Minerva gerou mais de R$ 500 milhões em caixa no 3º trimestre

Impulsionada pela demanda da Ásia – principalmente da China – a Minerva Foods, maior exportadora de carne bovina da América do Sul, reportou ontem um fluxo de caixa livre de mais de R$ 500 milhões no terceiro trimestre. Trata-se de um montante considerável. A Marfrig, que é três vezes maior, gerou cerca de R$ 530 milhões em caixa livre.

O impacto da apreciação do dólar sobre o endividamento, porém, nublou o desempenho operacional da Minerva. No trimestre, a empresa teve prejuízo de R$ 82,7 milhões, perda 37,3% inferior à registrada no mesmo período de 2018.

Não fosse o câmbio, a empresa brasileira teria registrado lucro de R$ 93 milhões no terceiro trimestre, afirmou diretor financeiro da Minerva, Edison Ticle. Nesse cálculo, o executivo retirou o impacto negativo de R$ 265 milhões que o câmbio teve sobre o valor da dívida – cerca de 80% do passivo da empresa é denominado em dólar. Ele também retirou o benefício de R$ 165 milhões que a empresa obteve com instrumentos de hedge para proteger a dívida em dólar.

De acordo com o executivo, a geração de caixa foi tão relevante que a Minerva conseguiu manter o índice de alavancagem estável mesmo com o aumento do endividamento em dólar. No fim de setembro, o índice chegou a 3,8 vezes, mesmo nível verificado em junho.

Na área operacional, as exportações puxaram o faturamento. Entre julho e setembro, a receita líquida da companhia chegou a R$ 4,5 bilhões, crescimento de 4% na comparação anual. No mercado externo, a receita bruta cresceu 16%, alcançando R$ 3,2 bilhões. Nos mercados internos nos quais a Minerva atua (Brasil e Argentina, principalmente), as vendas recuaram 14,3%, para R$ 1,5 bilhões. A queda reflete tanto o maior direcionamento de produtos para exportação quanto o ritmo fraco do mercado interno.

Entre julho e setembro, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) totalizou R$ 454,5 milhões, aumento de 4,2% na comparação anual. A margem Ebitda ficou em 10,1%, redução de 0,3 ponto ante igual intervalo do ano passado. A margem foi prejudicada, em parte, pela alta do preço do gado no Brasil.

Para os próximos trimestres, a expectativa da Minerva é positiva. Conforme Ticle, os reflexos da peste suína na China começaram a aparecer e devem se intensificar. Em 17 de setembro, a Minerva teve dois abatedouros de bovinos no Brasil habilitados a exportar à China, o que não se refletiu no balanço divulgado ontem. A expectativa é que a Ásia passe a representar 40% da receita, ante 35% no terceiro trimestre.

Fonte: Valor Econômico.

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