Marfrig registrou prejuízo 9% menor no período

“Atípico”. Assim o presidente-executivo da Marfrig Global Foods, Martín Secco, descreveu ontem o primeiro trimestre da empresa, que fechou o período com um prejuízo líquido de R$ 201 milhões. Em entrevista ao Valor, o executivo sustentou que o “mais importante” não foi o resultado em si, embora a companhia tenha reduzido seu prejuízo em 9,2%.

De fato, os investidores da Marfrig na bolsa estão mais interessados nos desdobramentos da venda da subsidiária americana Keystone e na conclusão da aquisição do National Beef, que transformará a empresa brasileira na segunda maior produtora de carne bovina do mundo. As duas transações foram anunciadas em abril e deverão ser efetivadas até junho, reiterou o vice-presidente de finanças da Marfrig, Eduardo Miron.

Combinados, os dois negócios deverão fazer da Marfrig uma empresa estruturalmente rentável, com dívida menor e geração de lucro. Nesse sentido, o prejuízo do primeiro trimestre é menos importante, reforçou Miron. Segundo ele, a venda da Keystone fará com que a empresa brasileira deixe os problemas com “alto custo financeiro” no passado.

Confiante na venda da Keystone, a Marfrig já retirou os números da empresa do resultado – a subsidiária aparece no balanço como uma “operação descontinuada”. Considerando apenas o negócio de carne bovina – a operação continuada -, a Marfrig obteve receita líquida de R$ 2,9 bilhões, avanço de 44,1%.

O aumento das vendas é resultado de um agressivo movimento de ampliação da capacidade de abates no Brasil no ano passado, com a reabertura de cinco frigoríficos. No primeiro trimestre, os abates de bovinos nos frigoríficos da Marfrig aumentaram 42%, a 887 mil cabeças.

Por outro lado, a rentabilidade do negócio de carne bovina piorou. Nos três primeiros meses do ano, a margem Ebitda ajustada caiu 0,7 ponto percentual, para 6,5%. Segundo Martín Secco, a piora reflete as dificuldades do mercado brasileiro. Em razão dos problemas da indústria de carne de frango – líder no setor, a BRF foi proibida de exportar para a União Europeia -, os preços da carne bovina no Brasil também caíram, pressionados pela proteína concorrente. Do lado dos custos, o preço do gado ficou estável no trimestre, mas isso já era esperado, argumentou o CEO.

De acordo com Secco, a oferta de frango ainda prejudicou o desempenho no segundo trimestre, mas aos poucos a situação está melhorando. Além disso, a Marfrig quer aumentar a participação das exportações de carne bovina para se beneficiar da apreciação do dólar. Atualmente, o mercado externo representa 45,3% da receita da companhia.

Financeiramente, a Marfrig ratificou o objetivo de reduzir o índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda em doze meses) para 2,5 vezes até o fim do ano. Em 31 de março, o índice pro forma (que inclui a National Beef) ficou em 3,62 vezes. O índice deve cair para menos de 2 vezes após a venda da Keystone.

Fonte: Valor Econômico.


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