Categories: Cadeia Produtiva

Falta boi no campo e sobra carne na prateleira

Enquanto os volumes de abates atingem mínimas históricas devido à falta de animais terminados e à dificuldade da indústria frigorífica em passar para frente (atacado/varejo) o aumento de custos gerado pela disparada da arroba do boi gordo, a carne bovina emperra nas gôndolas dos supermercados brasileiros, relata a Agrifatto. “No varejo, os cortes do traseiro não escoam, enquanto as peças dos dianteiros e pontas – preferência das classes com menor poder aquisitivo – demonstram mínima liquidez, informa a consultoria.

Segundo a IHS Markit, diante baixa oferta de boiadas e o ritmo fraco da demanda pela carne vermelha, muitos frigoríficos evitam efetivar novas compras de matéria-prima a valores mais altos, o que resulta em lentidão no mercado pecuário. No momento, a arroba do boi gordo gira ao redor de R$ 300 no mercado paulista, o que significa que, pelo menos por enquanto, a indústria não obteve sucesso na tentativa das últimas semanas em estabelecer uma pressão baixista aos preços de balcão.

Para piorar a situação dos frigoríficos, o enfraquecimento da demanda doméstica, além do ritmo menor dos embarques de carne bovina, abriu espaço para novas quedas nos preços finais da proteína bovina, reflexo do baixo poder aquisitivo da população, ainda fortemente abalada pela crise econômica gerada pela pandemia de Covid-19.

“A baixa oferta de boiada gorda e a dificuldade por parte das indústrias em repassar os custos operacionais aos demais elos da cadeia produtiva vem gerando um impasse enorme no setor”, relata a IHS Markit. Na avaliação da consultoria, embora se tenha a expectativa de crescimento na oferta de animais terminados a pasto nos próximos meses, os níveis de preços do boi gordo devem se manter elevados durante 2021, sustentados principalmente pelos altos valores dos animais de reposição e também pelo avanço dos custos com nutrição.

Giro pelas praças

Entre as praças pecuárias da região Centro-Sul, apesar das variações mistas entre alguns Estados, o mercado ainda mostra firmeza de preço, visto que as oscilações continuaram tímidas, informa IHS.

No Mato Grosso do Sul e também em algumas localidades do Mato Grosso, os preços do boi voltaram a subir nesta quarta-feira de Cinzas, em função da firme demanda de plantas exportadoras.

Por sua vez, em Goiás, Minas Gerais ou Panará, os preços do boi gordo tiveram ligeira queda, motivada pela paralização temporária de plantas frigorificas, informa IHS Markit.

Entre as praças das regiões Norte e Nordeste, o mercado do boi gordo segue lento e com variações pontuais. Em Rondônia e Tocantins, as indústrias frigoríficas conseguiram formar escalas até segunda-feira (22) e saíram das compras de boiadas, apurou a IHS. Nas demais, as indicações de preços estacionaram em função da ausência de ambas as pontas do mercado.

Abates em queda no Mato Grosso

Em janeiro último, foram abatidas 367,21 mil bovinos no Mato Grosso, uma queda de 7,7% sobre o resultado de dezembro/20 e 21,22% menor em comparação ao mesmo período do ano passado, informa Yago Travagini, consultor da Agrifatto, com base em dados do Instituto de Defesa Agropecuária do Mato Grosso (Indea).

Trata-se do menor volume de abates para janeiro dos últimos 13 anos em Mato Grosso, acrescenta Travagini. “A dificuldade em encontrar animais aptos para o abate destaca o momento crítico do ciclo pecuário”, relata o consultor.

A queda do abate no comparativo mensal foi puxada pelos machos, que reduziram em 15,57% o seu volume total relação ao resultado de dezembro/20, atingindo 225,05 mil animais. Ainda assim, diz Travagini, a escassez de fêmeas é protagonista quando se aborda a diminuição dos abates. “A participação das fêmeas no total abatido em janeiro ficou em 39%, o menor nível desde 2010”, informa o consultor.

Abates gerais em 2020

No ano passado, as indústrias frigorificas sob algum tipo de serviço de inspeção sanitária abateram 29,6 milhões de cabeças bovinas, retração de 8,8% frente ao ano de 2019, o menor volume desde 2011, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). A diminuição no abate é reflexo sobretudo do movimento de retenção de matrizes, justifica a IHS Markit.

Cotações desta quarta-feira (17/2), segundo dados da IHS Markit:

SP-Noroeste:

boi a R$ 300/@ (prazo)
vaca a R$ 281/@ (prazo)

MS-Dourados:

boi a R$ 284/@ (à vista)
vaca a R$ 271/@ (à vista)

MS-C. Grande:

boi a R$ 288/@ (prazo)
vaca a R$ 272/@ (prazo)

MS-Três Lagoas:

boi a R$ 286/@ (prazo)
vaca a R$ 271/@ (prazo)

MT-Cáceres:

boi a R$ 289/@ (prazo)
vaca a R$ 278/@ (prazo)

MT-Tangará:

boi a R$ 290/@ (prazo)
vaca a R$ 278/@ (prazo)

MT-B. Garças:

boi a R$ 288/@ (prazo)
vaca a R$ 276/@ (prazo)

MT-Cuiabá:

boi a R$ 289/@ (à vista)
vaca a R$ 275/@ (à vista)

MT-Colíder:

boi a R$ 285/@ (à vista)
vaca a R$ 273/@ (à vista)

GO-Goiânia:

boi a R$ 288/@ (prazo)
vaca R$ 2786/@ (prazo)

GO-Sul:

boi a R$ 288/@ (prazo)
vaca a R$ 278/@ (prazo)

PR-Maringá:

boi a R$ 290/@ (à vista)
vaca a R$ 271/@ (à vista)

MG-Triângulo:

boi a R$ 297/@ (prazo)
vaca a R$ 278/@ (prazo)

MG-B.H.:

boi a R$ 296/@ (prazo)
vaca a R$ 278/@ (prazo)

BA-F. Santana:

boi a R$ 276/@ (à vista)
vaca a R$ 266/@ (à vista)

RS-Porto Alegre:

boi a R$ 2852/@ (à vista)
vaca a R$ 275/@ (à vista)

RS-Fronteira:

boi a R$ 285/@ (à vista)
vaca a R$ 275/@ (à vista)

PA-Marabá:

boi a R$ 278/@ (prazo)
vaca a R$ 271/@ (prazo)

PA-Redenção:

boi a R$ 275@ (prazo)
vaca a R$ 270/@ (prazo)

PA-Paragominas:

boi a R$ 274/@ (prazo)
vaca a R$ 272/@ (prazo)

TO-Araguaína:

boi a R$ 278/@ (prazo)
vaca a R$ 271/@ (prazo)

TO-Gurupi:

boi a R$ 279/@ (à vista)
vaca a R$ 268/@ (à vista)

RO-Cacoal:

boi a R$ 269/@ (à vista)
vaca a R$ 260/@ (à vista)

RJ-Campos:

boi a R$ 283/@ (prazo)
vaca a R$ 268/@ (prazo)

MA-Açailândia:

boi a R$ 271/@ (à vista)
vaca a R$ 256/@ (à vista)

Fonte: Portal DBO.

This post was published on 18 de fevereiro de 2021

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Equipe BeefPoint

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