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Mais “exportadora”, a Frigol bateu recordes no primeiro trimestre

Embalado pelo crescimento das exportações, a Frigol, quarto maior frigorífico de carne bovina do país, atrás de JBS, Marfrig e Minerva, encerrou o primeiro trimestre com resultados recorde.

Segundo balanço recém-concluído, o lucro líquido da empresa, que tem capital fechado, alcançou R$ 72 milhões de janeiro a março, ante prejuízo de R$ 29 milhões em igual intervalo der 2021. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) alcançou R$ 93 milhões, ante resultado negativo de R$ 10 milhões em igual intervalo do ano passado – assim, a margem Ebitda, que ficou no vermelho no começo de 2021 (1,4%), voltou ao azul (9,4%). A receita líquida, por sua vez, subiu 51%, para R$ 993 milhões. 

“Tivemos um primeiro trimestre atípico. Depois do embargo de quase 100 dias sobre a carne bovina brasileira, no fim do ano passado, a China estava com demanda represada e voltou muito forte. E nossa expectativa é que as vendas para o país continuem firmes”, afirmou Eduardo Miron, CEO da Frigol, ao Valor. Ele realçou que a receita da empresa com exportações cresceu de R$ 250 milhões para R$ 550 milhões na comparação entre os primeiros trimestres, ou pouco mais de 50% das vendas. Há três anos, a fatia era de apenas 20%.

Duas das três plantas de bovinos da Frigol, localizadas em Lençóis Paulista (SP) e Água Azul do Norte (PA), são habilitadas a vender ao mercado chinês. A planta de São Félix do Xingu (PA) ainda não é, mas, em compensação, tem autorização para exportar a Israel, que também tem apresentado demanda aquecida. No total, a companhia exporta para mais de 60 países. A Frigol conta, ainda, com um frigorífico de suínos em Lençóis. 

Melhora dos negócios 

Em meio aos esforços para ampliar a fatia das exportações nas vendas, a Frigol também contou com a melhora dos negócios no Brasil para a melhora dos resultados no primeiro trimestre. A pressão inflacionária continua, o que mantém o poder de compra da população mais restrito, mas a oferta de bovinos cresceu, com reflexos positivos sobre as margens. E, segundo Miron, estímulos como o Auxílio Brasil, a liberação do FGTS e a antecipação do 13º salário para aposentados agora tendem a oferecer mais sustentação ao consumo.

“Este poderá ser um ano histórico para a Frigol. Nosso objetivo é chegar a R$ 200 milhões em Ebitda e a R$ 4 bilhões em faturamento”, reforçou o CEO. Investimentos em produtos de maior valor agregado e em melhorias de eficiência, com a implantação de inteligência artificial nas unidades de produção e novos serviços aos pecuaristas, colaboram para fortalecer as boas perspectivas. Segundo Eduardo Masson, CFO da companhia, cerca de 10% do Capex de R$ 30 milhões previsto para 2022 (50% maior que o de 2021) será destinado para incrementar a infraestrutura tecnológica das operações. 

Paralelamente, a Frigol informa que continua a avançar na implantação de ferramentas para garantir boas práticas nas frentes ambiental, social e de governança. Desde meados da década passada a empresa conta com soluções para monitorar seus 3 mil fornecedores diretos de bovinos em São Paulo e no Pará, e 100% dos produtos vendidos podem ser rastreados do início ao fim da cadeia com tecnologia blockchain. 

Carlos Eduardo Simões Corrêa, diretor administrativo e de sustentabilidade da Frigol, destacou avanços no tratamento de água e resíduos e lembrou, ainda, que a empresa estabeleceu como meta reduzir em 15% o consumo de água em suas plantas. “Também vamos reduzir as emissões de gases no transporte e estamos ampliando o uso de biomassa”. 

Com investimentos que chegaram a entre R$ 10 milhões e R$ 12 milhões nos últimos anos, a empresa também conta com um conselho de administração com membros independentes, auditorias trimestrais em suas contas e tem procurado ampliar o apoio às comunidades que estão no raio de atuação de suas unidades e continua a ser um bom exemplo de participação de mulheres nas indústrias (quase 30% do número total de funcionários) e na gestão e alta direção (38%). 

Fonte: Valor Econômico.

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