Produção Industrial de Bezerros

Introdução

Novas biotecnologias vêm mudando a face da pecuária de cria no Brasil. Com investimento relativamente pequeno, criadores podem aumentar sua lucratividade já na primeira safra. Podem ainda adotar estratégias para incrementar, ao longo dos anos, cumulativamente, o resultado financeiro da atividade.

Este artigo ambiciona expor uma visão unificada dos assuntos inseminação artificial em tempo fixo (IATF), melhoramento genético do Nelore, cruzamentos, tipo corporal de matrizes/reprodutores e seleção/descarte de fêmeas de reposição, bem como discutir possibilidades de combinação destas biotecnias e estratégias para ampliar benefícios econômicos.

A revolução da IATF e suas conseqüências

A IATF é um grande divisor de águas na pecuária de corte, que veio viabilizar o emprego da inseminação artificial em larga escala nos rebanhos comerciais brasileiros.

A crescente massificação da IATF tem sido possibilitada pelo barateamento dos fármacos utilizados, seja pelo aumento da concorrência entre empresas (que levou à ampliação da produção destes medicamentos em nosso país), seja pela taxa de câmbio favorável a importações. Este sucesso também é resultado dos trabalhos de especialistas brasileiros na área de reprodução animal. Nossos pesquisadores, ao avançar na compreensão das particularidades reprodutivas da vaca e da novilha Nelore, aperfeiçoaram estratégias, protocolos, dosagens e combinações de hormônios para sincronização de ovulações.

Num passado recente, a inseminação artificial pura e simples – que tantos benefícios trazia, e traz, a rebanhos de leite e de produção de reprodutores -, pouco se justificava em rebanhos de cria comerciais. Ganhava-se na qualidade genética dos produtos, mas a inevitável queda na fertilidade caminhava na contramão dos anseios por aumento no lucro.

Hoje, ao contrário, sabe-se que os custos de medicamentos, mão-de-obra e sêmen são amplamente recuperados, já que a IATF proporciona um aumento da fertilidade aparente dos rebanhos. Isto se deve à quebra do anestro, que o tratamento hormonal proporciona a um número significativo de vacas e novilhas. Quem fez a experiência sabe que, num rebanho submetido a IATF (depois repassado por touros em monta natural, como veremos), a taxa de desmama é significativamente superior à obtida no mesmo rebanho quando sob monta natural exclusiva. As crias nascidas a mais custeiam folgadamente as despesas, e o número de touros pode ser reduzido pela metade. O balanço financeiro é francamente positivo, e o melhoramento genético sai a custo zero.

Com os modernos protocolos de IATF, hoje se lida sem grandes atropelos com até quatrocentas vacas por semana, iniciando com duzentas numa segunda-feira e duzentas na terça-feira, que serão inseminadas na quinta e na sexta-feira da semana seguinte.

A iniciantes, recomenda-se cortar este número de vacas pela metade. Agindo de acordo com este calendário, não haverá necessidade de trabalho no sábado nem no domingo, a menos que se queira impor um ritmo mais intenso. Ver esquema na Tabela 1. Uma palavra de cautela: para inseminar duzentas vacas num dia, é preciso dispor de pelo menos dois bons inseminadores atuando em revezamento, pois o braço esquerdo sofre bastante.

Tabela 1. Esquema de Atividades em IATF de diversos lotes consecutivos

Em grandes rebanhos, entende-se que a IATF deve ser aplicada apenas uma vez em cada vaca. O ganho marginal proporcionado por uma IATF adicional não compensa o aumento da complicação logística. Encerradas as inseminações, o lote é encaminhado a touros de repasse. Como a taxa de sucesso da IATF em vacas é cerca de 50%, quase metade das crias vai ser filha de touro. Portanto, um projeto bem estruturado precisa obrigatoriamente contar com touros melhoradores e bem adaptados ao ambiente, de boa libido e com o exame andrológico renovado anualmente.

Uma característica da IATF, da qual se pode tirar proveito prático, é que quase todas as vacas que não emprenharem artificialmente vão manifestar o próximo cio 18 a 24 dias depois. Assim, pode-se contar com um pico de demanda nestes dias, e obviamente a presença dos touros de repasse antes disso é desnecessária. Trazidos então os reprodutores no dia 17 e passada a “ferveção” da semana seguinte, 80% deles podem ser removidos do lote, sendo postos a servir outras vacas. Consegue-se assim racionalizar bastante o emprego e o descanso dos touros.

Vantagens da inseminação artificial e da sexagem do sêmen

Com a inseminação artificial se obtém acesso a touros de genética superior, mas isso não é nenhuma novidade. Dependendo do mercado comprador de seus bezerros, alguns criadores podem utilizar cruzamentos, com raças britânicas ou continentais. Outros irão preferir o Nelore, e neste caso os benefícios serão maiores se for utilizado sêmen de touros provados, escolhidos criteriosamente com base no ambiente de criação e no mercado que se deseje atingir.

A sexagem do sêmen permite lançar mão de algumas estratégias bastante interessantes, como veremos nos itens seguintes. Neste artigo utilizamos a nomenclatura SSF para o sêmen sexado cujo emprego vai produzir 90% ou mais de fêmeas entre as crias nascidas.

Importância do tamanho da vaca

A energia requerida por um rebanho típico de vacas é aproximadamente 6,8 vezes a demandada pelas suas crias até a desmama (simulação de Long & Fitzhugh, 1969). Mas só os bezerros geram faturamento. Portanto, para aumentar o rendimento do sistema produtivo, é preciso aumentar a relação entre dinheiro produzido e capim consumido. Como a quantidade de recursos forrageiros é suposta fixa, a prioridade de atuação deve ser focada no aumento do número de produtos e, se possível, de seu valor unitário.

No lugar de 1000 vacas de 500 kg cabem 1140 vacas de 420 kg. Como não se mantém vaca solteira num sistema produtivo bem azeitado, o controle do tamanho da vaca propicia aumento significativo na produção de bezerros. No caso deste exemplo fictício, são 14% a mais de bezerros desmamados a cada ano.

Mas esta solução não é tão simples como parece. Fêmea pequena gera filhos menores, de desenvolvimento mais lento que o de filhos das vacas maiores. Mesmo produzindo mais bezerros, a vantagem pode se esvair se eles forem de qualidade inferior.

Para quem usa IATF, felizmente existe uma solução para este dilema, que é o emprego de cruzamentos e repasse por touros Nelore de características terminais. Com isso se obtém a dupla vantagem de vacas pequenas (que darão mais bezerros por unidade de área) desmamando filhos de valor unitário igual ou superior ao das crias das vacas de 500 kg.

Para produzir as fêmeas precoces de reposição do rebanho, deve-se usar na IATF das novilhas sêmen de touros Nelore com características maternais, com o repasse sendo feito também por touros com características maternais.

Que são touros com características maternais?

São touros do tipo “caixote”, com membros mais curtos e grande profundidade torácica. Aparentam ser mais curtos e apresentam alto perímetro escrotal ao sobreano, com sinais evidentes de acabamento precoce.

Para dar um exemplo, fez-se um processamento dos resultados do Sumário 2009 da Aliança Nelore, publicado pela Gensys Consultores Associados. Um índice construído dando peso dois à DEP de ganho de peso do nascimento à desmama, peso 4 à DEP de precocidade à desmama e peso 4 à DEP de perímetro escrotal ao sobreano, ajustado para peso e idade, permitiu filtrar os seguintes animais com boa estrutura e grande número de filhos avaliados: Solimões AJ, Onassis COL, PAINT Impacto, Macuni do Salto, Quark COL.

Foto 1. Touro com características maternais – Macuni do Salto

Foto2. Touro com características maternais – Solimões AJ

Que são touros com características terminais?

São touros que tiveram alto ganho de peso quando comparados com seus contemporâneos, apresentando ainda membros mais longos e carcaça comprida. Recomenda-se que touros com estas características só sejam adquiridos se possuírem boa cobertura de carne.

O processamento dos resultados do Sumário 2009 da Aliança Nelore com um índice construído dando peso 5 à DEP de número de dias para atingir o peso de 400 kg, peso 3 à DEP de conformação de carcaça ao sobreano e peso 2 à DEP de musculatura ao sobreano, permitiu filtrar os seguintes animais com boa estrutura e grande número de filhos avaliados: Provador IZ, CFM Hebraico, CFM Backup, PAINT Esteio, Marisco IZ, Sandim 0605, Nitendo CV, Gabinete IZ, Marel IZ.

Foto3. Touro com características terminais – Provador IZ

Foto 4. Touro com características terminais – CFM Backup

Como controlar o tamanho da vaca em rebanhos comerciais?

Recomenda-se manter na fazenda todas as fêmeas nascidas, até a idade de cerca de 24 meses. No mês de setembro anterior à sua primeira monta, elas são cuidadosamente inspecionadas, devendo-se direcionar para o lote-refugo as que apresentem

a) Mau desenvolvimento e suas variações: caquexia, guaxa, intoxicação no presente ou no passado.
b) Inadaptação: magreza, ataque de ectoparasitas, pelagem grosseira.
c) Indícios de subfertilidade: vulva infantil, conformação leonina, musculatura de culote muito desenvolvida, excessiva longilineidade, machorra.
d) Inadequação funcional/defeitos: Aprumos, cascos, ligamentos de quartela fracos, andamento, dorso-lombo, temperamento bravio, temperamento nervoso, prognatismo, agnatismo, bico-de-pato, desvio de chanfro significativo, despigmentação exagerada.

Feito isso, agora é o momento de eliminar deste lote selecionado o florão, descartando as 10 a 15% mais bonitas e de melhor desenvolvimento. Elas serão excelentes animais de engorda, e não faltarão compradores interessados. Contrariando o que manda o coração, deve-se descartá-las sem piedade.

O lote remanescente constituirá a reposição anual do rebanho. Estas novilhas deverão ser direcionadas aos melhores pastos da fazenda, em companhia de rufiões – machos íntegros que não conseguem emprenhá-las, e que vão contribuir para o amadurecimento sexual delas. Já é tecnologia de uso corrente, cerca de 40 dias antes da IATF das novilhas, a implantação de dispositivo intravaginal de progesterona previamente utilizado em outras vacas. Este dispositivo terá sido usado anteriormente três vezes, num total de 24 dias, e normalmente seria descartado. Conforme Ayres et alii (BeefPoint, Jun 2009), a pouca quantidade de hormônio remanescente, ao ser deixada agindo durante cerca de 10 dias, colabora para a indução de ciclicidade em parte significativa das novilhas Nelore não cíclicas, ou seja, com útero atônico (sem contração) e ausência de corpo lúteo (CL).

Para melhores resultados, uma revisão das novilhas por veterinário especializado em ultrassom deve posteriormente ser feita para dividir o lote em duas partes, a serem trabalhadas com um intervalo de um a dois meses. Com isso, parte das novilhas que ainda estejam acíclicas ganha um tempo adicional para amadurecer sexualmente.

Vale a pena usar sêmen sexado (SSF) sobre as novilhas, porque:

a) O SSF proveniente de touros Nelore com características maternais gera as fêmeas de reposição ideais, ao mesmo tempo em que restringe a produção de seu indesejável irmão, o boi-bolinha, boi de corte que dá acabamento de abate com carcaça muito leve.
b) São evitados problemas de parto, que poderiam ocorrer se fosse usado sêmen de taurinos ou de Nelore com características terminais.
c) Novilhas são as fêmeas em que se consegue o máximo aproveitamento do sêmen sexado. Uma expectativa razoável, usando IATF com SSF, é de cerca de 40% de “pegamento”.

Resumo da Estratégia da Produção Industrial de Bezerros de Corte

a) Seleção de novilhas com tipo maternal. Indução de ciclicidade com implantes hormonais e rufiões.
b) IATF das novilhas com touro Nelore de tipo maternal, de alta pontuação no índice maternal. Idealmente, usar SSF na IATF. Repasse das novilhas por touros Nelore de tipo maternal.
c) IATF das vacas com touro de tipo terminal. Em vacas grandes, usar sêmen de Angus ou Hereford. Em vacas pequenas, usar sêmen de raças européias continentais, por exemplo Pardo-Suíço de corte, Charolês, Simental de corte ou Marchigiana. Quem vende bezerros à desmama pode optar por usar sêmen de Nelore terminal, para produzir crias de maior liquidez em certas regiões tradicionalistas de Minas Gerais, Goiás e Bahia. Repasse das vacas por touros Nelore de tipo terminal.
d) Estação de monta. Retirada dos touros ao fim da Estação de monta.
e) Diagnóstico de prenhez das vacas e novilhas 60 dias após a remoção dos touros, com descarte sumário das vazias.
f) Marcação das crias a fogo, com mês e ano de nascimento. Isso facilita no futuro a inspeção visual das fêmeas de 24 meses, quando todas nascidas em um mesmo mês serão examinadas juntas, objetivando determinar se são refugo, florão (a descartar também) ou novilhas de reposição.

Resultados Esperados

A Figura 1 esquematiza os resultados esperados numa fazenda da região de Jussara (GO). As hipóteses adotadas em sua construção foram:

a) Não há mortalidade ou perdas.
b) Nas vacas, a IATF é feita com sêmen de touros de raças européias.
c) A IATF tem sucesso em 50% das vacas, nascendo 425 crias de inseminação artificial.
d) A taxa de prenhez global das vacas é de 84,1%, portanto 290 crias serão filhas de touros de repasse Nelore de tipo terminal.
e) A IATF usando SSF tem sucesso em 40% das novilhas, nascendo 6 machos e 54 fêmeas.
f) A taxa de prenhez global das novilhas é de 90%, portanto 75 crias serão filhas de touros de repasse Nelore de tipo maternal.

Figura 1. Resultados esperados com a aplicação da Estratégia

A tabela 2 sumariza os nascimentos por sexo e composição racial. Nota-se que:

a) Dos machos, apenas 11% não são indivíduos de desempenho excepcional.
b) Todas as fêmeas de descarte são excelentes indivíduos para abate.
c) Das fêmeas de reposição, 61% possuem genes que vão garantir aumento da fertilidade, adaptabilidade e tamanho adulto adequado. As 39% restantes também carregam tais genes, mas só em sua herança materna. Não obstante, dentre todas as filhas de vacas não-primíparas, estas são as melhores candidatas a futuras matrizes.

Resumindo as Expectativas da Produção Industrial de Bezerros de Corte

a) Maior fertilidade, graças à IATF (que quebra a “dormência” dos cios) seguida de monta natural por touros férteis e adaptados ao ambiente.
b) Aumento da taxa de lotação – vacas e novilhas em média mais precoces e de maior eficiência no aproveitamento dos recursos forrageiros disponíveis.
c) Novilhos e fêmeas de descarte que valem mais, porque em média vão mais cedo para o abate.

Tabela 2. Estratificação dos nascimentos previstos, por sexo e composição racial

Assistindo os vídeos abaixo é possível entender um pouco melhor como funciona a seleção de novilhas e a escolha dos touros para o acasalamento proposto:

Vídeo 1. Novilhas apartadas, lote florão

Vídeo 2. Novilhas apartadas, lote meio

Vídeo 3. Novilhas apartadas, lote refugo

Vídeo 4. Touro Pardo-Suiço terminal utilizado no acasalamento das vacas pequenas

Vídeo 5. Touros maternais (precoces) utilizados no repasse das novilhas

Vídeo 6. Touros terminais (tardios) utilizados no repasse das vacas

This post was published on 15 de março de 2010

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  • Caro Humberto
    O seu artigo e simplesmente perfeito, sou usuário do IATF e sincronização e nunca tinha encontrado na literatura um forma tão clara e lúcida de explanar os benefícios desta ferramenta que veio para ficar. Parabéns

  • Prezados,

    Como sempre, vocês nos surpreendem com artigos desta qualidade.
    Parabéns!!
    José Carlos Pinto, Repr. Alamo S/C Ltda.

  • Gostaria de parabenizar o Sr.Tavares, pelo artigo publicado, e dizer que este assunto esta sendo um dos mais abordados hoje na questão de reprodução e viabilidade em custos, e será apresentado em Uberaba - MG dados importanticimos de grandes empresas de melhoramento genetico que estão no mercado e se destacando, nos dias 18 e 19 deste mês.

  • Ao Joaquim Milano, José Carlos Pinto e Rafael Moura Campos, agradeço pelos comentários gentis.

    Rafael, dê mais detalhes sobre o evento que você citou, dos dias 18 e 19 deste mês.

    Ao Roberto Trigo Pires de Mesquita, também agradeço e respondo: Não podemos transpor para a pecuária bovina nenhuma conclusão fundamentada em sistemas de produção de carne suína ou de aves. A razão é a baixa fecundidade da vaca. Uma galinha produz 250 ou mais crias por ano, uma porca, sei lá, 30 ou mais. Uma vaca produz 0,8 crias por ano.

    Assim, as conseqüências de altos custos de manutenção e de infertilidade dos rebanhos de matrizes bovinas são muito mais sérias, resultando em diferentes estratégias para otimização de rentabilidade.

    A vaca ótima é pequena e de pouca produção leiteira quando o ambiente é muito estressante, como o é em geral o Cerrado de MG, GO, MT, MS, TO, BA. Mas ela é irmã do boi-bolinha, altamente indesejável. Daí as estratégias para evitar produzir este boi e para descartar a vaca grande Nelore ou também a F1, que é um excelente animal de corte. Em parelha com seu irmão, o melhor que existe.

    Tricross talvez só em algumas áreas do PR, SP, MS, MA, PA e bico do papagaio (TO). Mas a tal da dissociação gênica é cruel. Alguns produtos serão quase iguais ao F1, e outros serão verdadeiros cabritinhos. Muito disso pode ficar mascarado pela (cara) cria com o leite excessivo produzido pela F1 (com alto consumo de pasto, não sai de graça não).

  • Claro que esqueci de mencionar o norte do MT, RO e AC como áreas de pastagens luxuriantes.

  • Ao Roberto Trigo Pires de Mesquita,

    Sempre gostei muito de números, mas os meus serão válidos somente na minha propriedade e naquele ano especifico em que foram coletados. Grosso modo, vacada que produz machos nelore com P205 de 155 kg produz por exemplo F1 com P205 de 160 a 180 kg. Vai depender do touro, da raça etc.

    Paradoxalmente, pode ser que os primeiros sejam vendidos mais caro na desmama. Pelo menos no Centro-Norte de Goiás isso é certeza. Os segundos, se forem retidos, chegarão mais rápido aos 510 kg, mas darão menos acabamento e menos rendimento no gancho. Mas serão bois de corte mais eficientes, sem dúvida.

    Fixar a atenção somente no boi, todavia, não é o mais indicado. Sempre me bati por uma visão sistêmica. Sou grande admirador das Guidelines da BIF, que em suas diversas edições sempre me nortearam. A mais atual pode ser encontrada em

    http://www.beefimprovement.org/library/06guidelines.pdf

    A página 85 e seguintes contêm muito do que discuto no trabalho aqui publicado.

    Em 1991 comecei a inseminar. Gado registrado com Nelore, gado comum com cruzamentos. Sempre coletando números, constatei que o cruzamento me dava excelentes animais F1, mas derrubava a fertilidade. Em 1994, decidi que inseminar vacada de corte não estava compensando.

    Parti então para fazer um rebanho composto, incorporando as F1 e gerando vacas meio sangue Caracu x Nelore. Sobre elas usava touros sintéticos. Também abandonei após algum tempo, ao constatar com desprazer o aumento do tamanho da vacada, a falta de homogeneidade na qualidade dos produtos, a perda de valor no gado de descarte, a queda no rendimento ao abate e o encabritamento de parte da progênie -- aquilo que o Prof. Fries chamou de dissociação gênica num artigo na DBO.

    Perdi uns 9 anos com esta brincadeira, felizmente foi só numa das duas propriedades. Na outra, com sócios e maior extensão, não se desejava inseminação artificial. O rebanho Nelore sofreu desde 1986 uma interessante seleção, com estação de monta, descarte sumário das vazias e uso exclusivo de meus touros "Provados a Pasto". Touros estes que eu sabia ser excelentes animais, mas cujo fenótipo não agradava tanto aos outros compradores e acabavam ficando em minhas mãos. No geral eram touros de tipo maternal, pois comprador de touros que se preza dificilmente leva um touro "barrigudo", "curto", "precoce de chifre" e de "saco preto", por mais que se mostre números de desempenho excelente.

    É nesta fazenda que há dois anos se introduziu a IATF, primeiro só em 200 vacas e este ano em todo o rebanho, cerca de 1200 fêmeas parideiras. Nesta propriedade se faz o ciclo completo, e portanto todos os machos e fêmeas produzidos serão levados do nascimento ao abate/reprodução.

  • Andre, por favor ponha um espaço antes da legenda da foto 3. Outro também antes da legenda da tabela 2.

    Obrigado...

  • Excelente artigo. Parabéns pela clareza e poder de sintese. Realmente o dilema de escolher linhagens adequadas para cria ou terminação é tão antigo quanto o selecionamento genético na pecuária. Também acredito que a adoção dos protocolos de IATF associados com uso de semem sexado possa superar o impasse, mas para seu uso em larga escala ainda é preciso que a sexagem do semem seja uma técnica mais estável e barata. Mas tudo indica que o rumo está dado.

    Att,

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