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O confinamento profissional ditou as regras do mercado de boi

No terceiro quadrimestre de 2009, o confinamento profissional foi eficiente e apostou na escala produtiva para pautar o negocio do boi.

Pela ordem, os maiores beneficiados foram: o governo, o frigorífico, o varejista, o consumidor e o confinamento profissional de escala. E produtor a pasto, como sempre, ficou no prejuízo em toda a entressafra.

Mas fica a impressão de que o confinador profissional de escala produtiva beneficiou mais os outros segmentos do que a si próprio.

A causa da concentração frigorífica é múltipla. Isso sem descartar os elevados impostos, os confinamentos próprios e o contrato a termo do boi de coxo. De qualquer forma tem-se aí o resumo do que aconteceu.

Quanto à pecuária extensiva, a opção é manter o plantel e fazer a terminação escalonada durante o ano todo, inclusive na entressafra.

Por exemplo, haveria uma oferta de dezoito milhões de bois prontos para o abate no caso de quinhentos mil pecuaristas comercializarem, cada um deles, trinta e seis animais na entressafra, utilizando um ou mais dos seguintes processos: sistema misto lavoura/pasto, integração agropecuária, sistema protelado, sistema de pastoreio racional intensivo, suplementação e complementação alimentar ou mesmo semiconfinamento de manejo.

Afirmações como esta mostram que a pecuária a pasto detém tecnologias para o confronto na produção de proteína animal com qualidade natural a pasto em qualquer circunstância, mesmo que orquestrada facção ideológica conteste esse procedimento, através do aumento do índice de produtividade. Entretanto, como são poucos os que irão ler o presente posicionamento, este não ocasionará impacto algum.

Seguir a pecuária profissional de escala é o caminho lógico e não constitui demérito algum, descartando é claro, o entendimento de que a demanda econômica é finita, que o câmbio flutua e que a incidência da carga tributária no valor da carne é alta, tanto na exportação como no consumo interno.

Se a decisão tomada for a de aumentar o rebanho bovino, devem então ser muito bem avaliadas as condições químicas do solo, para que o mesmo não se degrade física e/ou biologicamente.

Para que ocorra a perpetuação do ecossistema pastoril é necessário continuar o escalonamento da adubação do solo no transcorrer do tempo, com o fim de aumentar a capacidade produtiva desse solo para a produção de forragem, além de usar o sistema protelado. Qualquer exigência de aumento díspar do índice de produtividade pelo governo afasta a “naturalidade” vegetal do pasto e será fatal para o complexo coloidal do solo.

Sabe-se que quando o pasto é adequadamente adubado, a boa cobertura forrageira do solo, enquanto verde, se constitui em forte agente biológico na melhoria dos atributos físicos, químicos e biológicos desse solo e também na reciclagem dos nutrientes, se constituindo em processo eficiente de proteção de ecossistemas pastoris.

Manter a produção forrageira através da fertilização do solo e lotar então esse pasto em função da sua capacidade de suporte é uma forma de proteção ambiental racional e renovável.

No caso da pecuária bovina, ao invés de aumentar o índice de produtividade agrícola, o governo deveria ofertar crédito de investimento para a correção e a adubação do solo na renovação ou na recuperação das pastagens, com carência apropriada à pecuária.

Mas, ao contrário, o governo pretende fomentar a agricultura adubada na renovação de pastagem em solos já com limitação química. O processo é economicamente válido, desde que haja garantia de mercado comprador. Desse modo, deve comprar os estoques de carne em excesso e descobrir então que boi não é galinha e nem pilha de sacas de milho.

Em síntese, tomadas as medidas corretas de preservação do solo, a pecuária a pasto deve manter o plantel, sem deixar espaço para outros tipos de terminação, pois desse enfretamento surgirá, para todos, o sol no horizonte.

A atividade deve se aprimorar, utilizando especialmente as tecnologias de custo zero, porém nunca recuar, mas ao contrário mostrar a força de quase três milhões de pecuaristas, fiéis construtores do enorme rebanho brasileiro a pasto.

O momento exige união de princípios e de visão comercial, pois a tecnologia de produção está disponível desde a genética do rebanho até o manejo do pasto e da criação.

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  • Particularmente acredito muito na pecuária a pasto e tambem sei dos problemas tecnologicos que existem nesta modalidade de produçao de carne. Como disse o professor o governo deveria ter linhas de credito para correçao e adubaçao dos solos de pasto bem como programas de divulgaçao destas tecnologias, ja que este produtor carece destas informaçoes.

  • Prezado Enaldo Oliveira Carvalho a adoção tecnológica da bovinocultura é dependente do retorno econômico, pois tecnologia não falta.
    Mas como o consumidor ou importador de carne pago os tributos encarecendo o produto, diminui-se o consumo interno e a competitividade.
    No caso da cria depende da remuneração dada à terminação, hoje estrangulada pelo excesso de boi no coxo.
    Mas a criação é tão o mais importante que os outros segmentos e necessita ser remunerado, para que possa ter um bom plantel de matrizes.
    Realmente o que pretende a pecuária profissional é a exclusão de bons pecuaristas. Para, conter essa exclusão se deve diminuir o numero da criação em cerca de cinco por cento, isto é, quem tem cem matrizes diminuiria para noventa e cinco, assim haverá diminuição na oferta de bezerros.
    No passado se desenvolveu as feiras de bezerros, hoje, leilões para promover a importância da criação e estimular melhores preços em função da qualidade do criatório, oportunizando o avanço genético da raça pura ou da cruza industrial.

  • Prezado Marco Antonio Machado Vieira, como pecuarista, sei que o pasto é mais importante que o boi. Então se deve estimar qual é a capacidade de suporte dos pastos.
    Não existe pasto degradado o que existe é solo com limitação química sob pasto com baixa produção forrageira. Nesse caso o que esta degradando é o solo. Então mais importante que o pasto é o solo.
    Dessa forma se deve recuperar o pasto, isto é, corrigir e adubar superficialmente os pastos, todo ano uma pequena área. Comece sempre pela área de pasto melhor. Pois é ela que vai pagar, a renovação posterior dos pastos piores da propriedade.
    Nos pastos piores, até que possa ser renovado, com baixa produção forrageira, proceda ao controle de invasoras, use o deferimento ou protelado, isto é, deixe sem animais por um período, consulte a assistência local para definir o numero de dias em função do tipo de pasto (em geral em torno de 35 dias). No caso de numero de divisões insuficiente, separe uma área, se possível com cerca elétrica, deixando em pousio sem animais. Transfira depois a cerca para outra área e repita operação. Nesse caso se houver possibilidade corrija e adube superficialmente o solo.
    Após a adubação superficial durante alguns anos, inicie a renovação do pasto, mudando ou não o tipo do pasto, o qual exige preparo da área (aluguel de maquinas) e a incorporação do calcário e depois adubo. Use após a análise do solo fosfatos reativos e também prontamente assimiláveis com formula P e K, em que a fonte do fósforo seja super simples ou outra fonte que contenha enxofre.
    A outra maneira de renovar os pastos é arrendar para agricultura por no máximo quatro anos, o ideal é por dois anos.
    Existe um programa de governo com esse sistema lavoura pasto e até floresta, consulte a Embrapa de São Carlos.
    Consulte assistência técnica estadual CATI, em todo processo de recuperação ou renovação dos pastos.

  • Excelentes considerações mencionadas no texto acima. Isto vem desmistificar o conceito de que a pecuária de corte é um seguimento retrógrado e atrasado do agronegócio brasileiro. Tal como outros seguimentos, (soja, suínos e aves) essa mudança de comportamento no mercado é reflexo de investimentos e desenvolvimento de tecnologias que inflenciaram em aumento de produtividade e redução de custos de produção. Embora esses ganhos não tenham sido revertidos de forma harmônica dentro da cadeia produtiva, penalizando principalmente o segmento de cria, causando até mesmo a exclusão de muitos pecurista.

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