Forragem suplementar: faça a escolha correta para o seu rebanho

A utilização de forragens suplementares está além da necessidade de fornecimento de alimentos durante o período da estacionalidade de produção das plantas forrageiras. Com a intensificação dos sistemas de produção de leite ou de carne, a utilização de forragem suplementar visa o suprimento adequado de nutrientes para os animais, a fim de possibilitar desempenho satisfatório e também menor dependência do uso de alimentos concentrados. Existem várias formas de reservar alimentos para os animais, seja como cultura para uso in natura (diferimento das pastagens, capim-elefante, cana de açúcar, palma forrageira) ou como alimento conservado (silagem ou feno).

No Brasil, ainda que se respeitando as especificidades de cada região, os alimentos conservados constituem a maior parte da fonte de forragem suplementar. A ensilagem é o processo de conservação de forragem mais comumente utilizado, principalmente em propriedades produtoras de leite. Entre várias alternativas possíveis, o milho tem sido a cultura predominante para produção de silagem. Entretanto, a silagem de milho apresenta elevado custo de produção, somente sendo justificada quando produzida de forma tecnificada para resultar em forragem de alta qualidade.

Contudo, a escolha mais adequada pela fonte de forragem suplementar não é um processo simples e requer análise criteriosa das condições de produção e necessidades específicas para sua utilização. Nesse contexto, alguns aspectos devem ser observados, quais sejam:

Adaptação às condições de clima e solo de determinada região

As culturas do sorgo e do milheto são boas alternativas para confecção de silagem em regiões com índices de pluviosidade baixos. No Nordeste do País, por exemplo, mesmo com situação adversa (falta e má distribuição das chuvas) a cultura do milho ainda é a principal opção para ensilagem. Tal fato é principalmente devido aos aspectos culturais (tradição familiar em produzir o milho para grãos), juntamente com a carência de extensão rural. Em Pernambuco, a Empresa de Pesquisa Agropecuária (IPA) tem desenvolvido variedades de sorgo mais adaptadas às condições do semi-árido e mesmo assim, a silagem de milho prevalece entre os produtores. Dessa forma, a escolha inadequada da forrageira para a ensilagem, tem proporcionado resultados negativos, como: perda da cultura, baixa produção de MS/ha e péssima qualidade do material ensilado.

Produção de forragem por hectare (t MS/ha)

A cultura do sorgo também se destaca pela produção de MS/ha (13-15 t), sendo uma particularidade, a utilização da sua rebrota. Em condições adequadas de clima e fertilidade do solo, a rebrota pode alcançar cerca de 40% da produção do primeiro corte, ampliando o potencial de utilização da cultura.

A cana de açúcar apresenta um dos maiores potenciais de produção de MS/ha (cerca de 50 t). Além de ser sua colheita ideal na época seca de ano, a cana de açúcar possui cultivo fácil e de tradição no País.

Potencial de produção animal (nível de exigências nutricionais)

É sabido que as plantas forrageiras de clima tropical não suprem totalmente as demandas de energia e proteína de bovinos, principalmente aqueles de alto desempenho. Contudo, no tocante às silagens, reconhecidamente, a de milho possui maior valor alimentício e por isso mesmo, é mais indicada para alimentação de animais com elevado nível de exigências. Seguindo o mesmo raciocínio, tem-se que a silagem de sorgo é a que mais se aproxima do valor nutritivo da silagem de milho (cerca de 90%). Por essa razão, a silagem de sorgo tem sido indicada para animais de produção de leite e carne. A cana de açúcar foi muito recomendada para animais com produção mais discreta, contudo isto vem sendo modificado.

Consideram-se animais de baixo potencial de produção de leite aqueles com produção por lactação (305 dias) menor que 5.000 kg. Animais com produção entre 5.000 e 9.000 kg seriam de médio potencial. Finalmente, para produções acima de 9.000 kg por lactação, teríamos animais de alto potencial e, por conseguinte, alta demanda nutricional. Essa classificação não é um padrão fixo de identificação do potencial de produção, mas nos permite relacionar melhor o nível de exigências nutricionais com a forragem a ser utilizada. Seguindo tal definição, teríamos animais de baixo, médio e alto potencial, aqueles que apresentassem produção diária menor que 16,0 kg; até 30,0 kg e acima de 30 kg, respectivamente.

Normalmente, as recomendações técnicas para uso da cana de açúcar têm sido feitas para a alimentação de animais de baixa produção de leite, normalmente até 10 kg/dia. Alguns experimentos utilizando animais de médio potencial, embora tenham apresentado resultados satisfatórios, têm recomendado a cana de açúcar para vacas com produção inferior a 20 kg/dia. Um exemplo disso é encontrado no trabalho de Mendonça et al. (2004), que alimentaram vacas em lactação com dietas de relação forragem:concentrado de 60:40, sendo a silagem de milho ou a cana de açúcar como forragem exclusiva. A produção de leite foi de 22,0 e 19,2 kg para as vacas alimentadas com silagem de milho e com cana de açúcar, respectivamente. Entretanto, em um dos tratamentos cuja relação forragem:concentrado foi de 50:50, as vacas produziram 20,1 kg/dia com a cana de açúcar.

E o que dizer de vacas Holandesas de alta produção de leite, recebendo cana de açúcar como volumoso exclusivo? Essa resposta foi encontrada no trabalho de Corrêa et al. (2003), que avaliou o desempenho de vacas Holandesas alimentadas com silagem de milho ou com cana de açúcar, utilizando dietas com relação forragem:concentrado de 45:55. A cana de açúcar deprimiu o consumo (23,1 versus 21,5 kg/dia) e a produção de leite (34,4 versus 31,9 kg/dia). Os autores concluíram que a cana parece ser uma alternativa para alimentar grupos de vacas Holandesas durante fases da lactação nas quais a demanda nutricional não seja a máxima. Resultado como esse, onde vacas alimentadas com cana de açúcar suportaram produção de leite de até 32 kg/dia, nos condiciona a repensar os conceitos mais tradicionalistas com relação a utilização dessa forragem.


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