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John Deere e Ericsson vão pesquisar 5G para o campo

A John Deere, maior fabricante de máquinas e implementos agrícolas do mundo, e a Ericsson, de equipamentos e infraestrutura de telecomunicações fecharam um acordo para trabalharem em conjunto na pesquisa e desenvolvimento de novas aplicações para a tecnologia 5G no agronegócio brasileiro. A parceria será anunciada oficialmente hoje.

Na primeira fase, as multinacionais trabalharão nas chamadas “provas de conceito”, com atividades a serem desenvolvidas no escritório central da John Deere para América Latina, em Indaiatuba (SP), e no Centro de Agricultura e Precisão e Inovação (Capi) da marca, em Campinas (SP). O acordo também prevê a adoção da tecnologia de quinta geração em linhas de produção da John Deere no país.

As companhias não informaram quanto vão investir no projeto, mas os aportes fazem parte de seus orçamentos para pesquisa e desenvolvimento. Segundo a fabricante de máquinas agrícolas, globalmente, ela investe US$ 4 milhões ao dia nessas frentes. A sueca Ericsson, por sua vez, anunciou R$ 1 bilhão para desenvolver tecnologias de quinta geração até 2025, incluindo a abertura da primeira fábrica de rádio 5G da América Latina, em São José dos Campos (SP).

Nas lavouras, a banda larga de quinta geração permitirá aos operadores de maquinário fazer ajustes em tempo real nas diferentes etapas do cultivo, o que deve reduzir, por exemplo, o uso de defensivos e outros insumos. Isso ocorre porque, com a internet mais rápida, diminui o tempo de transmissão das informações.

Parte dos avanços do agronegócio brasileiro nos testes da tecnologia a partir deve-se a parcerias como a que John Deere e Ericsson anunciarão hoje. Em maio, TIM e Nokia inauguraram em Mato Grosso a primeira antena de 5G em área rural do país. O equipamento foi instalado em uma fazenda modelo do Instituto Mato-grossense de Algodão (IMAmt), em Rondonópolis (MT). Também há iniciativas-piloto em Sorocaba (SP), batizado de 5G Smart Campus Facens, e em desenvolvimento pela SLC Agrícola e Claro, em parceria, desde junho, na fazenda Pamplona da SLC, em Cristalina (GO).

O 5G permitirá ao operador do maquinário fazer ajustes em tempo real nos processos do plantio à colheita, otimizando o uso de defensivos agrícolas e outros insumos. Hoje, as máquinas já são equipadas com câmeras capazes de reconhecer plantas daninhas em seus diferentes estágios, mas muitas vezes precisam se conectar a bancos de dados externos para sugerir a forma adequada de tratamento e não conseguem. “A quinta geração vem para mudar isso”, diz o vice-presidente de Negócios da Ericsson para o Cone Sul da América Latina, Murilo Barbosa.

Rodrigo Bonato, diretor do Grupo de Soluções Inteligentes da John Deere para América Latina, afirma que já existe demanda por essa tecnologia, com o aumento da preocupação do produtor rural brasileiro com sustentabilidade. “É mais do que produzir mais comida: é produzir mais comida sustentável. A tecnologia vai ajudá-lo a tomar a decisão correta. Isso gera um círculo positivo”, diz.

O avanço da Internet das Coisas (IoT), de equipamentos conectados, esbarra na baixa capacidade de transmissão de dados. Uma pesquisa da McKinsey divulgada no começo do ano mostra que apenas 23% dos produtores rurais têm acesso à internet em toda a operação agrícola. Isso significa que muitos dados captados nas lavouras acabam sendo descarregados e processados tardiamente, ao fim da operação.

Bonato relata que as empresas já estão em negociação com um grupo produtor de grande porte para testar as novidades já na próxima safra. “É um cliente tecnificado, que já tem um padrão de tecnologia de Agro 4.0. Agora, vamos levá-lo à definição do Ministério da Agricultura para o Agro 5.0, que é a capacidade de reação em tempo real para correção de falhas na operação”, conta. “Queremos levar a latência [tempo entre o envio de informações e o recebimento] a algo próximo de zero, bem baixa. Com o 5G, essas aplicações vão se tornar viáveis. Poderemos enviar imagens e vídeos em tempo real ao centro de controle”, complementa Barbosa.

Fonte: Valor Econômico.

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