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EUA tornam 2º semestre promissor para a JBS

A JBS tem em suas operações nos Estados Unidos combustível de sobra para manter sólidos resultados globais nos próximos trimestres, apesar das margens mais curtas na Austrália e no Brasil, e manter em patamares elevados os investimentos e a remuneração de seus acionistas. 

Foi o que sinalizaram executivos da maior empresa de proteínas animais do mundo em teleconferência com analistas na manhã de hoje – “value” e “growth”, como estampou ontem o Pipeline, site de negócios do Valor, após a divulgação do resultado recorde obtido pela múlti brasileira no segundo trimestre. 

No período, o lucro líquido consolidado da gigante de carnes e alimentos processados somou R$ 4,4 bilhões, 29,7% mais que entre abril e junho de 2020. Na mesma comparação, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado cresceu 10,3%, para R$ 11,7 bilhões, e a receita líquida aumentou 26,7%, para R$ 85,6 bilhões. 

É verdade que a margem Ebitda ajustada caiu 2 pontos percentuais, para 13,7% — pressionada por Brasil e Austrália — e a geração de caixa livre recuou 66,5%, para R$ 3,2 bilhões. Mas, segundo os executivos, está confirmada a antecipação de distribuição de dividendos intercalares de R$ 2,5 bilhões (R$ 1 por ação), a serem pagos no dia 24 deste mês, e os investimentos em crescimento orgânico e aquisições continuarão acelerados. 

“Estamos otimistas em relação ao futuro, sempre com a sustentabilidade no centro da nossa estratégia”, resumiu Gilberto Tomazoni, CEO global da companhia, na teleconferência. Em larga medida, esse otimismo deriva do forte ritmo de aportes em meio a uma baixa alavancagem, que também sinaliza que há muito espaço para novos investimentos e diversificação, como a recente entrada no segmento de aquicultura.

Desde 2000, a JBS informou que investiu R$ 34 bilhões, incluindo retorno aos acionistas (R$ 12,1 bilhões, em dividendos e recompra de ações), aquisições (R$ 11,5 bilhões), expansão, modernização e manutenção das operações (R$ 5,2 bilhões) e ESG (R$ 5 bilhões). Ainda assim, a empresa encerrou o trimestre com alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda) em dólar de 1,73 vez (1,61 em real). O compromisso é manter esse indicador entre 2 e 3 vezes, e há 12 meses o resultado fica abaixo de 2 vezes. 

Segundo Guilherme Cavalcani, CFO da JBS, as perspectivas para caixa livre e Ebitda neste segundo semestre indicam que será mesmo possível distribuir dividendos e ampliar investimentos sem que a alavancagem da companhia aumente. E que o caixa é suficiente para amortizar dívidas da empresa que vencem até meados de 2026. 

Em sua apresentação de resultados, a empresa informa que encerrou o segundo trimestre com R$ 16,8 bilhões em caixa, sem contar US$ 1,9 bilhão disponíveis à divisão JBS USA em linhas de crédito rotativas e garantidas. Ou seja, a disponibilidade de recursos supera US$ 26 bilhões, mas de três vezes a dívida de curto prazo. Em reais, a dívida líquida caiu R$ 300 milhões do segundo trimestre de 2020 para entre abril e junho deste ano, para R$ 54,2 bilhões, e em dólar subiu de US$ 10 bilhões para US$ 10,8 bilhões na comparação. 

JBS USA Beef 

Com boa oferta de gado nos EUA — embora o custo esteja subindo no país — e demanda aquecida por carne bovina no mercado americano, o que permite repasses ao varejo, a JBS USA Beef continua a puxar os resultados do grupo, apesar do cenário adverso na Austrália e na Nova Zelândia, incluídos nessa divisão. Nesses países, disse André Nogueira, CEO da JBS USA, o quadro só deverá começar a melhorar no segundo semestre do ano que vem. 

No segundo trimestre, a receita líquida da JBS USA Beef alcançou o equivalente a R$ 35,7 bi, 18,8% mais que no mesmo período de 2020. O Ebitda ajustado nessa frente cresceu 13% na comparação, para US$ 7,1 bilhões, e a margem Ebitda ajustada ficou em 19,8%, com leve queda de um ponto percentual. 

Pilgrim’s Pride 

A controlado Pilgrim’s Pride, que tem foco em carne de frango, gerou receita líquida de R$ 19,2 bilhões, 26,6% maior que entre abril e junho do ano passado, e Ebitda ajustado de R$ 2,5 bilhões, 125,3% superior — impulsionado, em parte, pela retomada do food service nos EUA com o avanço da vacinação da população contra a covid-19. A margem Ebitda ajustada subiu 5,7 pontos, para 13,1%. 

JBS USA Pork 

O ponto fora da curva é a JBS USA Pork, cuja receita subiu 25,6% entre os segundos trimestres, para R$ 10,7 bilhões, mas cujo Ebitda ajustado recuou 19,2%, para R$ 853,9 milhões, e onde a margem Ebitda ajustada recuou 4,4 pontos, para 8%. Nos EUA, como no Brasil, o desafio nesse segmento é lidar com o forte aumento de custos do suíno vivo, impulsionado pela alta do milho e do farelo de soja, principalmente. A Pilgrim’s também é presssionada pelos custos, é verdade, mas nesse caso a retomada do consumo pós-pandemia tornou o saldo das operações mais positivo. 

JBS Brasil 

Na divisão JBS Brasil, que inclui a área de bovinos no país, a receita líquida do segundo trimestre cresceu 46%, para R$ 12,7 bilhões, mas o Ebitda ajusta diminuiu 63,4%, para R$ 439,4 milhões, por conta da valorização do gado. A margem Ebitda ajustada, assim, recuou 10,3 pontos, para 3,4%. Na comparação entre os segundos trimestres de 2020 e 2021, o preço médio de aquisição do boi no país aumentou 55,1%, segundo dados do Cepea/Esalq destacados pela JBS.

Seara A divisão Seara foi na mesma linha, só que pressionada pelos grãos. A receita líquida aumentou 39,8%, para R$ 8,9 bilhões, mas o Ebitda ajustado caiu 25,1%, para R$ 808,7 milhões, e a margem Ebitda ajustada ficou em 9%, 7,8 pontos abaixo do intervalo entre abril e junho do ano passado. 

Proteínas caras 

Segundo os executivos da JBS, a realidade é que o Brasil precisa se preparar para um período de proteínas de fato mais caras. Por outro lado, as exportações tendem a continuar firmes, sobretudo as de carne bovina para a China, que têm sido destaque nos últimos anos — no segundo trimestre, a receita da JBS Brasil no mercado externo atingiu R$ 5,5 bilhões, 24,1% mais que há um ano, puxada pelas fortes compras chinesas.

A companhia trabalha com a expectativa de que a China reduza suas importações de carne suína nos próximos anos, tendo em vista a tendência de recomposição de seu plantel de porcos depois dos estragos provocados pela peste suína africana. Mas esse cenário não assusta. Segundo Wesley Batista Filho, presidente da JBS América do Sul e da Seara, que reúne as operações de suínos da múlti, o avanço nessa frente continuará a ser impulsionado pelo crescimento da produção de processados. 

Aquicultura 

Outro negócio para o qual a JBS tem grandes expectativa é aquicultura. A empresa anunciou este mês que fechou acordo para adquirir a australiana Huon Aquaculture, por pouco mais de US$ 400 milhões, incluindo dívidas, e não esconde suas ambições para esse mercado. Não será uma aquisição isolada, como já afirmou o CEO global Tomazoni, e o objetivo é implantar no segmento a lógica que move as operações de aves e suínos. 

O portfólio de proteínas da companhia, dessa forma, é mais uma vez reforçado para aproveitar todas as tendências de consumo. Vale notar que no mercado plant based, de proteínas vegetais alternativas às carnes, a Seara já é líder em vendas de hambúrgueres no Brasil.

Fonte: Valor Econômico.

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