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JBS vê cenário favorável para todos os negócios nos próximos meses

Maior companhia de alimentos do mundo, a JBS projeta um crescimento sólido nos próximos seis meses, assim como no primeiro trimestre, em boa medida graças à forte demanda global por proteínas. No início do ano, a companhia entregou um lucro líquido de US$ 5,1 bilhões, 155% superior ao do intervalo entre janeiro e março de 2021, em um cenário de custos mais altos em alguns mercados.

Os Estados Unidos foram fundamentais, mais uma vez, para o negócio dos irmãos Batista. Mas, em teleconferência com analistas nesta quinta-feira, o CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, disse que houve resultados positivos em todas as operações — até na Seara, que tenta driblar o aumento de preços de milho e farelo de soja, insumos que representam mais de 70% do custo de produção da avicultura e da suinocultura no Brasil. 

No país, a companhia também lida com as consequências da inflação, que derrubou o consumo de carne bovina aos níveis mais baixos da história. Porém, com atuação nas três proteínas animais mais importantes, a empresa conseguiu atrair consumidores que migraram para produtos mais acessíveis. “Quando temos um ciclo mais desafiador em algum mercado, a diversificação permite compensá-los”, frisou Tomazoni. 

De janeiro a março, a receita líquida da JBS Brasil cresceu 24,2% em relação ao primeiro trimestre de 2021, para R$ 14,3 bilhões. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado cresceu 85,4%, para R$ 438,2 milhões. A margem Ebitda ficou em 3,1%, com crescimento de 1 ponto percentual. 

Já o faturamento da Seara foi de R$ 9,5 bilhões, cerca de 21% a mais no comparativo anual. O Ebitda ficou positivo em R$ 616,2 milhões, mas caiu 33,9% em relação ao mesmo período do ano passado. A margem Ebitda foi de 6,5%, em queda de 5,4 pontos percentuais. 

“Estratégia foi consistente” 

“Foi um começo de ano bem mais difícil, mas conseguimos fazer um repasse importante de preço e crescer em volume. Mesmo nesse cenário desafiador, a nossa estratégia foi consistente”, afirmou o CEO para a América Latina, Oceania e do negócio de plant-based, Wesley Batista Filho. “Mantivemos nosso plano de produção de curto e longo prazo; não houve queda nos volumes”, reforçou. 

Na semana passada, a BRF, que compete com a Seara no mercado brasileiro de frangos e suínos, informou que readequou sua cadeia produtiva para se adaptar a uma realidade de demanda diferente da prevista anteriormente. “Estamos bem otimistas quanto a continuar crescendo e ganhar mercado. Suíno continua sendo um desafio, mas acreditamos em uma recuperação relevante”, disse Wesley Batista Filho. 

A disponibilidade de gado na Austrália continua bem aquém do que é considerado normal, mas melhorou, e isso se refletiu nos números da JBS. A receita da operação no país cresceu 20,2%, para R$ 7,4 bilhões. O Ebitda saltou 398%, para R$ 445,2 milhões, e a margem Ebitda ficou em 6%, um aumento de 4,6 pontos percentuais.

“Quando a gente olha o ciclo de gado na Austrália, que está em reconstrução desde o ano passado, vemos a retenção de matrizes, que cria um problema de disponibilidade de gado no curto prazo, mas é uma ótima notícia para 2023 e 2024”, diz o CEO para a região. 

Mas, como mencionado, foram os negócios nos EUA — comandados por André Nogueira — que puxaram os resultados globais. A demanda aquecida continua sendo o pilar de crescimento da operação, em meio ao aumento do preço do gado. “Nos próximos meses, veremos margens menores em relação ao ano passado, mas bastante razoáveis em relação à história da companhia. Anos após ano, estamos batendo os nossos concorrentes com diferenças significativas”, disse. 

A receita da JBS Beef foi 21,7% maior, totalizando R$ 29 bilhões. O Ebitda do trimestre chegou a R$ 4,1 bilhões, em alta de 56%, e a margem Ebitda ficou em 14,2%, um aumento de 3,1 pontos percentuais. 

A USA Pork teve receita de R$ 9,9 bilhões (+13,2%), Ebitda de R$ 1,2 bilhão (+20,1%) e margem Ebitda de 12,4% (0,7 ponto percentual a mais). A Pilgrim’s Pride faturou R$ 22,2 bilhões, com Ebitda de R$ 3,2 bilhões e margem Ebitda de 14,5%. 

A JBS acredita que a demanda chinesa por carne seguirá firme, a despeito dos lockdowns para conter a covid-19. Mas, no caso de suínos e frangos, será um “importador situacional, mas não estruturalmente”, disse Tomazoni.

Fonte: Valor Econômico.

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