Norte de Goiás isso é certeza. Os segundos, se forem retidos, chegarão mais rápido aos 510 kg, mas darão menos acabamento e menos rendimento no gancho. Mas serão bois de corte mais eficientes, sem dúvida.

    Fixar a atenção somente no boi, todavia, não é o mais indicado. Sempre me bati por uma visão sistêmica. Sou grande admirador das Guidelines da BIF, que em suas diversas edições sempre me nortearam. A mais atual pode ser encontrada em

    http://www.beefimprovement.org/library/06guidelines.pdf

    A página 85 e seguintes contêm muito do que discuto no trabalho aqui publicado.

    Em 1991 comecei a inseminar. Gado registrado com Nelore, gado comum com cruzamentos. Sempre coletando números, constatei que o cruzamento me dava excelentes animais F1, mas derrubava a fertilidade. Em 1994, decidi que inseminar vacada de corte não estava compensando.

    Parti então para fazer um rebanho composto, incorporando as F1 e gerando vacas meio sangue Caracu x Nelore. Sobre elas usava touros sintéticos. Também abandonei após algum tempo, ao constatar com desprazer o aumento do tamanho da vacada, a falta de homogeneidade na qualidade dos produtos, a perda de valor no gado de descarte, a queda no rendimento ao abate e o encabritamento de parte da progênie — aquilo que o Prof. Fries chamou de dissociação gênica num artigo na DBO.

    Perdi uns 9 anos com esta brincadeira, felizmente foi só numa das duas propriedades. Na outra, com sócios e maior extensão, não se desejava inseminação artificial. O rebanho Nelore sofreu desde 1986 uma interessante seleção, com estação de monta, descarte sumário das vazias e uso exclusivo de meus touros “Provados a Pasto”. Touros estes que eu sabia ser excelentes animais, mas cujo fenótipo não agradava tanto aos outros compradores e acabavam ficando em minhas mãos. No geral eram touros de tipo maternal, pois comprador de touros que se preza dificilmente leva um touro “barrigudo”, “curto”, “precoce de chifre” e de “saco preto”, por mais que se mostre números de desempenho excelente.

    É nesta fazenda que há dois anos se introduziu a IATF, primeiro só em 200 vacas e este ano em todo o rebanho, cerca de 1200 fêmeas parideiras. Nesta propriedade se faz o ciclo completo, e portanto todos os machos e fêmeas produzidos serão levados do nascimento ao abate/reprodução.

  • Humberto de Freitas Tavares - 18/03/2010

    Andre, por favor ponha um espaço antes da legenda da foto 3. Outro também antes da legenda da tabela 2.

    Obrigado…

  • Humberto de Freitas Tavares - 20/03/2010

    Além das Guidelines da BIF, baseei muito deste meu trabalho num antigo conhecido, o artigo Beef Cattle Production for the Future, que acaba de completar 40 anos.

    Cartwright parecia estar prevendo o surgimento da sexagem de sêmen para contornar as divergências funcionais entre a vaca ótima e o boi ótimo, expressas na tabela 2 do artigo.

    Vejam em

    http://www.4shared.com/file/245236570/4ae879e0/Selection_Criteria_for_Beef_Ca.html

  • José Ricardo Skowronek Rezende - 22/03/2010

    Excelente artigo. Parabéns pela clareza e poder de sintese. Realmente o dilema de escolher linhagens adequadas para cria ou terminação é tão antigo quanto o selecionamento genético na pecuária. Também acredito que a adoção dos protocolos de IATF associados com uso de semem sexado possa superar o impasse, mas para seu uso em larga escala ainda é preciso que a sexagem do semem seja uma técnica mais estável e barata. Mas tudo indica que o rumo está dado.

    Att,

  • Humberto de Freitas Tavares - 22/03/2010

    Olá José Ricardo Skowronek Rezende,

    Muito obrigado pelo comentário. Realmente o nó da questão é o custo do sêmen sexado. Não veja possibilidade de baratear, além de serem raros os touros maternais nas Centrais de Inseminação. Mais raros ainda os que têm sêmen sexado.

    Não se espera muito progresso na perspectiva de aumento do aproveitamento de 40% em novilhas sob IATF. Não obstante, quem comprar a idéia pode desde já repassar (ou, caso não insemine, emprenhar) novilhas com touros maternais. Claro que assim o progresso genético será mais lento rumo à precocidade, e haverá maior produção do boi-bolinha.

    Fiz as simulações, e o resultado está no arquivo (http://bit.ly/c0qelZ) postado abaixo.

    Nos animais de venda nota-se uma diminuição de 24 fêmeas e correspondente aumento de 24 machos, todos eles precocinhos. Melhora a qualidade visual média das fêmeas vendidas, uma vez que delas se retirou as 24 mais precoces para reprodução. Como há mais machos à venda e a qualidade das fêmeas melhorou, não é impossível que isso até melhore o rendimento de quem faz suas vendas de produção ao desmame.

    O preço a pagar é visto na reposição, todavia. Onde antes se tinha 71% das fêmeas de reposição altamente precoces, agora esta proporção cai para 45%. As outras 55% carregam os genes de precocidade apenas na sua herança materna.

  • Marcelo Faria Lopes - 22/03/2010

    Primeiro gostaria de parabenizá-lo pelo artigo Humberto, direto e de fácil entendimento.
    Tenho uma dúvida quanto a indicação de colocar touros de raças continentais em vacas pequenas como indicado no artigo.
    Isto não faria com que ocorresse problemas no parto destas fêmeas, por estes bezerros na grande maioria ter um peso ao nascimento alto?

    Obrigado, Marcelo Lopes

  • Henrique de Freitas Tavares - 23/03/2010

    Parabéns, irmão! Continue nos dando estas valiosas informações que só você, entendedor do caso pode nos fornecer. Que esta materia seja publicada e republicada nos diversos meios de comunicação pecuarios.
    Vamos agendar uma visita sua aqui no tocantins para esclarecer aos pecuaristas daqui da região norte, quem sabe durante a AGROTINS 2010.
    Abraços.

  • Humberto de Freitas Tavares - 24/03/2010

    Olá Marcelo Faria Lopes,

    Desculpe minha imprecisão.

    A possibilidade de distocia, quando usando touros europeus de raças continentais, existe e deve ser levada em conta. Note que eu preconizo o emprego deles apenas em vacas, nunca em novilhas.

    A vaca Nelore dificilmente apresenta distocia, a menos que esteja magra, obesa ou mal mineralizada. Mas o paridor deve ser percorrido diariamente, cedo e à tarde.

    Ao escolher novilhas a reter para reprodução, deve-se descartar animais com pélvis muito estreita (“bunda de marimbondo”).

  • Humberto de Freitas Tavares - 24/03/2010

    Olá Henrique de Freitas Tavares, meu irmão que acompanhou muito do desenrolar das experiências com o rebanho comercial da Fazenda Sucuri.

    Vamos combinar sim uma visita a Palmas, lembro com saudades do surubim na brasa à beira do Tocantins.

  • Cleziomar A. V. Egidio - 26/03/2010

    Excelente! Este será meu guia de agora para frente.

    Abrçs!

  • Adson Luis Rossato Costa - 09/04/2010

    Olá humberto,

    Parabéns pelo artigo! Quero trocar umas infromações a respeito da IATF! Faço uso desta técnica em 100% das vacas multiparas e 100% das novilhas! O nosso princípio na fazenda é numeros de bezerros! A pergunta é a seguinte: Após a IATF eu observo o retorno e insemino e depois faço o repasse p/ touro, eu teria o mesmo numero de bezerros se fizessemos a IATF e jogaria p/ repasse de touro? Nossa estação é de 90 dias. Uso angus e charolês na IA, claro que prefiro os cruzamentos, mas nossos touro são Nelores.
    Abraços…

  • Humberto de Freitas Tavares - 10/04/2010

    Prezado Adson Luis Rossato Costa,

    Obrigado pelos comentários.

    Qualquer retardamento no emprenhamento das vacas vai se refletir no ano que vem. Isso no passado seria gravíssimo, mas a IATF vem mudando paradigmas. Em princípio ganharemos mais se deixarmos o enxerto das vacas que não empreenharem por IATF a cargo de touros que garantam isso já no próximo cio. Na sua região e na minha, serão touros zebuínos. Claro que ao usar Nelore, e não outros zebus, teremos mais escolha e mais informações para comprar indivíduos realmente melhoradores, além do que eles produzirão fêmeas entre as quais cataremos algumas para usar como fêmeas de reposição.

    Em grandes rebanhos, como disse no artigo, “… a IATF deve ser aplicada apenas uma vez em cada vaca. O ganho marginal proporcionado por uma IATF adicional não compensa o aumento da complicação logística…”.

    Se o rebanho for pequeno, e a cultura da IA estiver firmemente implantada na equipe, pode-se pensar numa segunda IA, já que os cios serão concentrados 18 a 24 dias após a primeira IA. Mas o potencial de conflito com a IATF de outros lotes é grande.

  • Ciro Lemos B. Conte - 13/04/2010

    Parabéns pela matéria, é muito válido artigos como este para enriquecer o conhecimento de quem é apaixonado pela pecuária de corte. Para rebanhos menores a taxa de prenhez aumentaria se após a implantação do sincronizador de cio a utilização de um rufião no rebanho seria válida? Já que o cio do rebanho nao manifestará exatamente no mesmo tempo podendo ser 1 dia a mais ou 1 a menos. Existem estudos a respeito dessa dúvida e o quanto viável seria a utilização da mesma?
    Obrigado!

  • Humberto de Freitas Tavares - 14/04/2010

    Prezado Ciro Lemos B. Conte,

    Obrigado pelos comentários.

    Sim, você está certo. Mas lembre sempre que o ótimo é inimigo do bom.

    O importante, eu acho, é buscar sempre o auxílio de um veterinário especializado, que irá mergulhar nas características de cada sistema produtivo e estabelecer o caminho e os passos mais adequados a serem executados para alcançar os objetivos.

    Além disso, a tecnologia muda muito rapidamente, e o pecuarista que empregue uma estratégia num ano pode estagnar se insistir em achar que já “sabe tudo”.

  • Ricardo Santos - 24/08/2010

    Humberto,

    Parabéns pelo artigo. Vejo que estamos ( eu e meu pai) no caminho certo. Ano a ano estamos nos aperfefeiçoando e o artigo veio a somar nesta evolução. Hoje inseminamos 30% com Nelore com indices maternais focados em PD e IPP, pois estas F1 serão para reposição e aumento do rebanho de fêmeas. O restante inseminamos com Angus e Braford ( nas f1 angus que tiramos 1 cria).
    Quanto ao serviço de IATF, o que vc sugere: pagar por vaca trabalhada ou por prenhez?

  • Humberto de Freitas Tavares - 28/08/2010

    Olá Ricardo Santos,

    Obrigado pelos comentários. Veja a minha palestra ao vivo em

    http://www.bifepoint.com.br/producao-industrial-de-bezerros-artigo-e-slides-da-palestra_noticia_58442_15_328_.aspx

    Sugiro pagar por vaca trabalhada, já que no ato do acerto dos serviços fica difícil saber se a vaca emprenhou por IA ou por touro de repasse. Não tem jeito de fazer diferente, a meu ver. Se a IATF foi feita com sêmen de Bos Taurus, e o repasse com zebu, há como saber os índices de sucesso a posteriori, e assim fazer mudanças da mão de obra ou do assistente técnico no ano seguinte.

    Do ano passado para hoje tenho uma novidade. Comprei também este touro abaixo, com sêmen disponível na Lagoa da Serra, que vou usar para cobrir as vacas de MAIOR PORTE. As vacas de MENOR PORTE continuarão a ser cobertas por Pardo Suiço. NOVILHAS, como sempre, serão cobertas e repassadas por Nelore precoce.

    Veja o touro em

    http://www.crvlagoa.com.br/animais.asp?idR=4&idA=1388

    Um abraço e sucesso em seus negócios.

  • Andre Pinto Correia Gomes - 30/08/2010

    Sr Humberto como o sr pondera a parte de total maternal a desmama de seus touros nelore materno,haja visto que a Iatf “acorda” vacas que estão em bom estado corporeo e as emprenham antes que as mais leiteiras percam carne.Ate que ponto a correlação entre PE aos 365 dias e Idade ao primeiro parto é alta ? e a Pe idade/peso com Ipp? Dos touros citados como maternais usei tres ha algum tempo e dois me ´atrazaram” o Ipp das minhas novilhas.Friso que o meu rebanho é exclusivamente a pasto com sal mineral proteinado a seca( primeira e segunda).Ate que ponto a suplementação com ração a vontade ou com 1% do peso vivo( onde as mais gulosas ou dominantes comerão a vontade) deturpa a verdade no IPP ,pois quem não emprenha geralmente ate aos 27 meses não entrará para a estatistica? Acho estranho que não consigo emprenhar mais que 85% das minhas novilhas 1/2 A.Angus (dependendo ainda dos touros)dos 12 aos 14 meses e vejo anuncios de 74% ate 100% das filhas de certos touros nelore emprenhadas a pasto entre 12 e 14 meses.Acho que certas “verdades ” são repetidas e não questionadas por quem não vive exclusivamente de pecuaria.agradeço desde já André

  • Humberto de Freitas Tavares - 31/08/2010

    Caro André Pinto Correa Gomes,

    Obrigado pelos seus comentários.

    Quero inicialmente frisar que este meu artigo diz respeito apenas a rebanhos comerciais.

    Mas vou fazer um parêntese e falar um pouco sobre melhoramento, que parece ser sua área de interesse (embora você comente também que põe em reprodução novilhas F1 Angus).

    1) Os processos para cálculo de valores genéticos e DEPs são, como disse um geneticista de respeito, “o melhor chute entre os possíveis”. Quanto mais filhos e filhas avaliados, menor a incerteza. Quanto menor a herdabilidade (como é o caso das características de fertilidade, altamente dependentes do ambiente), maior a incerteza. Características como MP120 e materno total, que dependem de medidas obtidas nos netos do touro, só terão algum sentido quando o touro já tiver 12 ou mais anos, e já tiver “saído de moda”.

    2) As diferenças entre touros no tocante à idade ao primeiro parto das filhas, além das incertezas acima referidas, são pequenas para aplicação prática em rebanhos comerciais. Nos rebanhos de produção de touros, elas estarão altamente correlacionadas com DEPs negativas para altura à garupa, moderadas DEPs para ganho de peso e altas DEPs para perímetro escrotal.

    Passo agora aos seus comentários.

    1) “A IATF **acorda** vacas que estão em bom estado corpóreo…” – Realmente, como eu disse num dos meus comentários, a IATF vai quebrar vários paradigmas, um deles sendo que talvez se pratique uma seleção para uma nova DEP de “fertilidade sob IATF”.

    Quanto à possibilidade de estarmos selecionando rebanhos comerciais com pouco leite, ela existe tanto em rebanhos que praticam IATF quanto em rebanhos que descartam sumariamente as vacas vazias.

    O que eu faço é, no dia da desmama, apartar 10% da bezerrada do fundo e soltar com as 100% das vacas, retendo os 90% bezerros top. No dia seguinte, acho as mães destes 90% pelo úbere cheio, e as separo. Solto então num mesmo pasto as mães dos 10%, suas crias e os bezerros 90% recém desmamados, pasto este sempre adjacente ao pasto em que vão ficar as mães dos 90%. Quinze dias depois pego as mães dos 10% e as marco a fogo.

    Todas estarão cheias, são vacas de má habilidade materna, por isso mesmo estarão cheias e com gestação adiantada. Devem ser descartadas imediatamente. Seus filhos são desmamados neste ato (já mamavam muito pouco) e mantidos com os outros 90% em pasto de ótima qualidade com proteinado ao longo de toda a seca.

    2) “Correlação entre PE aos 365 dias e IPP? Pe idade/peso com IPP?” – Desconheço a magnitude, e prefiro trabalhar com tipo corporal e uso de touros com boas DEPs (e alta acuracia) para PE e PE/IP. Num rebanho comercial sob IATF a IPP não será mais usada no futuro, creio.

    3) “Dos touros citados como maternais, dois atrasaram o IPP das minhas novilhas” – DEPs não são absolutas; e com certeza, se o seu experimento foi bem controlado, os touros que você usou possuem DEPs melhores, mesmo que não constassem de sumários de touros.

    4) “Vejo anúncios de 74% ate 100% das filhas de certos touros nelore emprenhadas a pasto entre 12 e 14 meses. Acho que certas “verdades” são repetidas e não questionadas por quem não vive exclusivamente de pecuária” – Os modelos matemáticos não têm como filtrar informações falsas ou obtidas mediante artifícios; alem disso, características de fertilidade são altamente dependentes do manejo e do ambiente. Tudo isso leva a baixíssima acurácia e à desconfiança justificada com que estas informações são encaradas por criadores traquejados.

  • ANTONIO LEMES DABADIA SEGUNDO - 21/10/2010

    PARABENS PELO ARTIGO DR HUMBERTO TAVARES. COMO SABEMOS O SEMEN SEXADO TEM UM INDICE DE PRENHEZ MENOR QUE O SEMEN CONVENCIONAL, O SENHOR PODE NOS INDICAR ALGUNS TOUROS QUE POSSUEM INDICES MELHORES? OU NAO TEM DIFERENCA ENTRE TOUROS?

  • Humberto de Freitas Tavares - 22/10/2010

    Olá Antonio,

    Sei que há diferença grande no sêmen convencional, e imagino que o mesmo ocorra no sexado. Sei que existem estudos científicos sobre o primeiro (raça Nelore), mas os autores não divulgaram os animais, preferindo usar códigos.

    Tal informação não é nem será divulgada, até porque em certos casos pode ser mais interessante ter uma fração a menos de filhos, mas de melhor valor genético.

    Um abraço e sucesso na IATF e no melhoramento dos rebanhos.

  • Humberto de Freitas Tavares - 25/10/2010

    Olá Antonio,

    Conversei neste fim de semana com um dos papas do sêmen sexado no Brasil. Pontos principais:

    1) As primeiras pesquisas com SS indicaram pegamento entre 36 e 63%, conforme o touro.

    2) Segundo ele, a acumulação de conhecimento permite hoje inferir, pela qualidade do ejaculado, uma expectativa de fertilidade do SS do touro. Evita-se assim sexar sêmen de reprodutores de baixa fertilidade presumida no tocante ao SS.

    3) Segundo ele, ainda não se consegue dizer que a baixa fertilidade do SS seja característica genética do touro. Ele prefere acreditar, com as evidencias disponíveis, que isso seja mais função da qualidade do ejaculado. Assim, um touro pode ter perspectiva baixa de sucesso hoje, e no futuro ter esta avaliação mudada.

    4) A grande linha de pesquisa atual é sobre o efeito da vaca. Já está provado que vacas com corpo lúteo maior que 11 mm no dia da IATF apresentam fertilidade muito superior. Tais vacas teriam a recomendação de uso de sêmen sexado, e as outras, de sêmen convencional. Claro que isso fica difícil de avaliar a campo, pois dificilmente se vai usar ultrassom para fazer IATF numa fazenda comercial. Uma alternativa que está sendo pesquisada é um adesivo a ser pregado próximo à cauda da vaca, com a característica de se desgastar mais quanto mais montas a vaca aceitar. Alto número de montas aceitas, medido pelo desgaste do adesivo, seria um indicativo de cio “mais forte” e supostamente corpo lúteo maior. As pesquisas prosseguem.

    5) Como esperado, ele não revela nomes de touros nem sob tortura.

  • José Ricardo Skowronek Rezende - 25/10/2010

    Em rebanhos comerciais o atual nível tecnologico da sexagem de semem ainda é insuficiente para viabilidade econômica. Mas creio que em breve superaremos as dificuldades existentes.

    Já a falta de informações sobre indice de prenhez do semem adquirido é algo contra o qual os produtores e suas associações deveriam protestar. Lógico que podemos optar por um material com menor indice de prenhez por inúmeras outras razões, mas a decisão deve ser tomada com conhecimento e pelo produtor.

  • Humberto de Freitas Tavares - 26/01/2011

    A bezerrada colhida está espetacular, vejam em

    https://www.beefpoint.com.br/mypoint/sucuri/post.aspx?idPost=2306

  • Humberto de Freitas Tavares - 29/03/2011

    Filmei os bezerros agora em março, vejam em

    http://www.4shared.com/video/PacUu2mD/Bezerros_2a_quinzena_Mes_9_em_.html

    http://www.4shared.com/video/HEahQfJs/Bezerros_Mes_10_em_17-03-2011.html

    http://www.4shared.com/video/ehw-V6WJ/Bezerros_Mes_11_em_17-03-2011.html

    Ao contrario do que havia prometido ao Roberto Trigo Pires de Mesquita, não tive como pesar uma amostra, pois iria judiar muito do gado. Dos 12 dias que fiquei em Goiás, só 2 foram de sol.

  • Humberto de Freitas Tavares - 30/06/2011

    Roberto, a bezerrada que você menciona foi desmamada em 1 de junho com cerca de 240 kg de peso vivo (machos, pesei só uma amostra aleatória). O lote de fêmeas pesou por volta disso também, praticamente não houve diferença entre os sexos.

    Graças à extraordinária produção do touro utilizado, ele acaba de ser contratado pela CRV Lagoa:

    https://www.beefpoint.com.br/mypoint/sucuri/post.aspx?idPost=2986

  • Gilmar Bruning - 05/07/2011

    Prezado amigo e parceiro Humberto, parabéns pela sua palestra expôs o conteúdo da forma mais clara e suscinta possível. E nós como usuários de sua genética e usuários de IATF e inseminação artificial, podemos comprovar os benefícos na prática com taxas de prenhês ao redor de 90% todos os anos, grande procura e valorização dos nossos bezerros, ale’m disso estamos formando um rebanho de matrizes com alta precocidade e habilidade materna. Agora só falta incluiromos na sua gama de atividades a criação de cavalos crioulos. Grande abraço

  • Humberto F Tavares - 03/12/2012

    O touro suiço mostrado é o REM Poncio Levedo, que em função do desempenho da progênie foi contratado e tem seu sêmen comercializado pela CRV Lagoa.

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