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Na segunda onda da covid, restaurantes por um fio

Com um ano de pandemia, bares e restaurantes enfrentam uma “tempestade perfeita”. De um lado, a alta dos preços de alimentos mantém o custo dos insumos elevados. Do outro, o aumento das mortes pela covid-19 e o colapso do sistema de saúde levam a novas restrições de funcionamento em todo o país. Isso afeta especialmente os pequenos e médios estabelecimentos, que são maioria no setor. Controle dos estoques, distribuição maior das compras entre diferentes fornecedores, adaptação do cardápio e redução da margem de lucro são algumas das alternativas adotadas.

Com a demanda em baixa, empresários tentam evitar ao máximo repassar a alta de custos para o consumidor e seguem se adaptando com estratégias para reduzir gastos enquanto aguardam a reedição de medidas de apoio do governo para manter os negócios, como o Benefício de Emprego e da Renda (BEm), de redução de salários e suspensão de contratos, e o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe).

Os números da inflação deixam claras a pressão de custo e a dificuldade de repasse. Os preços de alimentos e bebidas subiram 15% no acumulado de 12 meses até fevereiro, três vezes a variação de 5,20% do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A alta dos alimentos no domicílio – grupo que reúne os ingredientes em si, como hortaliças e legumes, carnes e leite – foi mais expressiva (19,42%) nesse período. Já a variação dos preços de alimentos fora do domicílio foi de apenas 4,93%, mostrando que muito do aumento do custo de produção de bares e restaurantes não foi repassado aos consumidores.

Presidente do Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio (SindRio), Fernando Blower reconhece “o equilíbrio muito delicado” do momento. Ele entende a gravidade da situação atual da pandemia, mas teme pela continuidade dos negócios e empregos.

“Após um ano de pandemia, o empresário não tem mais capital de giro. Quem sobreviveu, já fez todo um dever de casa: reviu custos, enxugou cardápios, passou a usar insumos mais baratos e evitou serviços que geram mais desperdícios, como buffet. Mas as novas restrições vão desembocar em mais fechamentos e desemprego”, afirma ele.

Para o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci, o momento atual é “de um filme de terror” – embora acredite no avanço da vacinação nas próximas semanas – e o setor precisa de ajuda urgente para se manter: cerca de 80% das empresas não têm condições de pagar os salários em abril.

“O governo está levando mais tempo para reeditar o BEm do que levou para lançar. Há uma completa falta de liquidez dos empresários”, diz ele.

Fonte: Valor Econômico.

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