JBS tem resultado operacional recorde, mas fica no vermelho

A melhora dos negócios no Brasil e as condições favoráveis à produção de carne bovina nos EUA levaram a JBS, maior empresa de proteínas animais do mundo, a registrar o melhor desempenho operacional trimestral de sua história. A performance de julho a setembro só não se traduziu em um lucro líquido devido ao impacto de R$ 2,4 bilhões (sem efeito sobre o caixa) da adesão da empresa ao Refis do Funrural, informou ontem a companhia em balanço.

Contabilmente, a JBS registrou prejuízo líquido de R$ 133,5 milhões no terceiro trimestre. No mesmo período de 2017, teve lucro de R$ 323 milhões. Não fosse o Refis do Funrural e o impacto da variação cambial sobre o valor da dívida (também sem efeito no caixa), a companhia teria lucrado R$ 2,135 bilhões. No terceiro trimestre, gerou R$ 2,3 bilhões em caixa livre, e voltou a reduzir o índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda) – de 3,47 vezes, no fim de junho, para 3,38 vezes em setembro.

Na área operacional, a JBS reportou lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de R$ 4,4 bilhões, um recorde. Trata-se de um incremento de 2,6% ante os R$ 4,3 bilhões do mesmo intervalo do ano passado. A margem Ebitda ajustada atingiu 9% no terceiro trimestre, ainda abaixo dos 10,5% registrados um ano antes.

Em vendas, a JBS também teve expansão. No terceiro trimestre, sua receita líquida aumentou 20% na comparação anual, para R$ 49,4 bilhões. Em bases anualizadas, isso significaria quase R$ 200 bilhões.

Em grande medida, o resultado recorde se deveu ao Brasil, onde a JBS teve sensível melhora e ajudou a minimizar as dificuldades enfrentadas na controlada Pilgrim’s Pride, empresa de frango dos EUA que sofre com a ampla oferta e fraca demanda. De certo modo, os americanos preteriram o frango em favor das carnes vermelhas, o que não deixa de ajudar a JBS em outra frente. O negócio de carne bovina nos EUA, o mais importante da companhia, registrou Ebitda de US$ 446,7 milhões, alta de 10,3% na comparação anual. A margem subiu de 7,3% para 8,2%.

No terceiro trimestre, a divisão JBS Brasil – que contempla os negócios de carne bovina e couros – viu seu Ebitda ajustado aumentar em quase dez vezes, de R$ 72,5 milhões no terceiro trimestre de do ano passado para R$ 712,2 milhões. A margem Ebitda ajustada da divisão superou 10%, ante margem de 1,4% vista um ano atrás.

A melhora da JBS Brasil reflete o salto dos abates neste ano, o que consolida a recuperação da empresa em seu mercado de origem – a carne bovina. Entre julho e setembro, os abates nos frigoríficos da JBS no Brasil cresceram 29,3%. No ano passado, a empresa restringiu fortemente os abates em reação à delação premiada dos irmãos Batista. Nesse cenário, a receita líquida aumentou 37,2% na comparação anual, a R$ 7 bilhões.

No Brasil, também houve melhora na Seara, subsidiária que reúne os negócios de frango, suínos e alimentos processados. Em relatório, a JBS destacou o aumento de preços da Seara ao longo do terceiro trimestre. Nesse cenário, o Ebitda da Seara aumentou 0,7% ante o mesmo período do ano passado, a R$ 512,1 milhões. A margem Ebitda da Seara ficou em 10,3%, bem acima dos 5,5% registrados no segundo trimestre (quando a empresa sofreu com a greve dos caminhoneiros), mas ainda abaixo dos 11,1% do terceiro trimestre de 2017.

Confira os resultados.

Fonte: Valor Econômico e JBS.

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