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Levar internet ao campo é uma forma de dar acesso à educação e à saúde no interior do Brasil

Nas pequenas e médias propriedades rurais onde a internet ainda não chega, o potencial de avanço é imenso. “Existe um falso sentimento de que propriedades maiores precisam mais de tecnologia que as demais, o que não é verdade”, diz Anselmo Arce, vice-presidente da Associação ConectarAgro. “Um trator a 15 quilômetros por hora que erra a operação em uma linha de cultivo durante 1 minuto, gera 250 metros de trabalho mal feito. Temos aí um problema grande para o produtor que é pequeno”, argumenta.

Segundo ele, levar internet ao campo é uma forma de estimular o avanço tecnológico e reduzir custos produtivos, mas também de dar acesso à educação e até à saúde no interior do Brasil. “Na hora da entrevista, o empregado de hoje quer saber se tem internet na fazenda antes mesmo de perguntar o salário”, observa Arce. Ele realça que essa necessidade de conexão ficou patente na pandemia, quando quem não tinha acesso à mão ficou isolado. No Brasil, é obrigação das operadoras dar acesso à telefonia fixa, mas o mesmo não vale para o acesso à internet.

Integrante da ConectarAgro, – ao lado de AGCO, CNHi, Climate Fieldview, Jacto, Solinftec, Trimble e Nokia -, a TIM diz que está endereçando o tema da exclusão digital. Alexandre Dal Forno, líder de marketing e internet das coisas da tele, afirma que, ao atender com conexão móvel 4G de 700 MHz projetos de grandes produtores em 2019, a TIM estabeleceu uma área de cobertura sobre 5,1 milhões de hectares que beneficiou 50 mil fazendas, das quais 90% com menos de 100 hectares. A meta até 2021 é expandir a rede para outros 8 milhões de hectares e atingir o público dos pequenos e médios também por meio de cooperativas. “Uma torre cobre de 20 a 40 mil hectares e é um grande desafio juntar esses produtores”, diz.

Diego Aguiar, líder de IoT, big data e inovações da Vivo, afirma que a empresa estuda novos modelos de negócio para atender aos produtores menores, e está preocupada em levar também serviços que agreguem valor à produção como os dois que já possui, de monitoramento do clima e do maquinário. “A conectividade é o pilar de tudo, e isso poderia ser acelerado no campo com incentivos fiscais e direcionamento dos recursos do Fust [ver matéria Governo busca soluções para cobrir 196 milhões de hectares] à expansão da banda larga”, diz. No triênio 2018- 2020, a Vivo investiu cerca de R$ 26,5 bilhões em conectividade nas zonas rural e urbana.

Representante de 14 mil pequenas companhias que atuam em 5 mil dos 5.570 municípios do país, a Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint) defende a criação de um fundo garantidor de crédito com recursos do Fust para ampliar a rede de fibra ótica dessas empresas, que já responde por quase 60% da cobertura nacional da tecnologia.

Sidnei Batistella, diretor da entidade, explica que os pequenos provedores têm dificuldade de conseguir crédito porque a rede de fibra em si não é aceita como garantia. Outra bandeira da Abrint é que a União arque temporariamente com os custos do aluguel dos postes por onde transita a rede, propriedade de empresas de energia. “O custo do aluguel é, em média, de R$ 8 por poste por mês, que são colocados a cada 100 metros. Uma rede de 200 quilômetros, comum no campo, nos custa R$ 16 mil por mês e, assim, numa área remota a arrecadação toda não cobre a instalação”, diz ele.

Fonte: Valor Econômico.

This post was published on 27 de outubro de 2020

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Equipe BeefPoint

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