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O vegetarianismo não vai salvar o planeta – Por Xico Graziano

Deixar de comer carne é uma opção alimentar. Pregar o vegetarianismo como salvação do planeta é puro exagero ambientalista. Explico o porquê.

A base de raciocínio dessa ideia, dita ecológica, reside nas emissões de metano (CH4), um gás gerado no processo de ruminação do gado. É o chamado metano entérico.

Todos os mamíferos ruminantes –boi, vaca, carneiro, búfalo, antílopes– arrotam metano. O gás surge da fermentação anaeróbica, ou seja, na digestão da matéria orgânica no estômago do animal –o bucho– que ocorre sem a presença de oxigênio.

Qual o problema disso?

Acontece que, segundo a teoria do aquecimento global, as moléculas de metano causam um efeito-estufa muito forte na Terra, cerca de 23 vezes o provocado pelo gás carbônico (CO2).

Resultado: os ideólogos da mudança de clima se juntaram com os vegetarianos para recomendar o controle dos rebanhos. Assim, a carne vermelha virou vilã da natureza.

Fruto da urbanização e do aumento da renda familiar, o consumo de carne bovina tem se elevado, continuadamente, no mundo todo. Estima-se que, até 2050, a demanda cresça 88%.

Esse fato, espetacular do ponto de vista nutricional, preocupa aqueles ambientalistas. A mais recente condenação da boiada ocorreu há dias, durante a realização da Conferência do Clima (COP 24), na Polônia.

Produzido pelo World Resources Institute, o documento “Criando um futuro alimentar sustentável”, divulgado no evento, ganhou manchete no Brasil: “Pesquisadores pedem que brasileiros comam menos carne em prol do planeta”.

Sinceramente, parece piada de mau gosto. Mas o assunto é sério.

Onde está o erro dessa proposição?

Duas são as principais objeções científicas:

  1. Nunca se conseguiu provar a relação entre os níveis de metano na atmosfera com o rebanho bovino mundial. Albrecht Glatzle atesta que, entre 1990 e 2005, a concentração atmosférica de metano permaneceu a mesma, enquanto que, no mesmo período, houve crescimento de 100 milhões de cabeças de gado. Na última década, as emissões de metano voltaram a se elevar, mas os cientistas  divergem sobre as causas do fenômeno. Pântanos e vulcões, e não o rebanho bovino, seriam os maiores responsáveis.
  2. Vegetais, para crescer, realizam a fotossíntese, processo vital que absorve CO2 do ar e acumula carbono (C) na massa vegetal – folhas, galhos, grãos e raízes. Quando o gado de alimenta de gramíneas, ou rações, esse carbono (C) se transforma, parte retornando à atmosfera pelas eructações bovinas. Pesquisadores da Embrapa, a exemplo de Marcílio da Frota, fazem um “balanço” entre o carbono sequestrado pelas plantas, e aquele eliminado após a ruminação. Em algumas situações, de pastagens bem manejadas e integradas em sistemas com lavouras e florestas, o balanço é positivo, ou seja, a pecuária mais fixa que libera carbono para a atmosfera.

Conclusão: inexiste evidência científica de que o rebanho bovino afete o clima da Terra.

Os hábitos alimentares decorrem da cultura humana, dos costumes, da religião. Cada qual se alimente como quiser. Há quem se delicie na China, conforme vimos na TV esses dias, comendo baratas (e não batatas) fritas. Gosto não se discute.

Impor uma dieta, por qualquer razão, expressa uma violência ao direito das pessoas. Pior ainda, neste caso, a condenação ecológica da carne vermelha representa uma crueldade, da elite abastada, contra o povo, faminto por proteína de qualidade.

Uma curiosidade: os campos inundados de arroz, dominantes na Ásia, produzem tanto metano quanto o arroto dos bovinos. Você já ouviu algum “pesquisador” recomendar parar de comer arroz para salvar o planeta?

Certamente, não. Na França, anos atrás, um “estudioso” sugeriu proibir o feijão na comida, visto a casca desse cereal ter elevado, e notório, potencial de geração de metano. Queria evitar o malefício ambiental do pum humano. Não vingou.

Esoterismo não pertence à equação da sustentabilidade. Assim como pântanos e vulcões há milhares de anos lançam gases na atmosfera, mantendo a Terra habitável, deixem o boi e sua senhora vaca arrotar em paz, produzindo carne e leite para assegurar a jornada humana.

A picanha, decididamente, não representa uma ameaça ecológica. Nestas comemorações natalinas, de final de ano, pode churrasquear à vontade sem medo de ser feliz.

Por Xico Graziano, engenheiro agrônomo e doutor em Administração, professor de MBA da FGV e sócio-diretor da e-PoliticsGraziano, para o Poder360.

This post was published on 19 de dezembro de 2018

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Equipe BeefPoint

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