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Pecuária regenerativa mostra que a pecuária a pasto brasileira pode ser mais sustentável

É comum a ideia pré-concebida de que a pecuária é uma das atividades mais danosas ao meio ambiente, seja pela emissão de gases que contribuem para o efeito estufa, seja no alto uso de água no processo, seu impacto no solo e outras consequências.

Nesse contexto, há uma preocupação mundial crescente em mitigar também o impacto das atividades humanas em geral, reutilizando a água consumida em residências, comércio, turismo e indústria, reciclando dejetos, buscando fontes de energia renovável e preservando florestas nativas.

Já é consenso entre os pesquisadores e lideranças que o ser humano ultrapassou o limite de impacto sobre os ecossistemas da Terra e que as mudanças climáticas são uma indesejada realidade. Segundo o WWF, hoje o consumo per capta demanda 1,5 planetas de recursos naturais. Sendo assim, há muito a ser feito.

No caso particular da pecuária brasileira, dados Ministério do Meio Ambiente e do IBGE mostram que as pastagens ocupam 198 milhões de hectares (23% da área do país), sendo que 90 milhões de hectares estão abandonados ou degradados.

Alinhado com os compromissos internacionais ratificados pela 21ª Conferência das Partes (COP21) da ONU, o governo brasileiro lançou o Plano ABC – Agricultura de Baixo Carbono, sendo um dos seus pilares a recuperação das pastagens degradadas, no entendimento que essas são hoje um passivo ambiental.

Assim, o Projeto Pecuária Neutra, busca alternativas em várias linhas de atuação para a pecuária extensiva tropical brasileira, de baixa produtividade e, consequentemente, com maior impacto ambiental, tendo como pilares:

1) a introdução do manejo regenerativo da pecuária

2) a introdução de árvores no sistema

O princípio norteador do Projeto Pecuária Neutra é que o homem e o gado podem atuar como elementos de revitalização dos ecossistemas, prática essa que vem sendo denominada como pecuária regenerativa.

Muito dos impactos ambientais que se atribuem a pecuária extensiva estão mais relacionados a forma que o manejo é realizado do que a criação desses animais propriamente dita. A pecuária regenerativa parte da premissa que os herbívoros sempre existiram e que ocupam um importante papel no equilíbrio dos ecossistemas, que consiste em fazer o manejo de poda dos campos de pastoreio.

​Segundo pesquisas reconhecidas internacionalmente, o pastoreio adequado é um fator de revitalização das pastagens, sendo este um dos caminhos para a fixação de carbono no solo em larga escala.

Para isso, o Projeto Pecuária Neutra recomenda as seguintes instruções:

​- Utilizar o pastoreio Racional Voisin Planificado

– Potencializar o metabolismo vegetativo da pastagem e, consequentemente, o incremento de carbono no solo.

– Fazer a adequação Ambiental das fazendas ao CAR – Cadastro Ambiental Rural

​- Multiplicar a produtividade 2 a 5 vezes, dependendo do diagnóstico inicial.

Dentre os serviços ambientais do manejo regenerativo da pecuária, além da fixação de carbono adicional no solo, estão: aumento da produtividade por hectare, menor demanda por áreas para a expansão do agronegócio; aumento da matéria orgânica no solo; a melhora no ciclo da água, com maior taxa de infiltração; a conservação do solo, reduzindo a ocorrência de processos de erosão e lixiviação; dinâmica das comunidades e microbiologia do solo; o bem estar animal, obtido pela oferta de capim de melhor qualidade; a oferta de produtos mais adequados do ponto de vista ecológico; entre outros.

É essa técnica que o Projeto Pecuária Neutra quer difundir pelo Brasil. Uma experiência que já começa a dar resultados, como no caso da Fazenda Bugre, em Prata, no Triângulo Mineiro, de Bruno Andrade, sócio do projeto e dono da marca de carnes especiais Gran Beef. Segundo Andrade, o manejo sustentável na pecuária, além de trazer grande melhora na parte ambiental e social, aumenta muito a produtividade da fazenda.

“Com a introdução de raças britânicas e um manejo adequado das pastagens consegui dobrar a produtividade da fazenda em 2 anos. Isso mostra que não é preciso desmatar para aumentar a produção brasileira. Temos muito espaço para crescer nas áreas já abertas e ter um crescimento sustentável em harmonia com o meio ambiente e as pessoas”, afirma.

Um caminho viável que passa pela consciência do consumidor, gerando um círculo benéfico para toda a cadeia. “Tenho uma resposta muito boa dos consumidores finais que adoram a qualidade da carne e compram sem medo por saber que aquele produto é rastreado e foi produzido seguindo padrões mundiais de sustentabilidade”, comenta Andrade.

Segundo Fortunato Fernando Leta, da Rede de Supermercados Zona Sul, o consumidor moderno está ligado com o que ele compra, em saber de onde vem sua comida, a sustentabilidade envolvida na cadeia de custódia desse alimento, assim como também está preocupado com o bem estar dos animais. “Quem pratica a pecuária regenerativa mostra como o produto contribui para a melhor harmonia entre a demanda da sociedade e a natureza. Por outro lado, também atesta que esse animal teve o bem estar presente em todas as fases da sua vida”, acredita.

Para Filippo B. Leta, um dos poucos pesquisadores sobre o tema no Brasil, o manejo regenerativo para a pecuária não é somente importante, mas necessário, já que a sustentabilidade é apenas o meio do caminho entre a degradação e regeneração.

“Se a maioria das nossas terras estão degradadas, falar somente em sustentabilidade é pouco. É um manejo de fácil aplicação e baixo custo, que promove a melhoria dos processos ecossistêmicos que vem sendo afetados é fundamental. Falta conhecimento. A diferença é o entendimento do todo, o desenvolvimento de práticas de gestão e manejo do rebanho que proporcione melhor pegada ecológica”, revela.

Ou seja: escutar a terra, o meio ambiente, colocá-los para trabalharem a favor da melhoria contínua e sustentável de todo o sistema, o que traz melhor produtividade e resultado econômico da porteira para dentro da fazenda.

Conheça mais sobre a proposta no site oficial do Projeto Pecuária Neutra.

Fonte: Assessoria de Imprensa.

This post was published on 26 de junho de 2017

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Equipe BeefPoint

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