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Interações entre a nutrição e a eficiência reprodutiva em bovinos de corte – Novos enfoques

As relações entre o “status” nutricional e os índices reprodutivos em bovinos é um tema que vem sendo abordado a bastante tempo por diversos grupos de pesquisa no mundo. Porém, como o metabolismo animal tem uma infinidade de inter-relações, mecanismos de controle das suas atividades e, além disso, a extrema especificidade dos hormônios possibilita várias formas de estímulo ou inibição da atividade reprodutiva em bovinos.

Dentro desse tema, novos enfoques têm sido dado a atuação de algumas substâncias interferindo diretamente na ação dos hormônios responsáveis pela reprodução. Dessa maneira, colocam-se novas possibilidades de interação entre a nutrição e a reprodução, além do “status” nutricional. É sabido que tanto a ‘”subalimentação” como a “superalimentação” afetam negativamente a reprodução nos bovinos, sendo o balanço energético negativo o fator de maior impacto nos sistemas de produção de bovinos de corte baseados em pastagens. No caso do Brasil, o impacto negativo da entrada de matrizes com baixa condição corporal na estação de monta em relação as taxas de prenhez e nascimentos fica em torno de 10%, sendo significativo para a produção final de bezerros.

Com o objetivo de diminuir os impactos da seca sobre a condição corporal das matrizes, muitos produtores utilizam a suplementação protéica como forma de atenuar as deficiências nutricionais desses animais no período de seca, continuando essa suplementação durante o pós parto. Esse tipo de manejo, não só é indicado como possibilita ótimos resultados em relação às taxas de prenhez do rebanho na estação de monta seguinte. É válido lembrar que, em qualquer situação, a relação custo/benefício da suplementação deve ser avaliada, bem como o melhor momento a se aplicar tal manejo. Porém, a falta de balanceamento desses suplementos pode ter um efeito contrário e levar à alterações metabólicas que prejudiquem o desenvolvimento embrionário e o estabelecimento da gestação. O uso excessivo da uréia como fonte de nitrogênio não protéico do suplemento pode levar ao aumento da concentração de amônia no líquido ruminal, corrente sanguínea e na luz uterina, levando a morte embrionária e queda nas taxas de prenhez. Outra situação que pode levar as mesmas ocorrências citadas acima é o desbalanço protéico energético do ambiente ruminal. Suplementos com grandes proporções de proteína e pouco carboidrato degradável no rúmen, levarão a aumentos da concentração de amônia ruminal e sanguínea.

Segundo Funston (2004), o uso de gordura em suplementos de fêmeas de corte, tem efeito direto nos índices reprodutivos, pela ação direta de alguns ácidos graxos. Essa ação direta se daria pela formação do ácido araquidônico, precursor de prostaglandinas. Porém, dependendo do ácido graxo presente, podemos ter a formação de prostaglandinas dienóicas ou trienóicas (PGF2alfa ou PGF3alfa). Diversos trabalhos de pesquisa mostram que os ácidos graxos podem atuar na reprodução através do aumento do número e tamanho de folículos, tamanho do corpo lúteo, qualidade de embriões e concentração de hormônios relacionados à reprodução.

A maior concentração de hormônios esteróides em resposta a suplementação lipídica ainda não está bem definida, podendo ser devido ao aumento da produção desses hormônios e/ou a diminuição do metabolismo dos mesmos. A teoria da diminuição do metabolismo dos esteróides é atualmente uma das mais discutidas para explicar as maiores concentrações de esteróides na suplementação lipídica (Sartori e Guardieiro, 2010).

Hawkins et al. (1995) citados por Sartori e Guardieiro (2010), avaliaram o mecanismo pelo qual a inclusão de gordura na dieta aumenta a concentração de progesterona circulante. A concentração de progesterona foi maior para as fêmeas tratadas, porém com concentrações luteais de progesterona similares entre os animais suplementados ou não, sugerindo não haver diferença na secreção total de progesterona.

Além dos aspectos relacionados às concentrações hormonais de progesterona circulante, existem os efeitos dos ácidos graxos sobre os embriões e sua fixação na parede uterina no início da gestação. Em relação ao embrião, tem-se os efeitos da suplementação lipídica sobre a qualidade do embrião e sua capacidade de produção do interferon t. Outra possibilidade de atuação dos lipídeos seria em relação ao ambiente uterino, possibilitando melhor desenvolvimento embrionário, queda da “reabsorção” embrionária e aumento das taxas de prenhez.

Diversos fatores nutricionais e/ou nutrientes estão sendo demonstrados como determinantes na ocorrência da reprodução, nos dando a possibilidade de interferirmos diretamente nos índices reprodutivos através da nutrição. Tal fato é extremamente importante, pois prova que, de alguma maneira, os nutricionistas tinham razão ao utilizar a famosa frase: “O cio entra pela boca”.

Referências bibliográficas:

FUNSTON, R.N. Fat supplementation and reproduction in beef females. J. Anim. Sci., v. 82, p. 154-161, 2004.

SARTORI, R.; GUARDIEIRO, M.M. Fatores nutricionais associados à reprodução da fêmea bovina. Rev. Bras. Zootec., V. 39, p. 422-432, 2010.

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  • Olá Fernanado, tudo bem?
    As pesquisas ainda não determinaram exatamente qual o AG ou os AG´s responsaveis pelas respostas em relação a reprodução, porém sabemos que as respostas aparecem na presença de polinsaturados, C3 e C6.

    Forte abraço.

  • Dr. Andre, parabens pois o assunto é de bastante relevancia; Quais são os lipidios ou gorduras usadas nas misturas que dão maior resultados na produção desses hormonios que interferem nos indices reprodutivos e na diminuição da reabsorção??

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