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Plataformas digitais em alta no campo

Em meio à pandemia do novo coronavírus, os serviços digitais voltados ao agronegócio têm auxiliado o setor a amenizar os problemas causados pela necessidade de a população, inclusive os produtores rurais, diminuírem sua circulação para evitar a proliferação da doença.

Lançado há pouco mais de um ano, o aplicativo TMOV, que conecta caminhoneiros a embarcadores de cargas, é dos exemplos desse aumento do uso de ferramentas online. Com boa demanda, a movimentação de cargas por meio do aplicativo deverá fechar o mês com aumento de 30% e seguir nessa mesma toada em abril.

Charlie Conner, co-CEO da Sotran Logística, empresa responsável pelo aplicativo, afirma que, embora a tendência já fosse de maior procura, as taxas de crescimento observadas comprovam que os atores da cadeia produtiva estão tentando se manter os mais isolados possível.

Usando o app, o motorista escolhe pelo celular que frete tem interesse em fazer e recebe benefícios como um cartão de débito com o qual tem descontos no diesel. “A tecnologia elimina a necessidade de ele ter que sair de casa e apertar a mão de um monte de gente até conseguir uma carga ou fazer pagamentos trocando cheques”, observa Conner.

Hoje, segundo ele, há cerca de 500 mil motoristas autônomos que transportam cargas do agronegócio. Desse total, a TMOV tem 30 mil caminhoneiros ativos na plataforma e uma base de 180 mil cadastrados. Essa base é proveniente da Sotran, que ainda atua conectando motoristas e cargas no mundo offline.

Em 2019, a Sotran transportou 12,7 milhões de toneladas de produtos. Soja e milho representaram dois terços do total e a companhia faturou R$ 1,2 bilhão, dos quais R$ 250 milhões vieram da TMOV. Em 2020, a meta é chegar a R$ 1,5 bi, com algo próximo a R$ 1 bilhão proveniente do app.

Já a startup argentina Agrofy, que conta com um marketplace com 55 mil produtos anunciados no Brasil, registrou aumento de até 100% nas buscas em seu site em algumas categorias neste mês na comparação com fevereiro. A alta nos acessos totais foi de 9,3%, chegando a 1,4 milhão de visualizações de páginas.

As campeãs de cliques foram as categorias de insumos, veículos (pick-ups e caminhões) e tratores. Mas, em termos de conversão em possíveis negócios, a categoria de peças, principalmente as de reposição, foi a que chamou mais atenção, com alta de 8,6% este mês em relação a fevereiro. Nessa categoria, o tíquete médio é de R$ 650 por transação.

Rafael Sant’Anna, responsável pelas operações da Agrofy no Brasil, diz que, diante do cenário de crise, a tendência é os produtores postergarem a compra de máquinas e privilegiarem as manutenções. Do lado das fábricas, segundo ele, também houve aumento na procura por criação e inclusão de itens nas lojas virtuais, dado que a maioria dos estabelecimentos estão operando a portas fechadas, somente com entregas.

“A pandemia forçou as pessoas a irem para o ambiente digital e a expectativa é que, depois dessa experiência, elas voltem a comprar”, afirma. Para aproveitar a onda, a Agrofy se prepara para lançar em maio uma ferramenta de crédito pré-aprovado diretamente na plataforma, disponibilizada em parceria com os principais bancos e players do agronegócio do país. Como as vendas online de produtos do agronegócio ainda representam uma pequena parcela do mercado, tudo é um estímulo.

Em meio à pandemia, a Bart Digital também tirou do papel um projeto que lançaria mais adiante: a plataforma Ativus, que permite a emissão de Cédulas de Produto Rural eletrônicas (e-CPRs). Dessa forma, os produtores conseguem, por exemplo, financiar compras de insumos com sua assinatura digital e enviar a documentação para registro em cartório sem sair de casa.

Na campanha iniciada há uma semana, a empresa isentou os interessados do pagamento da mensalidade da plataforma e está oferecendo desconto no valor dos títulos. “Em apenas três dias, fomos procurados por produtores de quatro Estados brasileiros [Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo], o que demonstra o interesse dos usuários pela modernização dos processos de financiamento agrícola”, diz Mariana Bonora, sócia da Bart Digital, que reconhece que o mercado ainda tem muito para crescer no país.

Fonte: Valor Econômico.

This post was published on 31 de março de 2020

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