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Fatores associados à fertilidade de vacas de corte submetidas À IATF

A implantação de programas de inseminação artificial em tempo fixo (IATF) é uma abordagem organizada para aumentar o uso da inseminação artificial (IA) e melhorar a eficiência reprodutiva em rebanhos bovinos. Vários tipos de protocolos de sincronização de estro têm sido desenvolvidos e aplicados em programas de manejo reprodutivo comercial. No Brasil, os protocolos mais utilizados em gado de corte têm como base a utilização de uma fonte de progesterona associada ao estradiol no primeiro dia do programa. No artigo publicado no dia 30 de setembro de 2008, “Fatores associados à resposta ovariana e à fertilidade de vacas de corte submetidas à IATF“, o efeito do diâmetro do maior folículo presente nos ovários no momento da IATF, a taxa de ovulação e a ocorrência de estro foram citados como fatores que podem afetar a taxa de concepção de vacas submetidas à IATF. No artigo deste mês outros fatores serão apresentados.

Em um estudo recente (Sá Filho et al., 2010), 2.388 vacas (1.869 Nelore e 519 Nelore x Angus) de 10 fazendas comerciais foram avaliadas para determinar as relações entre raça, escore de condição corporal (ECC) no primeiro dia do protocolo de IATF e mudança de diâmetro do folículo pré-ovulatório entre a retirada do dispositivo de progesterona e a IATF e a taxa de prenhez desses animais. Todas as vacas (412 primíparas e 1.976 multíparas) receberam uma fonte de progesterona e uma dose de estradiol no início do protocolo de sincronização de estro (30-60 dias pós-parto). Nesse momento, o ECC foi avaliado visualmente utilizando uma escala de 1-5. No dia da remoção da fonte de progesterona foram administrados eCG e PGF2α e a IA foi realizada 48-60h mais tarde. No momento da retirada da fonte de progesterona e da IA todas vacas foram examinadas por ultrassonografia para determinar a mudança de diâmetro do folículo pré-ovulatório entre esses eventos e classificá-los em duas categorias: regressão ou crescimento. O diagnóstico de gestação foi realizado 30 dias após a IATF.

A taxa de ovulação geral ao protocolo foi de 84,9% e a chance de todas as vacas se tornaram gestantes aos 30 dias após a IATF foi de 51,4%. A raça (Nelore ou cruzada) e a paridade das vacas (primípara ou multípara) não influenciaram a chance de prenhez (P=0,50 e 0,91, respectivamente; Tabela 1), apesar de ter havido um aumento numérico da chance de prenhez em vacas cruzadas. Entretanto, o aumento do ECC no primeiro dia do protocolo de sincronização foi associado com o aumento da prenhez (P=0,03; Tabela 1). Também foi notado que os folículos que apresentaram aumento do diâmetro (crescimento) entre a retirada da fonte de progesterona e a IATF foram associados a maior prenhez (P=0,04) em comparação com aqueles em que o diâmetro diminuiu (regressão, Tabela 1).

Tabela 1. Fatores de risco para a prenhez aos 30 dias após a IATF em vacas Bos indicus lactantes

Normalmente, as vacas de corte primíparas criadas à pasto apresentam período de anestro pós-parto mais prolongado e conseqüente redução da taxa de prenhez à IATF em comparação com vacas multíparas. No entanto, esta resposta não tem sido consistente em vacas Nelore. Pesquisas têm relatado não haver diferença na fertilidade de vacas Nelore primíparas e multíparas submetidas à IATF e subseqüente exposição ao touro na estação de monta.

Como foi descrito anteriormente, os autores usaram a eCG em todos os animais. Está bem estabelecido que a eCG auxilia o desenvolvimento folicular final de vacas em anestro e/ou vacas primíparas, o que pode ter aproximado a resposta dessas à das multíparas. Outro fato que pode ter aumentado a fertilidade das vacas primíparas nesse estudo é o período pós-parto quando foram submetidas à IATF. Nesse sentido, trabalhos apontaram que vacas de corte (Bos taurus e Bos indicus) atingem seu pico de produção de leite entre 8,8 e 11,1 semanas de lactação, sendo que as primíparas tendem, normalmente, a ser mais tardias que as multíparas. Acredita-se que ao iniciar os programas de sincronização mais cedo do que o período máximo de exigências nutricionais (pico de lactação) pode beneficiar a fertilidade. Isto pode ser particularmente importante em vacas primíparas em condições de pastejo, não só devido à lactação, mas também devido às maiores exigências nutricionais dessa categoria para continuar seu crescimento. Assim, a associação do intervalo entre do parto ao início do protocolo de IATF e o uso da eCG pode ter favorecido a fertilidade de vacas primíparas e removido a disparidade na taxa de prenhez entre essa categoria e as multíparas.

Diversos trabalhos já mostraram que o ECC no início do programa de IATF influencia a prenhez. Menores ECC no início do protocolo de IATF estão associados com redução na taxa de prenhez de vacas Bos indicus submetidas à IATF. Logo, vale salientar que a minimização das perdas de peso corporal no início da lactação e a melhora da nutrição durante os períodos pré e pós-parto com o objetivo de alcançar maior ECC no primeiro dia da estação de monta é altamente benéfico para favorecer o aumento da prenhez.

Portanto, podemos verificar que, além do uso de dispositivos que auxiliam a detecção estro e da determinação do diâmetro do maior folículo presente nos ovários no momento da IATF, o uso da eCG realmente é uma ferramenta que tem auxiliado no aumento da taxa de prenhez de vacas de corte pós-parto. Entretanto, o uso deste fármaco não excluí a necessidade de boas condições de manejo nutricional dos animais. Não é possível fazer “milagres” quando os animais apresentam comprometimento dos estoques de energia. Devemos considerar também que simples estratégias de manejo, como a sincronização precoce dos animais no período pós-parto, são ferramentas práticas e de fácil utilização que podem aumentar a eficiência de resposta dos animais ao protocolo.

This post was published on 27 de abril de 2010

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  • Gostaria de parabenizar esse artigo e dar destaque ao assunto nutrição por ocasião dos seus trabalhos.
    pois o pecuarista precisa estar ciente de que "cio entra pela boca" e que fêmea que apresenta balanço energético negativo ( perdendo peso)
    não entra em cio e não vai parir, permanecendo em anestro.
    por isso quando voce fala que se deve minimizar as perdas de peso corporal no inicio da lactação e melhorar a nutrição antes e após o parto visando alcançar maior ecc por ocasião do inicio da estação de monta, este é o manejo nutricional correto para aqueles que querem obter maiores taxas de prenhez.
    esse seu artigo serve de alerta aos pecuaristas e técnicos - parabéns

  • Prezado Irezê Morraes Ferreira
    Muito obrigado pelos comentários. Você foi muito feliz e correto no seu comentário.
    abraços.
    Henderson

  • Belo artigo.
    Lembrando que é normal vermos profissionais associarem ECC como sinônimo de boa nutrição e onde em muita das vezes não atingem o objetivo. Por isso é de suma importância, não só olhar o ECC, mas conhecer o histórico da nutrição desse rebanho em que irá trabalhar. Assim poderá expor melhor ao proprietário a real possibilidade do resultado que poderá ser alcançado. O que vemos muito, é o colega implantar a tecnologia de qualquer jeito, vendendo resultados irreais e que muitas das vezes os clientes ficam desiludidos com a técnica e esse trabalho de reversão é muito "custoso".

  • Muito bom esse artigo, queria saber esse protocolo que foi feito, no dia da retirada do implante so foi feito prostaglandina e ecg, normalmete usa mais hormonios como ecp,estrogenos no efeito de crescimento folicular, obrigado.

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