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Para FAO e OCDE, Brasil elevará seu peso como produtor de alimentos

O Brasil continuará a aumentar seu papel como um dos principais fornecedores globais de alimentos, incluindo em produtos como carne bovina e mesmo com um ritmo menor de crescimento da demanda pela China. 

As projeções são do relatório sobre perspectivas agrícolas 2021-2030 publicado hoje pela Agência das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). 

A China continuará com enorme influência nos mercados agrícolas. O deficit chinês no comércio agrícola cresceu de US$ 2,6 bilhões em 2000 para US$ 86 bilhões em 2020. Para os próximos dez anos, Pequim continuará a expandir as importações, mas em ritmo menor em razão de menor crescimento da população, saturação no consumo de algumas commodities e ganhos de eficiência em sua própria produção. 

Além disso, o mercado chinês terá concorrência mais dura na medida em que a tensão comercial diminui com os EUA. O relatório prevê que a China poderá se tornar de novo o principal mercado para exportações agrícolas dos EUA. 

Nesse cenário, e com o Brasil como o produtor dominante, a América Latina como um todo verá sua produção agrícola crescer 14% nos próximos dez anos, com sua abundância de terras e água. O valor líquido das exportações da região é projetado para expandir 31% – mas representa só pouco mais da metade da taxa alcançada entre 2011-2020. 

Até 2030, a região continuará crescendo sua fatia nos mercados globais das principais commodities. Poderá ter 63% das exportações mundiais de soja, 56% das exportações de açúcar, 44% de pescado, 42% de exportações de carne bovina e 33% de embarques de carne de frango. 

A produção mundial de carne bovina é projetada para crescer somente 6% (4 milhões de toneladas) nos próximos dez anos, representando 9% do aumento do consumo de carnes em geral. Frango representará mais da metade da expansão da produção mundial de carnes. 

O consumo global per capita de carne bovina declina desde 2007 e é projetado para diminuir mais 5% até 2030. O relatório antecipa queda de consumo inclusive nos países que mais tem preferência por essa carne, como a Argentina (-7%) e o Brasil (-6%). Mas o consumo sobe mais 8% na China até 2030, após alta de 35% na última década. 

A produção brasileira de carne bovina deverá continuar estável, enquanto suas exportações poderão crescer 38% nos próximos dez anos, comparado a 12% no caso dos EUA. O país, que já é o maior exportador de carne de frango, se tornará o maior exportador de carne bovina com 22% do mercado mundial, enquanto as exportações da India sofrerão queda de 55% até 2030. 

Quanto à produção brasileira de carne de frango, poderá aumentar 16%. Seus embarques para o estrangeiro poderão ter alta de 26% em dez anos, comparado a 14% no caso dos EUA. A demanda chinesa deverá diminuir 18% no período, de forma que outros mercados vão ser mais buscados. 

Por sua vez, a crescente demanda por carne suína na China deverá beneficiar o Brasil, Canadá, União Europeia e os EUA nos próximos anos. 

O Brasil continuará dominando também o mercado mundial de soja com os EUA. Sua produção poderá crescer 17% e as exportações aumentarão no mesmo ritmo. Até 2030, o Brasil deverá representar 50% das exportações totais de soja. A China importa dois terços do total mundial. Suas compras estão projetadas para aumentar 1,2% ao ano para 108 milhões de toneladas em 2030, portanto em baixa comparado ao aumento médio de 7,1% ao ano em 2011-2020. 

O Brasil deverá manter sua posição como o maior produtor mundial de açúcar (21% do total mundial), seguido de perto pela India (18%). O país continuará também como principal exportador, com sua fatia passando de 39% hoje para 43% até 2030. Vem em seguida a Tailândia e India. A avaliação é de que, apesar de custos de insumos mais elevados, os produtores brasileiros se beneficiarão de bons incentivos para produzir para exportação. Nos próximos anos, a Indonésia será o maior importador mundial, seguido pela China, EUA, Malásia, Coreia do Sul e India. 

As exportações brasileiras de algodão deverão crescer fortemente nos próximos anos e o país assegurar a segunda posição com fatia de 19% do total mundial. Os EUA mantém-se como principal exportador e a India como terceiro. A China continuará como maior importador na próxima década (+17%), seguido por Vietnam e Bangladesh ambos com alta de 41%.

Com relação ao milho, a produção brasileira deverá representar 9% do total mundial, comparado a 22% no caso da China e 30% nos EUA. Fatias estáveis de exportações são esperadas para o Brasil, em torno de 20% do total global, na medida em que a produção da segunda colheita depois da soja aumenta. 

Fonte: Valor Econômico.

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