Monitorar o emurchecimento é algo chave na produção de pré-secados

A produção de pré-secados no Brasil tem crescido nos últimos anos e dois fatores estão contribuindo para esse cenário:

1) Esta técnica facilita a comercialização de silagens

2) Os serviços terceirizados estão abrangendo a produção de volumosos. A situação atual no nosso país segue a tendência dos demais, ou seja, cada vez mais forragens conservadas serão produzidas e comercializadas por empresas especializadas.

Por meio desta técnica é possível produzir silagens de espécies com elevado teor de umidade, o que traz diversificação às opções de volumosos (otimiza o plano alimentar do rebanho em algumas situações) e também potencializa o processo produtivo, pois é uma alternativa aos que produzem feno.

Contudo, como qualquer outra técnica, a produção de pré-secados possui as suas limitações. A primeira delas é o uso excessivo de plástico no meio agropecuário, pois são necessários 5,5 kg desse material para revestir uma tonelada de matéria seca (MS) de silagem, enquanto em silos horizontais (trincheira, superfície) utiliza-se, em média, 1,3 kg de plástico/t MS de silagem estocada.

Um estudo mostrou que ao se utilizar filmes plásticos de melhor qualidade (maior barreira ao oxigênio) é possível diminuir em 1/3 a quantidade de plástico no revestimento das silagens. Fardos revestidos com quatro estratos (dois giros completos no fardo) apresentaram poder de conservação tão bom quanto aqueles que receberam seis estratos (plástico com menor barreira ao oxigênio).

Quanto à logística dos fardos durante a produção e estocagem dos mesmos, alguns dos principais entraves seriam o peso e o número de fardos a serem manipulados. É sabido que fardos mais leves e em menor número por quantidade de forragem produzida facilitam a operacionalidade na fazenda.

Uma das maneiras para se alcançar estes objetivos seria enfardar a forragem no momento correto quando se trata de silagem emurchecida, ou seja, buscar valores de MS próximo a 50%. Percebam na tabela abaixo que um aumento de 20% na concentração de MS (de 30% para 50%) promoveu redução de 85 kg nos fardos e o número de unidades produzidas por hectare caiu de 28 para 19.

Os resultados também nos mostram que é possível diminuir a quantidade de plástico no revestimento por meio da redução do peso e do número de fardos produzidos. Percebam que estratégias simples de manejo podem trazer ganhos substanciais, sejam eles ambientais (menos plástico no ambiente) e/ou econômicos (menor aquisição de plástico, menor manipulação de fardos, menor área de estocagem e outros).

Influência do grau de desidratação das plantas de alfafa sobre a densidade, número e peso de fardos e quantidade de plástico utilizado para o revestimento.

Variável

Concentração de MS (%)

20

30

40

50

Peso do fardo 1,2 m diâmetro (kg)

790

704

679

621

Densidade (kg MS/m3)

116

155

199

228

Plástico (kg/t MS)

9,3

6,9

5,4

4,7

Nº fardos/t MS

6,3

4,7

3,7

3,2

Nº fardos/ha (produção 6 t MS)

38

28

22

19

This post was published on 28 de fevereiro de 2014

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