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FAO: aumento no consumo de carne no mundo

Durante os últimos 40 anos, uma série de fatores, incluindo maior facilidade de transferência da produção e tecnologias de processamento, desenvolvimento econômico e mudanças no estilo de vida da população, tem modificado os padrões de consumo de alimentos de dietas ricas em carboidratos para dietas ricas em proteínas animais, óleos vegetais e açúcar, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Isso é particularmente verdadeiro nos países em desenvolvimento.

A FAO espera que muitos fatores os quais levaram ao aumento no consumo de carnes nos últimos anos continuem a influenciar e a formar mercados durante a próxima década. “O saudável crescimento econômico nos países em desenvolvimento tem resultado em ganhos reais no PIB de mais de 3% anualmente nas últimas décadas. O aumento resultante na renda disponível dos consumidores tem sido um fator chave que influenciou as mudanças nos padrões dietéticos em direção aos produtos de origem animal. As mudanças demográficas, particularmente a urbanização e a estrutura etária da sociedade, bem como mudanças nos estilos de vida, também tem contribuído para o aumento da diversificação dietética”, disse a FAO.

Os números crescentes de consumidores urbanos conscientes sobre a qualidade das dietas nos países em desenvolvimento têm estimulado a demanda global por carnes e produtos lácteos que, cada vez mais, tem substituído o consumo de carnes mais tradicionais para produtos com valor agregado e cortes mais especializados. Grande parte desta demanda tem sido suprida pelo aumento da produção nos países em desenvolvimento, onde os preços relativamente baixos dos alimentos animais, as transferências de tecnologia e o aumento da integração vertical e da concentração têm, juntos, mantido os preços relativamente baixos aos consumidores.

Outro fator econômico chave que tem estimulado a demanda por carnes é o preço relativo deste produto, que é influenciado por mudanças estruturais nas indústrias pecuárias, incluindo melhoramento genético, aprimoramento nutricional e melhor manejo animal. As mudanças nos custos estruturais nas indústrias, levando a menores preços das carnes aos consumidores nos países em desenvolvimento, são, em parte, resultado da crescente transferência de tecnologia entre países e investimentos nas indústrias de carnes no mundo, particularmente em mercados de forte crescimento ou regiões com baixos custos de produção. Os menores preços das carnes nas últimas décadas também são resultado de um declínio direcionado pela produtividade nos preços reais dos grãos, um importante componente dos custos de produção animal.

A última década tem sido caracterizada por mudanças significantes no ambiente político. A participação dos países em seus compromissos junto à Organização Mundial do Comércio (OMC) levou à expansão do acesso a vários mercados à medida que as tarifas diminuíram e as barreiras não transparentes ao acesso a mercados desapareceram. Além disso, tem havido um declínio no uso de subsídios à exportação. Estes desenvolvimentos têm estimulado os fluxos comerciais, levando ao aumento na participação dos países em desenvolvimento nos mercados internacionais como exportadores e facilitado o acesso dos consumidores a uma seleção mais diversificada de produtos de carne com preços menores de diferentes origens. Um contínuo processo em direção ao livre comércio em mercados internacionais está previsto para a próxima década.

A Ásia – particularmente o leste e o sudeste, onde o forte crescimento na renda e as tradicionais preferências têm estimulado ganhos no consumo de carnes de 6% nas últimas duas décadas – é a região com o mais rápido crescimento no consumo de carnes. O consumo agregado de alimentos na região tem aumentado mais do que em qualquer outra região (43% desde 1961). Isso tem sido acompanhado por uma grande variação nos padrões alimentares, com mais carnes, açúcar e óleos/gorduras substituindo os tradicionais alimentos baseados em cereais. Na Ásia, durante os últimos 30 anos, a população dos centros urbanos cresceu pelo menos 3% ao ano. A rápida urbanização tem sido um forte catalisador para as mudanças dietéticas, com os consumidores nos centros urbanos tendo maiores escolhas alimentícias e estilos de vida que priorizam a variedade e a conveniência ao invés do máximo teor calórico.

Em muitos países em desenvolvimento, onde a necessidade de aumentar o consumo de proteínas é importante, o consumo de carnes não tem aumentado. De acordo com a FAO, em 40 países em desenvolvimento, o consumo per capita de carnes era menor em meados da década de noventa do que 10 anos antes. Nesta categoria estão alguns países da África sub-Sahara onde o consumo per capita de carnes muito baixo reflete a estagnação econômica. A carência de oportunidades econômicas, o crescimento populacional relativamente alto e a estagnação no crescimento da renda têm limitado os ganhos anuais no consumo regional per capita de carnes para 0,27% durante a década de 1990. A carne em muitos países africanos ainda é considerada como um alimento de luxo e a infraestrutura no processamento de carnes é rudimentar na maioria dos países.

Para os países desenvolvidos, a FAO atribuiu um crescimento marginal no consumo de carnes para próximo da saturação do consumo e um aumento das preocupações com relação às implicações dietéticas da alta ingestão de ácidos graxos saturados e seus potenciais efeitos maléficos à saúde. Ironicamente, ao mesmo tempo, o consumo de carnes é apoiado por várias dietas da moda, como a dieta do Dr.Atkins, que relaciona a perda de peso com a alta ingestão de proteína e baixa ingestão de carboidrato.

Fonte: MeatNews.com, adaptado por Equipe BeefPoint

This post was published on 20 de agosto de 2004

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