Categories: Reprodução

Impacto da IATF na eficiência reprodutiva de vacas de corte

A eficiência produtiva em fazendas de cria está vinculada a produção de bezerros e está ligada à performance reprodutiva do rebanho. Com base nessa afirmativa, neste mês iremos apresentar outros resultados interessantes que foram mostrados na última reunião anual da Sociedade Brasileira de Tecnologia de Embriões (SBTE-2008; Penteado et al., 2008).

No referido trabalho, os autores objetivaram avaliar a performance reprodutiva de vacas de corte submetidas somente à monta natural ou à inseminação artificial em tempo fixo (IATF) no primeiro dia a estação de monta (EM), seguida de repasse de touros (monta natural). Para isso, foram utilizadas 1071 vacas de corte paridas durante os meses de agosto a novembro de 2007. Os animais foram subdivididos em lotes, de acordo com os meses de parição. Após a formação de cada lote (total de 7 lotes), os mesmos foram mantidos fixos até o final da EM de 150 dias (nas mesmas condições de manejo e sendo as fêmeas cobertas pelo mesmo grupo de touros).

Foi considerado como primeiro dia da EM (EM-0) 30 dias após o último parto do lote, ocorrido dentro de cada mês, ou seja, o período pós-parto de cada lote variou entre 30 e 60 dias pós-parto. No EM-0 as fêmeas foram subdividas ao acaso em dois grupos experimentais (G-TOURO ou G-IATF) e foram introduzidos 5% touros (1/20) em relação ao lote. Ainda no EM-0, as fêmeas do G-IATF (n=453) receberam um implante auricular contendo 3 mg de Norgestomet associado a 5 mg de Valerato de estradiol i.m. (Crestar®, Intervet, Holanda). Nove dias após (EM-9), os animais desse grupo tiveram o implante auricular removido, administrou-se 300 UI de eCG (Folligon, Intervet, Brasil). Neste mesmo momento (D8), os touros foram removidos de ambos ao grupos.

A IATF foi realizada 54 horas após a remoção do implante auricular. Cinco dias após a IATF, os touros foram novamente introduzidos nos lotes, sendo que, a partir desse momento, as fêmeas foram mantidas com touros até o final da EM. Os animais do G-TOURO (n=618) não receberam tratamento adicional. No EM-70, a concentração de touros foi reduzida para 3,33% (1/30) em todos os lotes (G-TOURO e G-IATF), sendo mantida nessa concentração até o final da EM.

Para a realização da avaliação da taxa de prenhez à IATF, da estimativa do momento da concepção na monta natural e da taxa de prenhez ao final da EM, foram realizados exames ginecológicos com auxílio de ultra-som aos 41 (30 dias após a IATF), 70 e 180 dias após o EM-0 (Figura 1).

Figura 1. Diagrama esquemático das atividades realizadas durante a estação de monta de vacas submetidas à monta natural ou à IATF com repasse de touros

A taxa de prenhez média à IATF foi de 50,3% (228/453). As taxas de prenhez ao EM-11, EM-40, EM-70 e EM-180 estão apresentadas no gráfico 1. O intervalo entre o EM-0 e a prenhez foi de 28,7±1,5 dias para o G-IATF e de 38,4±1,3 dias para o G-TOURO (PGráfico 1. Taxa de prenhez de fêmeas de corte dos grupos G-IATF (n = 453) e G-TOURO (n = 618), de acordo com o momento do diagnóstico da gestação na estação de monta

Os autores concluem que o estabelecimento de programas de IATF no início da estação de monta, além de possibilitar o emprego da inseminação artificial com elevada taxa de serviço e satisfatória taxa de concepção, antecipa a prenhez na estação de monta, bem como diminuí o intervalo entre partos de vacas de corte.

Assim, podemos verificar que o uso da IATF no início da estação de monta se mostra como uma ferramenta bastante interessante, uma vez que possibilita boa eficiência reprodutiva dos animais (semelhante à com touros) e, ainda, de possibilitar o uso da IA como instrumento de melhoramento genético. Essa mesma eficiência não pode ser observada quando se utiliza a IA convencional, já que a ineficiência da detecção de cio se coloca como um grande empecilho a essa tecnologia.

This post was published on 29 de outubro de 2008

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  • Sou médico veterinário, trabalho em fazenda de gado de corte (cria, recria e engorda), estou implantando um programa de inseminação em tempo fixo, inicialmente trabalharemos com 150 fêmeas. Todas foram bem avaliadas e estão na escore adequada para a efetivação do trabalho.

    Quero saber qual o protocolo mais indicado no caso de não sabermos a situação fisiológica reprodutiva de todas as fêmeas, e a indicação para as primíparas.

    Obrigado

  • Prezado luis domingos silva moreno

    Você se decidiu a trabalhar com um numero relativamente alto de animais para uma primeira tentativa em uma fazenda que nunca realizou IATF.

    Sabemos, que se você demorar 1 (um) minuto por vaca, ou seja, desde que a vaca entre até ela sair do brete após a inseminação, este processo levará aproximadamente 2,5 a 3 horas de serviço. Porém aconselho você iniciar um grupo menor de animais, por exemplo dois lotes de 75 animais cada, para poder desta maneira realizar a inseminação sem correria e com margem de segurança na quesitão tempo, pois você não possui histórico de realização de IATF nesta propriedade. Porém após este primeiro contato você poderá alterar o não o número de animais inseminados em um único dia a partir dos resultados obtidos.

    Quanto ao protocolo, existem diversos protocolos a ser utilizados, porém lhe aconselho a utilizar a eCG, pois este fármaco é indicado para ser usado em primíparas.

  • Estamos implantando essa nova tecnica em nossa propriedade aqui no TO, vamos fazer IATF em 1600 animais, divididos em lotes de 120 cb +/-, são 480 novilhas nelores, 1000 primiparas e 120 vacas paridas do mês 12, vamos usar um protocolo da pfzer pois temos uma parceria com a empresa, no entanto já temos relatos que o cider não é recomendado 1º uso em novilhas, o Sr. pode me explicar o motivo por dar mais resultado na reutilização do implante, obrigado pela atenção e fico aguardando!

  • Prezado Jean Pereira Tavares,

    Novilhas Nelore são sensivies a altas concentrações de progesterona, assim ao utilizarmos um dispositivo de progesterona com 1.9 g de progesterona estaremos "bloqueando" este animal.

  • Por motivos alheios tive que atrasar a retirada do implante de progesterona em meio período, e continuei o protocolo, ao conversar com um técnico, o mesmo me recomendou aumentar o volume de cipionato de estradiol de 0,3ml para 0,5ml.

    Você poderia me ajudar com relação a isto?

    Att.

  • Prezado Wyllian Tosta Lima,

    Esta é a linha de pesquisa de um orientado do Professor Pietro Baruselli, infelizmente ainda não possuimos a resposta exata para esta questão. Pois os resultados prévios apresentam diferenças dependendo do tipo de fonte de progesterona, número de usos, assim por diante.

  • Jose Antonio Pinguelo
    Estudante do Curso Tecnico de Pecuaria da ETC. P. Prudente-SP

    Sou al. do curso tecnico da Etc, em P.Prudente, curso este de grande valia a quem pretenda tornar-se um tecnico em pecuária quer seja de corte ou leiteira, sempre tive interesse em tornar-me um profissional na area de insiminação, acredito na IATF, como tecnica para alavancar ainda mais a pecuária brasileira,pretendo como tecnico tornar-me um profissional nesta area, embora minha região seja mais voltada para a agricultura. E bom termos como aliado empresas voltadas para o apoio tecnologico, espero contar com voces em futuro bem proximo.

    atenciosamente

    Jose Antonio Pinguelo.

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