Categories: Giro do Boi

Novas regras para manejo de pastagens no Pantanal em MT

Depois que incêndios consumirem 30% dos 6 milhões de hectares do Pantanal que ficam em Mato Grosso em 2020, o governo estadual atendeu a um apelo antigo dos pecuaristas e publicou um decreto para permitir a limpeza e o manejo das pastagens no bioma, com a retirada de plantas invasoras. O objetivo é eliminar parte da biomassa exótica, combustível para o fogo em períodos secos, e evitar que o cenário de destruição se repita. O próximo passo será o aval para a substituição de gramíneas nativas em alguns casos.

A primeira autorização foi concedida em fevereiro pela Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT) a um pecuarista de Poconé, município mais afetado pelas queimadas. Mais de 40 pedidos já haviam sido feitos até o fim do mês passado. A secretária Mauren Lazzaretti diz que a norma traz critérios técnicos para a retirada de espécies invasoras conhecidas e identificadas pela Embrapa, e que o manejo vai melhorar as condições do pasto natural sem causar desmatamento.

“Vai melhorar a oferta de biomassa e possibilitar que a espécie nativa volte a nascer”, disse ela ao Valor. A secretária enfatizou que o uso do fogo não será autorizado para fazer a limpeza das áreas, apenas para eliminação do material após o manejo. “O uso do fogo é exclusivo para uso nas leiras, os amontoados que ficam após o trabalho. Antes, o produtor tem que fazer a retirada das espécies invasoras de forma manual ou com máquinas”. A autorização da Sema-MT tem validade de até três anos.

O período proibitivo de uso do fogo em Mato Grosso vai de 15 de julho a 15 de setembro. A secretaria diz que o ideal é que os pecuaristas realizem o manejo agora. “É uma medida preventiva do governo com produtores para reduzir possíveis incêndios. Temos 70% do Pantanal para preservar e tomar cuidado”, disse.

A Embrapa Pantanal identificou, com a ajuda de imagens de satélites e outras bases de dados, as áreas tradicionalmente ocupadas por pastagens onde pode ser recomendado o manejo. De acordo com Jorge Lara, chefegeral da unidade, os pesquisadores também fizeram uma lista das espécies invasoras mais comuns, como o cambará, a canjiqueira, o pombeiro e o algodão-bravo.

Lara afirmou que o avanço de plantas invasoras – chamadas por ele de “colonizadoras”, por sua participação delas no processo natural de evolução do bioma – reduz a oportunidade dos pecuaristas do Pantanal mato-grossense. “Para a pecuária, se não manejar essa paisagem, tem prejuízo na perda de pasto. E como a produção é extensiva, precisa de área para ter volume de produção que justifique a atividade”. Ele ponderou, no entanto, que mesmo o manejo mais eficaz pode ser insuficiente ante a questão climática. “Se tiver um ano muito seco, mesmo assim vai sofrer as consequências”.

A Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) defende a medida, que já era permitida há anos em Mato Grosso do Sul. “Não é só o boi que evita incêndio, mas reduzir o volume de matéria seca é uma medida que facilita o manejo do fogo depois”, disse Amado de Oliveira, consultor técnico da entidade. “Não há prejuízo ambiental, a pecuária precisa ficar no Pantanal”.

Oliveira diz que as plantas invasoras viram mata e que os animais não conseguem entrar para pastar. “Se vier fogo nessa área, tem labaredas de cinco metros de altura. O que mais sofremos em 2020 foi ver animais morrendo produtor sem pasto, sem água”. O decreto também permite aos pecuaristas escavar bebedouros para armazenar água para os animais em algumas regiões que serão abertas nas propriedades.

A próxima mudança em estudo pela Sema-MT e pela Embrapa Pantanal é o uso de gramíneas exóticas no bioma, como a braquiária, para dar viabilidade econômica a algumas propriedades. Mas Lara afirmou que a substituição não será total. “Estamos verificando qual é a proporção adequada para cada situação. A questão é qual o ponto de equilíbrio para que não haja perda significativa de biodiversidade”, disse ele.

Joelson de Campos Maciel, promotor de Justiça em Cuiabá, informou, em nota, que o Ministério Público de Mato Grosso possui procedimento instaurado para acompanhar a situação, avaliada inicialmente como positiva. O MPMT também apura as causas das queimadas do ano passado. “Entendemos que a biomassa acumulada no Pantanal foi o combustível que gerou todo aquele incêndio catastrófico”, disse.

Fonte: Valor Econômico.

This post was published on 8 de março de 2021

Share
Published by
Equipe BeefPoint

Recent Posts

Exportações de carne bovina do Uruguai estão se recuperando

As exportações uruguaias de carne bovina se recuperaram no primeiro trimestre de 2021 quando comparadas… Read More

14 de abril de 2021

Estudo: Produção bovina pode diminuir emissão de GEE até 50% através de práticas eficientes

Uma equipa de investigação liderada pela Universidade Estadual do Colorado descobriu que a indústria da… Read More

14 de abril de 2021

Exportações de carne em março aumentam 37,7% em relação ao mês anterior em MT

As exportações mato-grossenses de carne bovina em março de 2021 aumentaram 37,7% em relação a… Read More

14 de abril de 2021

MS está entre os estados com maior adoção de sistemas de integração e plantio direto no Brasil

Na semana em que celebramos o Dia Nacional da Conservação de Solos, Mato Grosso do… Read More

14 de abril de 2021

Carne bovina: ‘Brasil pode passar a exportar 35% da produção em breve’

A arroba do boi gordo segue em alta nos mercados físico e futuro. Quem vê… Read More

14 de abril de 2021

Frigoríficos brasileiros operam com margens abaixo de 3%, diz fonte

A disparada do boi e o cambaleante mercado doméstico reduziram as margens dos frigoríficos a… Read More

14 de abril de 2021