FAO afirma o papel crítico do gado como upcycler

Por Sara Place

No debate sobre alimentos para animais versus alimentos humanos, não estamos utilizando os números certos. Ao invés de ser um dreno sobre os recursos globais e competir com o fornecimento de alimentos humanos comendo muitos grãos, o gado geralmente contribui de forma líquida para o fornecimento de proteína global. Essa é a conclusão de um novo estudo de cientistas da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO).

A pecuária, especialmente os ruminantes como o gado bovino, desempenham um papel fundamental em um sistema alimentar sustentável. Eles nos permitem produzir alimentos em terras marginais que não são adequadas para a agricultura cultivada. Bovinos atuam como “upcyclers” em nosso sistema alimentar – eles transformam plantas em proteínas de alta qualidade para as pessoas.

Os pesquisadores da FAO desenvolveram uma base de dados global sobre o que os animais comem e descobriram que 86% dos alimentos não são comestíveis para humanos. Principalmente, o gado come gramíneas cultivadas em terras marginais e outras culturas forrageiras, como alfafa. As terras marginais são aquelas muito rochosas, íngremes e/ou áridas para sustentar a agricultura cultivada, como a produção de frutas ou vegetais. Globalmente, os animais também comem mais de 1,9 bilhão de toneladas de restos da produção de alimentos humanos, fibras e biocombustíveis.

Por exemplo, o gado come os resíduos da colheita de grãos (os talos e as folhas deixadas no campo após a colheita de milho), os subprodutos dos grãos de moagem para a produção de farinha, semente de algodão que é uma sobra da produção de algodão e glicerol e grãos de destiladores que são subprodutos de biodiesel de soja e da produção de etanol de milho, respectivamente.

Se o gado não consumisse essas restos e subprodutos derivados de plantas, sua disposição provavelmente resultaria em um encargo ambiental. Ao ser parte do sistema alimentar global, os animais aumentam a sustentabilidade de outras produções e indústrias de alimentos.

Considerando que a maioria do que o gado come não é comestível para humanos, os pesquisadores da FAO descobriram que 1 kg de proteína em carne e leite requer apenas 0,6 kg de proteína de alimentos humanos. Além disso, a proteína na carne e no leite é de maior qualidade nutricional em comparação com a proteína do grão que o gado come.

A pesquisa da FAO representa médias globais, mas a produção de carne bovina nos EUA compete ainda menos com alimentos comestíveis por humanos. Em um relatório recente publicado pelas Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina, estimou-se que, em média, mais de 90% do que o gado de corte terminado com grãos come durante a vida são forragens não comestíveis para humanos e sobras derivadas de plantas. Menos de 10% do seu consumo de alimento durante a vida é grãos que potencialmente podem ser consumidos por pessoas.

Além disso, em um relatório publicado pelo Conselho de Ciência e Tecnologia Agrícola, os sistemas de carne bovina de animais terminados com grãos nos EUA mostraram contribuir com 19% mais proteínas comestíveis por humanos do que consumiam.

É encorajador que mais pesquisas estejam colocando o gado onde eles devem estar – como um componente chave da bioeconomia circular. O pensamento linear diante de um desafio como o aumento da demanda de alimentos e as mudanças climáticas não o reduzirão. Entender como podemos melhorar o superpoder de upcycling do gado é a chave para um sistema alimentar sustentável que nutre o mundo de forma responsável.

Por Sara Place, Ph.D., Diretora Sênior, Pesquisa Sustentável de Produção de Carne, Associação Nacional de Produtores de Carne Bovina dos Estados Unidos (NCBA), traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

This post was published on 18 de setembro de 2017

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Equipe BeefPoint

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