Pecuarista lerdo faz boi beber água suja

Boi lerdo bebe água suja! Ou será que a água suja quem vai beber no final é o dono do boi?

É só uma brincadeira, mas também uma dura realidade do rebanho brasileiro que encontro quase que todo dia.

Mas qual a importância da ingestão de água limpa?

A água é um nutriente de vital importância na nutrição animal, e muito importante na dieta do confinamento. É essencial para a vida e está presente em todos os tecidos e funções de um ser vivo, sendo o principal constituinte do corpo de um animal, podendo variar de 50 a 80% do peso vivo. O consumo diário depende de diversos fatores, como a quantidade de água contida nos alimentos da dieta, quantidade de matéria seca (MS) consumida, características dos alimentos consumidos, temperatura e umidade ambientes. Devido a esses fatores, a quantidade de água consumida por diferentes categorias animais, em diferentes situações, é bastante variável.

Para bovinos de corte, os requerimentos de água podem ser expressos de diversas maneiras: por unidade de peso vivo, unidade de peso metabólico, unidade de matéria seca ingerida, em relação à energia ou proteína ingerida, ou em relação à temperatura ambiente.

O produtor não deveria ficar apenas preocupado com a quantidade de água, mas sim, também com a sua qualidade. Um aspecto muito importante é a limpeza periódica dos bebedouros. Não há como afirmar quantas vezes os bebedouros devem ser limpos por semana, mas o importante é que nunca fiquem sujos. Você deve ser capaz de beber a água que os bois bebem!

Já visitei uma fazenda em que a água do bebedouro estava muito limpa, sempre que mostro a foto que tirei deste bebedouro escuto o comentário: “Ah, mas devem ter limpado o bebedouro há pouco tempo!”, e respondo o que vi: “Sim, eles limpam duas vezes por semana!”.

A crença de que a água parada fica com uma temperatura mais elevada e melhora o desempenho animal não faz sentido para regiões de climas tropicais. Mesmo em regiões temperadas, aquecer a água só é justificado em casos de descongelamento. A contaminação da água de poços artesianos com sais minerais pode ser outro fator a ser estudado. Qualquer suspeita deveria logo ser esclarecida com uma análise da água.

É mais que sabido que o consumo de matéria seca está diretamente relacionado com o consumo de água, e, sendo a água suja ou de má qualidade, o consumo de matéria seca será menor, consequentemente o desempenho também. Muitas vezes o produtor gasta muito do seu tempo e dinheiro com ações que visam a melhoria de alguns pontos no confinamento, quando na verdade as falhas são muito mais basais. Isto que estamos falando somente da água, nem mencionamos conforto animal.

Vejam algumas fotos de bebedouros que encontramos por aí, e lembrem, “Pecuarista lerdo é que faz boi beber água suja!”.

Bois tentando beber água

Água suja no confinamento

Artigo de Rodrigo Lemos Meirelles, nutricionista de ruminantes e Professor Saulo da Luz e Silva, FZEA/USP.

Fontes: Revista Veterinária, Revista Cultivar Bovinos (edição número 10), NRC 2001, Arquivo Agroceres Multimix.

This post was published on 2 de março de 2012

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  • Dr. Rodrigo e Dr. Saulo. Muito interessante o artigo. Poucos produtores preocupam com a qualidade da água oferecida aos seus animais. Só para ilustrar o artigo, O Informativo Quirão do CRMV-Go, em sua edição nº 127 de fevereiro de 2012, publica artigo do profº Dr. Aires Manoel de Souza, profº de Doenças Infecciosas da EAV-UFG, intitulado "Aguas de cacimbas podem transmitir botulismo", "Pesquisa realizada no período de seca de 1997 a 2001, em 300 cacimbas de 130 propriedades em 12 municipios da Região do Vale do Araguaia, revelou a presença da toxina botulínica. O estudo se enquadrou dentro das linhas de pesquisas prioritárias da Escola de Veterinária e Zootecnia da Universidade Federal de Goiás.O trabalho foi realizado no curso de Pós -Graduação em nível de doutorado junto ao Departamento ded Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Aniomal da Faculdade de medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP).
    " O uso de cacimbas, que são tanques cavados no solo, que armazenam águas das chuvas e do lençol freático, são muito utilizados nas regiões norte do Estado de Goiás, para servirem de fonte de água para os animais. No período da seca, quando as águas diminuem, os animais, ao ingerirem a água, se contaminam com a toxina do Clostridium botulinicum, causando o botulismo de orígem hídrica chamado "Mal das Cacimbas".Parabéns aos articulistas, por enfocarem assunto muito relevante.

  • Parabéns, muito boa materia, pois é a grande realidade que encontramos no campo aqui no extremo sul da Bahia.

  • Luzimar

    obrigado pelas contribuições, é isso mesmo, a má utiização da água pode causar diversas doenças, e sem falar nos custos do mal manejo, pois além do custo direto da água ainda temos um não computado que é o do baixo desempenho pelo baixo consumo de água contaminada ou suja.
    abraço

  • Luiz

    Obrigado pelo contato, de fato é um grande problema, pode ter certeza que não é só no sul da Bahia, esse é um problema nacional e infelizmente pouco comentado e refletido pelos pecuaristas, por enquanto!

    abraço

  • Achei o artigo muito interessante, mas acho irreal e pouco funcional, nas condições brasileiras, de proceder a limpeza 2 x por semana. E a limpeza através de peixes? Gostaria de receber informações (se possível) sobre a manutenção da limpeza dos bebedouros bovinos por peixes. É possível e funcional? Quais os peixes (tipos específicos) recomendados? Quantos peixes por bebedouros como os mostrados nas fotos acima? A limpeza feita por peixes é efetiva?

  • olá Edimara, obrigado pelo contato.

    Bom, como foi comentado no texto, a limpeza dos bebedouros não deve seguir nenhuma regra de quantas vezes ser executada, o ideal é manter sempre limpo.
    estive há poucos dias em um confinamento onde a limpeza 2 X por semana também é considerada pouco funcional, pois se suja muito mais que isso!
    lá o ideal seria mais vezes, eles tem um funcionário só para limpar os bebedouros, mas é a situação lá, cada local é uma situação específica, mas te adianto que isso é uma prática muito utilizada em vários confinamentos pelo Brasil, e nem um pouco irreal não.
    sobre limpeza com peixes, confesso que não tenho experiência não, vi isso uma vez em um centro experimental, mas não tenho os dados, o que fico com dúvida é se os peixes não sujam a água também, com fezes e compostos nitrosos.
    abraço

  • Dr. Rodrigo e Dr. Saulo, muito importante o artigo. Gostaria de saber se ambos tem conhecimento de algum sistema de fornecimento de agua, tanto para confinamento ou semiconfinamento, no qual a entrada e saida de agua no cocho seria de grande volume, podendo ser considerada corrente, o qual poderia proporcinar cocho limpo por mais tempo???Conhecem alguma propriedade que consegue fazer isso? Agradeço a atenção.
    Ana Luiza, Médica Veterinária.

  • Ana Luiza, primeiro peço desculpas pela demora da resposta.

    bom, infelizmente eu não conheço confinamento com tal sistema, o que me cutuca o pensamento sobre o custo dessa água. Se fosse corrente, como seria reaproveitada? ou seria direcionada para alguma lagoa de decantação? como disse, não conheço, se você conhece, gostaria muito que compartilhasse essa informação para nossa discussão.
    obrigado

  • Nilton

    em m3 não teria tanta importância se o bebedouro tiver boa vazão. Se você está falando de metros lineares, o ideal é termos 30 cm lineares/animal, tendo sempre 10% do rebanho com acesso ao mesmo tempo ao bebedouro.

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Equipe BeefPoint

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