Governo russo aloca bilhões para apoiar exportadores de carne

A Rússia está pronta para destinar 406 bilhões de rublos (US $ 6,5 bilhões) a produtores agrícolas na forma de empréstimos flexíveis nos próximos cinco anos para apoiar as exportações de carne, disse o vice-ministro da agricultura russo, Sergey Levin. Falando durante uma conferência de imprensa em Moscou, Levin observou que
o objetivo era aumentar o valor global das exportações de carne.

Em 2018, a Rússia exportou 289 mil toneladas de carne, um aumento de 19% em relação ao ano anterior, segundo estimativas do Instituto Russo de Estudos do Mercado Agrícola IKAR. Em termos de valor, as exportações cresceram mais de 30%, chegando a US $ 416 milhões.

Os mercados-alvo da carne russa são a China, o sudeste da Ásia, a África e o Oriente Médio, disse Levin. Por outro lado, a situação epizoótica complicada no país continuou a ser um problema que precisava ser resolvido, antes que qualquer aumento nas exportações pudesse ser possível, destacou Levin.

Lyubov Savkina, diretor comercial da consultoria russa EMEAT, disse que, com o dinheiro prometido recentemente, o governo russo planejava construir vários centros de distribuição com uma capacidade total de 410.000 toneladas. Esses centros poderiam coletar e manusear produtos de carne destinados a exportações de empresas russas.

Savkina disse que isso seria uma grande ajuda para os exportadores, mas admitiu que o governo precisava erradicar a peste suína africana (ASF) e a gripe aviária, a fim de possibilitar qualquer aumento nas exportações de carne.

No entanto, o problema para os produtores de carne é que, se aceitarem os empréstimos de investimento orientados para a exportação, prometidos pelo governo russo, não teriam outra alternativa senão aumentar a oferta de exportação.

“O principal problema com os empréstimos de investimento orientados para a exportação é quase um compromisso obrigatório do investidor em atingir as metas de exportação estabelecidas em volume ou valor”, disse Albert Davleyev, presidente da agência de consultoria russa Agrifood Strategies.

“Considerando muitas variáveis ​​e riscos, como a situação financeira instável, as flutuações cambiais, as disputas comerciais e os riscos políticos, muitas estratégias orientadas para a exportação se tornariam vulneráveis ​​e poderiam deter os investidores sérios de tais compromissos”.

Por outro lado, embora a peste suína africana tenha quase se tornado endêmica na Rússia, o número de surtos e sua escala vêm diminuindo constantemente nos últimos anos, graças a medidas veterinárias efetivas, disse Davleyev. Por exemplo, no ano passado, a agência de vigilância russa Rosselkhoznadzor registrou apenas 105 surtos de peste suína africana no país, quase duas vezes menor do que no ano anterior, calculou Rosselkhoznadzor.

“É necessário um grande esforço da Rosselkhoznadzor para provar aos parceiros comerciais da Rússia que as exportações de áreas livres de peste suína africana não representam ameaças injustificadas. O território da Rússia é tão grande que não faz sentido proibir as importações de todo o país, não apenas em termos de peste suína, mas também para influenza aviária, febre aftosa, Newcastle e outros animais e doenças de aves”, disse Davleyev.

Como resultado, o que os exportadores de carne russa precisam ainda mais do que dinheiro são os programas de regionalização e de compartimentalização em nível federal, afirmou Davleyev.

Fonte: GlobalMeatNews.com, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

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