Gestora Salic tem interesse em fatia da BRF na Minerva

A Saudi Agriculture and Livestock Investment (Salic), gestora de recursos do reino da Arábia Saudita, está interessada na aquisição da fatia de 6,79% que a BRF detém na Minerva Foods, apurou o Valor. O interesse da gestora saudita, que já é a segunda maior acionista do frigorífico brasileiro, pode ser uma saída positiva para todos lados envolvidos.

Desde meados do ano, as ações da Minerva têm sofrido forte pressão, em grande parte relacionada a especulações sobre a saída da BRF de seu capital. De fato, a dona de Sadia e Perdigão já se desfez de uma fatia relevante durante o mês junho, reduzindo a fatia na Minerva de 11,6% para os atuais 6,79%. No entanto, a BRF já admitiu que a participação minoritária que ainda detém poderá ser vendida como parte do plano de resgate anunciado em junho pelo CEO, Pedro Parente.

Com o negócio direto com a Salic, a BRF conseguiria um prêmio sobre a atual cotação das ações da Minerva, segundo uma fonte a par do assunto. Considerando o preço de fechamento dos papéis da Minerva ontem (R$ 6,45), a participação da BRF na empresa vale R$ 98,1 milhões.

Para os atuais acionistas da Minerva, o negócio entre Salic e BRF representaria alívio na medida em que especulações sobre movimentos de venda por parte da BRF cessariam. No acumulado do ano, as ações da Minerva caíram 37,4%. No pregão de anteontem, por exemplo, os papéis da Minerva caíram mais de 7%, na esteira da divulgação do prejuízo no segundo trimestre e da elevação do índice de alavancagem, que saiu de 4,5 vezes em 31 de março para 5 vezes em junho.

Em meio à repercussão do balanço da Minerva, houve quem acreditasse que a BRF estivesse se desfazendo de ações da empresa.

Para que a negociação entre Salic e BRF ocorra, a Minerva precisaria alterar o estatuto, flexibilizando a cláusula de proteção à dispersão acionária – a chamada “pílula de veneno” (poison pill). Mudanças no estatuto precisam do aval dos acionistas. Procurada, a BRF não comentou. A Minerva e a Salic não responderam até o fechamento desta edição.

Conforme artigo 46 do estatuto da Minerva, o acionista que atingir mais de 20% do capital da empresa precisa fazer uma oferta por todas os papéis da companhia. Atualmente, a Salic já tem mais de 20% das ações da Minerva, mas apenas porque que a empresa brasileira cancelou, em março deste ano, ações que estavam em tesouraria. Desconsiderando o efeito do cancelamento, que não dispara a pílula de veneno, a Salic deteria 19,9%.

Com a compra das ações que a BRF detém, a participação da Salic na Minerva atingiria 28,19%, fatia ligeiramente inferior à da VDQ Holdings, veículo por meio do qual a família Vilela de Queiroz controla a Minerva. Conforme o último formulário de reverência protocolado na CVM, a VDQ tinha 28,22% das ações da Minerva.

Ontem, as ações da Minerva recuaram 3,3% na B3, negociadas a R$ 6,45. O Ibovespa, por sua vez, registrou queda de 0,48%. As ações da BRF também tiveram forte baixa. Os papéis da dona de Sadia e Perdigão caíram 3,06% no pregão de ontem a R$ 21,84. A BRF divulgará o balanço com os resultados dos segundo trimestre hoje, antes da abertura do mercado. A expectativa dos analistas é que a empresa reporte prejuízo expressivo em razão da tempestade perfeita que a atingiu neste ano.

Fonte: Valor Econômico.

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