Ações das companhias de carne bovina acumulam baixa no ano
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Oferta de boi cresce e favorece frigoríficos

As perspectivas dos três maiores frigoríficos de carne bovina com operações no Brasil – JBS, Marfrig e Minerva – indicam que, nos próximos meses, a volatilidade dos preços do boi gordo tende a ser menor, e o viés é de baixa.

Em teleconferências com analistas sobre os resultados do primeiro trimestre, executivos dessas companhias reforçaram que o ciclo da pecuária está entrando em fase de maior disponibilidade de animais, o que é mais favorável a seus negócios.

A perspectiva é um bálsamo para a indústria, que tenta aumentar suas margens mas encontra dificuldade para repassar preços ao consumidor – especialmente no Brasil, onde a inflação esmagou o poder de compra da população. A compra de gado representa de 70% a 80% dos custos dos frigoríficos. 

“O volume de animais ofertados já melhorou bastante. Este é um ano de transição, e o movimento deve se consolidar em 2023”, afirma o analista Fernando Iglesias, da Safras & Mercado. Segundo a consultoria, a arroba do boi gordo deve se firmar entre R$ 270 e R$ 300 no ano que vem. 

Dados de abate no primeiro trimestre, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), corroboram a tese de aumento gradual da oferta: foram para o gancho 6,9 milhões de bovinos entre janeiro e março, quase 5% a mais do que nos primeiros três meses de 2021. 

Os preços em São Paulo também dão indícios de uma situação mais confortável para os compradores de gado. Ontem, a arroba valia, em média, R$ 311,50 no mercado paulista (livre de Funrural), segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. Em relação ao pico histórico, de 24 de março deste ano (R$ 352,05), o declínio chega a 11,5%. Quando se compara como preço de um ano atrás, porém, a arroba do boi está 0,7% mais cara. 

Diferentemente do café ou da laranja, que, devido a características fisiológicas das plantas, intercalam anos de maior e menor produtividade, quem manda na pecuária é o preço – e não só o do boi. Por volta de 2015, o produtor brasileiro ficou insatisfeito com o valor pago pelo bezerro e resolveu reagir como podia: aumentou o abate de vacas para diminuir a oferta de animais de reposição. 

Entre 2018 e 2019, o rebanho de porcos da China foi dizimado pela peste suína africana, e o país asiático viu-se obrigado a aumentar as importações de proteínas, inclusive de carne bovina do Brasil. Mas faltava boi gordo – o bezerro de 2015 – para atender ao aumento da demanda. Os preços do boi subiram, mas puxaram para cima também os do bezerro. 

Para inverter o ciclo, a natureza é mandatória: a gestação de bovinos demora de nove a dez meses. Depois, até o abate, o boi espera ao menos mais 30 meses – isso para um animal mais jovem, voltado ao mercado chinês. 

No primeiro quadrimestre deste ano, as exportações brasileiras de carne bovina cresceram 30% em relação ao mesmo período de 2021, de acordo com a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo). Cerca de 732 mil toneladas deixaram o país. Em receita, o crescimento foi de quase 60%, para US$ 4 bilhões. O mercado externo é importante para a indústria engordar margens e contornar o fraco consumo da proteína no Brasil.

Olhando para a China, maior importadora da proteína, os frigoríficos não estão preocupados com a recomposição do rebanho suíno nem com as restrições sanitárias contra a covid-19. Segundo os dados da Abrafrigo, o país asiático importou 37,2% mais carne bovina do Brasil entre janeiro e abril, ou 344,4 mil toneladas. 

Fernando Iglesias lembra que as importações chinesas de carne bovina do Brasil estão crescendo em um momento em que o país asiático está comprando menos proteína animal do restante do mundo. “É simples: somos a melhor alternativa. Não há outro país com preço e produção como o nosso”, diz. 

Conforme cálculos da Safras & Mercado, a arroba do boi australiano custa US$ 120 dólares. Na Argentina, no Uruguai e nos Estados Unidos, o preço ronda US$ 80. Já o boi brasileiro é vendido por cerca de US$ 60 a arroba. 

“O quadro é positivo para os próximos meses”, disse a analistas o CEO da Minerva, Fernando Queiroz, mencionando que a proteína bovina caiu no gosto do povo chinês e que seu consumo não está mais atrelado diretamente à falta de carne suína. 

Miguel Gularte, CEO da Marfrig para a América do Sul, disse que os preços seguem estáveis e têm até subido. “O consumo previsto para maio e junho é bastante forte. Não vemos, por enquanto, aspectos preocupantes”, frisou. 

CEO global da maior companhia de alimentos do mundo, a JBS, Gilberto Tomazoni afirmou, também em teleconferência com analistas, que “a demanda seguirá firme”.

Fonte: Valor Econômico.

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