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JBS firma acordo de R$ 3 bi para exportar mais carne bovina à China

Em uma indicação de que os pedidos de descontos e renegociação de contratos com os importadores chineses são apenas uma “engasgada” do mercado de carne bovina do país asiático, a JBS assinou um acordo com o gigante chinês WH Group para exportar volumes expressivos.

Em negociação há pelos menos três anos, o acordo prevê exportar o equivalente a R$ 3 bilhões anuais de carne bovina a partir das unidades da Friboi, divisão de negócios que abrange as operações de bovinos e derivados da JBS no Brasil e que fatura cerca de R$ 30 bilhões por ano. No país, são 37 abatedouros — sete autorizados a vender à China.

Em entrevista ao Valor, o presidente da Friboi, Renato Costa, ressaltou a relevância do acordo, mesmo para uma companhia do porte da JBS. A parceria com o WH Group tem potencial para representar 12 mil toneladas de carne bovina exportadas por mês. É mais de 10% do que todos os frigoríficos brasileiros exportaram à China em dezembro, mês de venda recorde — 83,5 mil toneladas, conforme dados da Secretária de Comércio Exterior (Secex). As primeiras cargas ao WH Group devem ser despachadas em março.

Embora ainda tenha atuação tímida no negócio de carne bovina, o WH Group é um peso pesado na indústria de proteína. Com receita líquida de US$ 22 bilhões, o grupo é o maior produtor global de carne suína. Nos Estados Unidos, é dono da Smithfield, adquirida em 2013 por US$ 7,1 bilhões. Na China, principal consumidora mundial de carne de porco, controla a Shuanghui. No passado, o grupo chinês chegou a sondar frigoríficos brasileiros de médio porte para uma aquisição, mas as tratativas não evoluíram.

De acordo com Costa, a parceria dará ao WH Group maior constância no fornecimento de carne. Até então, os chineses compravam carne do Brasil no mercado spot, mas os volumes demandados só fazem sentido em um contrato estruturado, agora viabilizado pela Friboi.

Com o acordo, a JBS terá acesso a uma base ampla de clientes. Conforme o presidente da Friboi, o WH Group conta com 60 mil pontos na China. Inicialmente, o acordo abarcará carne bovina, mas a ideia é que a Seara, divisão que reúne os negócios de frango no Brasil, também se beneficie da parceria — os chineses são consumidores vorazes de pé de frango.

Perguntado pelo Valor, o presidente da Friboi evitou fazer comentários sobre o movimento de renegociação de contratos capitaneado por importadores de carne da China. Costa frisou apenas que a Friboi tem um relacionamento de longo prazo com os clientes do país asiático e que, sazonalmente, a demanda da China volta a ganhar fôlego após as festividades do Ano Novo Lunar.

O executivo também foi cauteloso quando abordado sobre o eventual impacto do coronavírus no país asiático — a preocupação dos investidores contaminou o mercado financeiro global. Na B3, o Ibovespa caiu 3,29% nesta segunda-feira. As ações da JBS, assim como a dos demais frigoríficos listados na bolsa, registraram forte desvalorização. Os papéis da JBS recuaram 6,83%, para R$ 27,30. A China e Hong Kong respondem por pouco mais 27% das exportações globais da empresa brasileira.

Em meio às dúvidas de curto prazo, a tacada da JBS na China reforça a crença da companhia na demanda chinesa no médio e longo prazo. Afora os reflexos da epidemia de peste suína africana, que já fizeram a importação de carne pelos chineses disparar, a avaliação da JBS é que a demanda do país asiático só tende a crescer, especialmente devido às mudanças de hábitos e à urbanização da China.

Para conhecer melhor o consumidor do país asiático, a JBS conta com uma equipe de mais de 15 pessoas no escritório de Xangai, conforme Costa. No ano passado, a Friboi lançou a marca de carne bovina Grain Valley, dedicada à China. A companhia brasileira também enviou funcionários das áreas de pesquisa e desenvolvimento ao país asiático para aprimorar os cortes.

Fonte: Valor Econômico.

This post was published on 28 de janeiro de 2020

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Equipe BeefPoint

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