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Peste suína pode voltar a avançar na China

Inundações no sul da China têm despertado temores quanto ao risco de ressurgimento de surtos da peste suína africana, o que poderia retardar a renovação dos rebanhos de porcos no país, o maior do mundo. Desde junho, chuvas torrenciais persistentes vêm provocando as piores inundações em décadas nas áreas ao longo do rio Yangtzé.

Em vários locais, os alagamentos fizeram propriedades submergir, afogaram suínos, adiaram a construção de novas fazendas e obrigaram criadores a abater animais, de acordo com pesquisa realizada por uma associação setorial.

Não está claro quantos porcos morreram nas inundações. Os criadores foram mais atingidos nas Províncias de Hubei, Jiangxi, Hunan e Anhui, onde há cerca de 20 milhões de porcos – mais da metade em pequenas fazendas, segundo a pesquisa. O rebanho de suínos na China estava em 340 milhões de cabeças no fim de junho.

A maioria dos 200 criadores consultados disse que as inundações vão adiar a reconstituição dos rebanhos. Alguns sofreram enormes prejuízos. Zheng Lili, gerente-geral da Shandong Yongyi Consultant, estima que os rebanhos nessas Províncias recuaram pelo menos 7% de maio a julho, em parte pela onda de pânico que levou criadores a vender porcos ainda sem o peso ideal.

Há uma boa chance de que surjam surtos maiores de peste suína, segundo a analista sênior Pan Chenjun, do Rabobank. “Normalmente, as inundações trazem maior risco de doenças”. Os surtos de peste suína africana, registrados pela primeira vez na China em 2018, mataram quase metade do rebanho no país no ano passado.

Milícias locais ajudaram a retirar de uma fazenda submersa cerca de 1 mil carcaças de porcos em decomposição para evitar a disseminação da epidemia e a contaminação da água potável. Outros 2 mil animais foram enterrados na mesma propriedade, em Yangxin, na Província de Hubei, segundo o jornal “People’s Daily”.

Na semana passada, em Luan, Província de Anhui, seis vilarejos ficaram submersos, sob três metros de água. Ontem, o ministério encarregado de gestões de crise instruiu as Províncias mais afetadas a realizar medidas de prevenção contra epidemias e de desinfecção, depois que as águas baixarem. Também manteve alertas de que os níveis das águas dos rios Yangtzé e Huai continuarão altos.

De acordo com Lin Guofa, analista sênior no Bric Agriculture Group., os alagamentos de fato poderão retardar a renovação dos rebanhos, a expansão das grandes fazendas e a construção de novas fazendas, que já enfrentavam problemas de falta de reprodutores.

A Muyuan Foodstuff, segunda maior criadora de porcos na China, prevê pouco impacto com as inundações no sul, porque a maioria de suas fazendas na região ainda não está em operação. O New Hope Group informou que o mau tempo atrasou a procriação em algumas fazendas, mas que o impacto foi pequeno. A Jiangxi Zhengbang disse que tinha planos de controle de inundação preparados antecipadamente para evitar danos.

A escassez de carne suína poderá manter os preços domésticos na China elevados até o primeiro trimestre de 2021, segundo previsão de Pan, do Rabobank.

Fonte: Valor Econômico.

This post was published on 31 de julho de 2020

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Equipe BeefPoint

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