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Governo define novas metas ambientais da agropecuária

O Ministério da Agricultura definiu as novas metas que o setor agropecuário brasileiro vai perseguir nesta década para colaborar com a mitigação e a adaptação às mudanças climáticas do planeta. O objetivo do Plano ABC+, que será lançado hoje pela ministra Tereza Cristina, é evitar a emissão de 1,1 bilhão de toneladas de CO2 equivalente até 2030.

O governo incentivará práticas e tecnologias sustentáveis em 72,68 milhões de hectares adicionais, a ampliação do tratamento de 208,4 milhões de metros cúbicos de resíduos animais e o abate de 5 milhões de cabeças de gado em terminação intensiva.

Atualizado, o plano será um dos principais elementos da apresentação que o governo brasileiro fará à Conferência das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas (COP 26), em novembro. O governo exibirá amostras dos resultados alcançados na primeira fase (2010-2020) e as metas “ambiciosas” para os próximos anos.

“Poucos países têm uma política tão ambiciosa. Temos uma das maiores áreas de preservação do mundo, computada e monitorada, toda ela com sistemas produtivos sustentáveis. Isso é algo bastante ambicioso e efetivo em questão de uso da terra e de produtividade”, disse a coordenadora de Mudanças Climáticas, Florestas Plantadas e Agropecuária Conservacionista da Pasta, Fabiana Villa Alves.

Segundo ela, o ABC+ é uma das únicas políticas públicas baseada na ciência. Sistemas irrigados e a terminação intensiva de bovinos, como o confinamento, foram as tecnologias incorporadas nesta etapa. As escolhas foram feitas com lastro científico, reforça, sobre os efeitos mitigadores e adaptadores, além da resiliência, sustentabilidade ambiental e social e rentabilidade econômica comprovadas. “Todas as tecnologias trazem aumento de produtividade, que gera o efeito poupa-terra, para produzir mais em menos área”.

O ministério também incluiu as hortaliças no rol do sistema de plantio direto. A medida busca atender a agricultura familiar e gerar um impacto social, parte do tripé de sustentabilidade defendido pelo governo. Outra novidade é o estímulo ao uso de bioinsumos.

As novas categorias serão apoiadas pelo programa de crédito do Plano Safra. Elas terão uma janela de oportunidades para o financiamento com títulos verdes e pagamentos por serviços ambientais.

Os 72,68 milhões de hectares adicionais pretendidos pelo ABC+ (equivalente a duas vezes a área do Reino Unido) estão divididos entre recuperação de pastagens degradadas (30 milhões de hectares), plantio direto (12,6 milhões de hectares), sistemas integrados, como lavoura-pecuária-floresta e agrofloresta (10,1 milhões de hectares), florestas plantadas (4 milhões de hectares), irrigação (3 milhões de hectares) e uso de bioinsumos (13 milhões de hectares).

De 2010 a 2020, mais de 50 milhões de hectares adotaram as seis tecnologias incentivadas pelo ABC mais o programa de adaptação, que agora será transversal. “As mudanças do clima já aconteceram. Temos que ter sistemas adaptados para produzir mais”, comenta. “O agronegócio brasileiro é uma das vítimas das mudanças climáticas, apesar de ser apontado como vilão, mas tem a oportunidade de ser parte da solução”, aposta a coordenadora. A nova fase do programa também mira a abordagem integrada da paisagem (AIP).

O ABC+ terá revisões a cada dois anos, quando novas tecnologias poderão ser incorporadas e as metas, redefinidas. A gestão será descentralizada, com a participação de grupos estaduais e do setor produtivo. Monitoramento e governança devem evoluir, se possível para um sistema informatizado, retroalimentado em tempo real com dados captados por satélites e drones, por exemplo.

Fonte: Valor Econômico.

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