Lavoura x confinamento x pastagem

Esse foi o ano da soja, apesar das perdas de produtividade em diversas lavouras devido à falta de chuva, o preço dessa commodity, em algumas regiões produtoras, bateu os R$ 60,00/sc. Para quem produziu bem, um excelente negócio! Demanda chinesa aquecida e resultado positivo no fechamento das contas. Para bons produtores, em muitas áreas chegou o momento da rotação, e o binômio soja-milho prevalece na maioria dos casos.

Do lado do pecuarista, o cenário ainda está se formando. Arroba em queda, preços elevados do farelo de soja, mercado futuro de lado e poucos compradores na ponta. O fôlego foi o milho, que nos últimos meses chegou a cair mais de 25%. A boa distribuição de chuvas no período de safrinha favoreceu a produtividade, aumentando a oferta no curto prazo. Nesse caminho, o sorgo também veio com força total, mesmo as lavouras plantadas tardiamente ainda receberam precipitações em momentos importantes e alavancaram a produtividade.

Nesse cenário ressaltamos a importância da integração entre pecuária e agricultura, no que tange a diversificação de capital e o melhor aproveitamento do uso da terra. Dentre as diversas possibilidades de integração e/ou diversificação, o plantio consorciado Milho X Pastagem é uma excelente alternativa para o pecuarista e para o agricultor. As arrobas extras produzidas após a colheita do milho, e o uso do grão na engorda intensiva melhora substancialmente a receita da propriedade, aumentando a eficiência dos sistemas de produção.

A imagem a abaixo mostra o momento da colheita do milho consorciado com Brachiaria brizantha cv. Marandu. A propriedade em questão está localizada em Goiás, na região do Vale do São Patrício. A produtividade alcançada foi de 6,0 ton/ha ou 102 sacos/ha para ser mais exato. Após a colheita, a área foi pastejada por 60 dias com taxa de lotação de 4,5 U.A/ha. O ganho de peso médio diário, medido na propriedade, foi de 600 g/cab/dia, o que permitiu no final do período de pastejo, a produção de aproximadamente 5,5@/ha. Nos valores atuais da arroba em Goiás (algo entre R$ 84,00 e R$ 86,00/@) uma receita extra de R$ 467,00/ha. Ou seja, apesar do menor preço do milho como exposto anteriormente, a produção de @ na área dilui os custos de produção e podem trazer lucro para o produtor.

Bom, voltando ao título desse texto, que trata também de confinamento, as contas também são interessantes. Na região, o garrote de 10@ era negociado a R$ 900,00/cb ou R$ 90,00/@ entre os meses de abril e maio. A garrotada de 10@ entrou para pastejo da “palhada” e ganhou 35 kg/cb no período (60 dias de pastejo), passando para 11, 2@ (300 kg de peso vivo na entrada + 35 kg de ganho na pastagem), com isso, houve redução no valor da @ de entrada em confinamento para casa dos R$ 80,00. Os custos de produção da lavoura integrada ficaram em R$ 1.500,00/ha, ou R$ 15,00 por saco de milho produzido. Na região, o grão está sendo vendido entre R$ 20,00 a R$ 23,00/sc, ou seja, uma economia que chega a 35% em um ingrediente que compõem mais de 70% da dieta dos animais em confinamento.

Outro aspecto importante a salientar; o pasto não ficou “rapado”, foi possível, através do manejo do pastejo, manter a cobertura vegetal do solo e consequentemente proteger contra a erosão eólica muito frequente nessa época do ano.

Figura 1 – Colheita de milho consorciado com B. brizantha cv. Marandu em Goiás.

Outro ponto a ser observado é que, devido às perdas de colheita, algo ruim para o agricultor, mas inevitável, a dieta da boiada em pastejo é acrescida com grãos de milho, sendo confirmado pela presença dos mesmos nas fezes. Nada melhor que essa adaptação a maior quantidade de amido no rumem antes da entrada em confinamento (Figura 2). Nesse sentido, a ganho de peso é incrementado, ocorre redução no número de animais com acidose e o desempenho geral da atividade tende a apresentar melhores resultados.

Figura 2 – Animais já em processo de adaptação devido à integração Lavoura X Pecuária.

Por Daniel de Castro Rodrigues, Eng. Agrônomo, Supervisor de Projetos – Coan Consultoria, produtor rural em Uruana – GO.

This post was published on 2 de julho de 2012

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  • Excelente artigo. Precisamos, de fato, de numeros para respaldar "novas" tecnologias, pois dai o convencimento fica mais facil e rapido...é surpreendente que ainda tenhamos que convencer produtores a adotar tecnicas que visam nada mais que garantir a sustentabilidade da atividade e a proporia sobrevivencia. Trata-se da "insistencia técnica" ao invés da assistencia técnica.

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Equipe BeefPoint

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