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Influente, coalizão ambiental ganha novo reforço de empresas

A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, que se define como “o maior exercício multissetorial que existe hoje no Brasil” no debate do enfrentamento à crise climática, ganhou o reforço de três importantes nomes: o grupo Pão de Açúcar, a Abiove -entidade que reúne os processadores de soja no país-, e a Precious Wood, referência global no manejo de madeira. Com estes são 275 membros do agronegócio, setor financeiro, sociedade civil e academia, o maior número desde a formação do movimento, em 2015, o que indica que a Coalizão se tornou uma importante força política rumo à economia descarbonizada. 

Em 2020 a Coalizão participou de ações em torno da Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais, pauta que tramitou 13 anos no Congresso e foi sancionada em janeiro. Apresentou um plano de ações estratégicas para reduzir o desmatamento e revelou preocupação com a revisão da meta climática brasileira encaminhada à ONU, entre outras manifestações. Em outubro ganhou a adesão dos três maiores bancos do país, Santander, Bradesco e Itaú Unibanco. 

A força política da Coalizão ficou clara em dezembro de 2019, quando foi protagonista de uma controvérsia. À véspera da rodada de negociação climática, a CoP 25, em Madri, seis entidades do agronegócio saíram do movimento. Era um momento de crise entre o agronegócio mais progressista e a ala conservadora do setor menos envolvida com questões socioambientais, situação tensionada pelas posições defendidas pelos ambientalistas. À época a imprensa noticiou que a saída teria sido provocada por pressões de Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente e chefe da delegação brasileira em Madri. Salles negou a tentativa de esvaziar a entidade. 

“Temos compromisso com a sustentabilidade e a Coalizão é o espaço para avançarmos nisso”, diz André Nassar, presidente da Abiove. “A Coalizão ganhou muita relevância e se tornou um fórum com importância reconhecida no mundo todo.” Em 2020 investidores internacionais, varejistas e consumidores europeus começaram a pressionar o Brasil para conter o desmatamento da Amazônia e as queimadas. “Passamos a ser muito mais vocais. Precisávamos. Entendemos o tamanho do risco que estamos correndo”, segue Nassar. 

“A Coalizão defende todos os princípios de sustentabilidade em que acreditamos e busca metas que defendemos de redução do desmatamento, do combate ao comércio ilegal de madeira, de criação da bioeconomia”, resume o engenheiro florestal Jeanicolau Simone de Lacerda, assessor do grupo suíço Precious Wood no Brasil. “Uma posição da Coalizão não é só de ONGs ou só de empresas. Tudo tem base técnica”, continua.

“Estamos trabalhando há algum tempo com cadeias de valor da carne e de óleo de palma, com foco na conservação de biomas e no combate ao desmatamento”, diz Susy Yoshimura, diretora de sustentabilidade do Grupo Pão de Açúcar (GPA). “Questões complexas têm soluções complexas e precisam de posições debatidas com diversos setores”, segue. Ela diz que a empresa tem controle da origem da carne dos frigoríficos e das fazendas diretas. “Mas temos que avançar mais. Por isso a importância de participar de um organismo como este, multisetorial”. 

“São nomes muito significativos”, celebra os novos membros Marcello Brito, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e co-facilitador da Coalizão junto com Rachel Biderman, vice-presidente da Conservação Internacional (CI). 

As posições da Coalizão são aprovadas depois de alcançar consenso de grupos com posicionamentos diversos e às vezes opostos. Há discussões constantes de temas relacionados à economia de baixo carbono em câmaras técnicas. Propostas de políticas públicas são sugeridas a funcionários de governos. A Coalizão tem hoje 53 empresas, 77 ONGs, 17 representantes da Academia, 14 escritórios de advocacia, 16 associações do setor privado entre outros

Fonte: Valor Econômico.

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