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A Minerva abandonou seus planos de abertura de capital de suas operações internacionais fora do Brasil, já que a companhia já reduziu sua alavancagem dentro da meta estabelecida para o ano passado, afirmou Edison Ticle, diretor financeiro da companhia, em live do Valor nesta sexta-feira.

“Só vamos estudar alguma operação com alguma de nossas subsidiárias se tiver algum motivo do ponto de vista de geração ou destravamento do valor pro nosso acionista. Não vemos isso na mesa hoje de operação de listagem de subsidiária, portanto ano faz o menor sentido discutir essa opção agora”, afirmou. 

Para Ticle, conforme a Minerva gerar valor e colocá-lo na mão dos acionistas, com dividendos ou recompra de ações, vai “aos poucos mudar a percepção que o mercado tem das perspectivas do setor”. 

Ele afirmou ainda que as todas as empresas do setor de carnes têm demonstrado capacidade de gerar valor “que estava subestimada pelo mercado” e disse que a Minerva deverá ser o maior dividend yield da B3 em 2020.

Depois de reduzir a alavancagem e aumentar a geração de fluxo de caixa livre no ano passado, a Minerva Foods espera atravessar o cenário mais adverso que se desenha para este ano e encerrar 2021 repetindo os resultados de 2020, disse Edison Ticle, diretor financeiro da companhia, em live do Valor realizada nesta sexta-feira. 

“Não temos dúvida que, em 2021, mesmo com cenário mais adverso, mais volátil e muito mais desafiador, a gente deve conseguir repetir os resultados de 2020 e conseguir ter métricas ao final do ano, seja de lucro, seja de alavancagem, mas principalmente de geração de valor para o acionista, tão boas como a gente teve em 2020”, afirmou o executivo. 

A Minerva teve receita líquida de R$ 19,4 bilhões no ano passado, com lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de R$ 2,1 bilhões e fluxo de caixa livre de R$ 1,9 bilhão. Isso permitiu a companhia pagar R$ 542 milhões em dividendos, quase 80% de seu lucro líquido (de R$ 697 milhões). 

A melhora da estrutura de capital em 2020, agora com custo de capital menos oneroso, deve permitir à Minerva “continuar crescendo seja organicamente seja inorganicamente”, disse Ticle. O foco da companhia é o crescimento orgânico e iniciativas “bastante pontuais” de aquisições, afirmou. 

Do lado operacional, a Minerva se fortaleceu com a diversificação regional na América do Sul, destacou o CEO Fernando Queiroz. “O balanceamento nos permite acelerar e desacelerar, arbitrar a diferentes regiões e países conforme o mercado muda”, disse. 

A estratégia de praticar gestão de risco para realizar hedge financeiro e de commodities também tem dado “velocidade e agilidade em ambiente mais rápido, desafiador e volátil”, assegurou. Atualmente, a Minerva toma decisões diárias de hedge de preços para travar suas margens, garantindo fluxo de caixa.

Desde 2018, a companhia passou a aplicar uma política de hedge para suas operações financeiras. Para este ano, com perspectivas de câmbio mais depreciado e aumento das exportações, “toda depreciação que a gente venha a ter na moeda, em todos os países que a gente atua, vão significar 100% fluxo de caixa sem a contrapartida de despesa financeira sobre a dívida” por causa da política de hedge financeiro, disse. 

As perspectivas para as exportações de carne bovina são “extremamente positivas” para este ano, tanto pelo aumento da demanda como pela redução da oferta em outros países, afirmou Fernando Queiroz. 

Do lado da demanda, a perspectiva é favorável com a retomada econômica mais forte no Sudeste Asiático. Na China, a peste suína africana (ASF), que havia sido controlada nos últimos anos, voltou a aparecer em algumas regiões. Porém, já a epidemia anterior provocou uma mudança de hábito no comportamento do consumidor local, que passou a migrar para a carne bovina dado que a imagem da carne suína foi afetada. “Tem uma mudança de hábito que é importante”, afirmou. 

Do lado da oferta global de carne bovina, há uma redução por parte da Austrália, um importante exportador, o que abre mercados para a carne brasileira. 

Segundo Queiroz, as perspectivas para as exportações são mais positivas para a América do Sul como um todo, com a abertura de novos mercados para a carne da região. 

O executivo ressaltou que outros mercados também seguem com demanda firme, como Oriente Médio, e disse ver demanda crescente nos Estados Unidos especialmente por produtos de nicho, como por produtos orgânicos. “A demanda continua, mas mudando para produtos mais específicos e de nicho”, disse. 

Na Europa, o mercado mais promissor é o Reino Unidos, que como Brexit abriu espaço para que os exportadores da América do Sul compitam em pé de igualdade com os europeus, como da Irlanda, França e Polônia, ressaltou. “É uma nova oportunidade de mercado”, disse. 

O mercado de commodities vive uma nova realidade com uma tendência de preços de mais altos, com a retomada global puxada pelo Sudeste Asiático, disse Queiroz.

“Neste momento tem uma tendência de aumento de todas as soft commodities no mundo. Tem retomadas em diferentes locais do planeta, especialmente puxadas pelo Sudeste Asiático, que tem trazido os preços de grãos e por consequência os preços das proteínas para cima”, afirmou. Para o executivo, é um novo ciclo “favorável” a preços de commodities. 

No mercado interno, o efeito provocado desde o início da pandemia de redução das vendas por alimentos para o food service e de aumento das vendas de produtos “premium” e de produtos mais competitivos segue com uma “tendência cada vez mais pronunciada”.

Com o recrudescimento da segunda onda da casos de covid-19 e novas medidas de restrição, a Minerva ampliará a carência de pagamento dos empréstimos concedidos a clientes do food service dentro do fundo de apoio criado no início da pandemia, disse Edison Ticle. 

Inicialmente, a carência de pagamento oferecida foi de 12 meses, mas a companhia agora cogita ampliar esse período por 3 ou 6 meses. “Decidimos estender essa carência. Estamos em discussões internas” sobre o tempo de ampliação, disse. 

Até o momento, cerca de 15% da base de 80 mil pontos de venda que são clientes da companhia aderiram aos empréstimos. Segundo Ticle, o fundo de alívio segue aberto aos clientes e ainda há capital para ser desembolsado.

Quanto aos efeitos da pandemia em suas operações globais, a Minerva, que também atua em outros países da América do Sul, já percebeu uma “correlação direta” entre o número de casos e o avanço da vacinação. “O Uruguai, que é o país menor e que está mais avançado na vacinação, tem uma situação diferente de países que estão mais atrasados na vacinação”, afirmou Queiroz na live. 

O executivo disse que a empresa continuou adotando os protocolos sanitários em todos os países que atua e que intensificou trabalhos de “informação e conscientização” junto às comunidades onde os funcionários da companhia atuam em todos os países onde tem operação. Segundo Queiroz, nesta segunda onda, os casos na Minerva são “significativamente inferiores aos casos das comunidades”. “Isso a gente reputa a essa informação e esses procedimentos que tivemos com nossas equipes.”

Fonte: Valor Econômico.

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