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MS: integração lavoura-pecuária anima pecuaristas

O diretor executivo da Fundação MS – organização de pesquisa e assistência técnica mantida por produtores rurais -, Dirceu Luiz Bruch, explica que em Mato Grosso do Sul existem 8 milhões de hectares de áreas com pastos degradados.

Ele acrescenta que a situação piora ao constatar que “o pecuarista possui a maior parte de suas áreas com pastagem e faz uma pecuária extensiva, extrativista e de baixo investimento. Está, infelizmente, na cultura do pecuarista fazer pouco investimento na atividade”, diz.

Com técnicas como a integração lavoura-pecuária, Bruch explica que não existe mais necessidade de desmatamentos para melhorar ou aumentar a produção agropecuária, notadamente a pecuária. Aliás, acrescenta, é muito difícil manter uma pecuária isolada. Por meio da integração, o retorno do capital investido é mais rápido. Passados quatro meses do plantio, ocorre a colheita e a comercialização da soja. O fertilizante químico residual e o nitrogênio fixado pela soja produzem uma pastagem de alto vigor e valor nutritivo. “Assim sendo, com a agricultura na propriedade, há possibilidade de ter uma pecuária mais eficiente e lucrativa”.

Os pesquisadores da Embraba Gado de Corte, com sede em Campo Grande/MS, também estão concluindo um trabalho sobre integração lavoura-pecuária. São eles Armindo Neivo Kichel, José Alexandre Agiova da Costa e Roberto Giolo de Almeida. Conforme explicam, o sistema consiste em dividir a área da fazenda em quatro módulos, sendo que cada módulo é utilizado por dez meses, com lavouras de grãos e 14 meses, com pastagens.

Nos módulos com lavoura, 100% da área é cultivada com soja na safra verão, sendo que, na safrinha outono-inverno, metade da área é cultivada com milho consorciado com forrageiras e a outra metade formada com pastagem das mesmas forrageiras. Nos módulos com pastagem, esta é utilizada durante todo ano.

Assim, a área da fazenda ocupada com pastagens no inverno (julho a outubro) é de 100%, e no verão (outubro a março) é de 50%. As forrageiras utilizadas foram capim-piatã, no primeiro e no segundo anos, e capim-mombaça, no terceiro e no quarto anos.

Dirceu Luiz Bruch, comentou que ânimo para aderir ao sistema não falta. E cita os números da Secretaria Estadual de Produção e Turismo de MS. “A cada mês, uma média de 70 agricultores aderem ao programa.”

Um dos mais recentes participantes é Alexandre Scaff Raffi, da Fazenda Boa Esperança, em Anastácio/MS, município na borda do Pantanal. Na região predomina a pecuária de cria, recria e engorda. Em algumas fazendas, o teor de areia chega a quase 86%, fator que, com o novo sistema, não impede o desenvolvimento da agricultura, principalmente soja e milho.

“Comecei há seis meses e já coloco três bois em 1 hectare, onde normalmente seria menos de um por hectare”, diz. “Separei 100 hectares para a integração. É um pasto verdinho, dá dó em pensar que terei que derrubar tudo para produzir massa verde e fazer o plantio direto da soja, mas vamos fazer exatamente como mandam os técnicos”, continua.

“Notei também que no pasto comum o gado engordava 300 gramas/dia. No espaço trabalhado com integração chegamos a 500 gramas/dia.”

Após a colheita da soja ou milho, sobra o pasto para o gado. O ciclo completo da integração lavoura-pecuária é de quatro anos, desde a formação do primeiro pasto até a colheita da soja ou milho. Depois o processo retorna ao ponto inicial “É um processo onde a agricultura ampara a produção pecuária, e vice-versa, evitando prejuízos”, diz o agrônomo Roney Pedrosa.

A matéria é de João Naves de Oliveira, publicada no jornal O Estado de S.Paulo, resumida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

This post was published on 20 de julho de 2011

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